RYBENINHA

RYBENINHA
SINAL: BEM -VINDOS

DÊ-ME TUA MÃO QUE TE DIREI QUEM ÉS



“Em minha silenciosa escuridão,
Mais claro que o ofuscante sol,
Está tudo que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
Tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.
Frementes de ansiedade ou trêmulas de fúria,
Verdadeira amizade ou mentira,
Tudo se revela ao toque de uma mão:
Quem é estranho,
Quem é amigo...
Tudo vejo em minha silenciosa escuridão.
Dê-me tua mão que te direi quem és."


Natacha (vide documentário Borboletas de Zagorski)


SINAL DE "Libras"

SINAL DE "Libras"
"VOCÊ PRECISA SER PARTICIPANTE DESTE MUNDO ONDE MÃOS FALAM E OLHOS ESCUTAM, ONDE O CORPO DÁ A NOTA E O RÍTMO. É UM MUNDO ESPECIAL PARA PESSOAS ESPECIAIS..."

LIBRAS

LIBRAS
" A Língua de Sinais é, nas mãos de seus mestres, uma linguagem das mais belas e expressivas, para a qual, no contato entre si é como um meio de alcançar de forma fácil e rápida a mente do surdo, nem a natureza nem a arte proporcionaram um substituto satisfatório." J. Schuyler Long

LIBRAS

LIBRAS
"Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, então o lugar é deficiente" - Thaís Frota

LIBRAS

LIBRAS
Aprender Libras é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender Libras é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz.... apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver.” Luiz Albérico B. Falcão

PEDAGOGIA SURDA

PEDAGOGIA SURDA
PROFESSOR BILÍNGUE

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS
“ A língua de sinais anula a deficiência e permite que os surdos constituam, então, uma comunidade lingüística minoritária diferente e não um desvio da normalidade”. Skliar

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Três meses de implante coclear ativado


11/02/2014: três meses de implante coclear. Honestamente, parece que já se passaram três anos. Andei olhando algumas fotos e vídeos daquela época (quem vê pensa que faz muuuito tempo, hahaha) e encontrei um vídeo no qual eu conversava com a minha fono Michele na noite anterior à ativação. Disse pérolas tipo ‘tô morta de medo dessa história de que todas as vozes serão iguais à do Pato Donald’, ‘e se eu tiver cometido o maior erro da vida?’ e afins. Muito engraçado ouvir isso estando hoje do jeito que estou. :)
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A foto acima foi na noite anterior à cirurgia. Com cabelo comprido e sem fazer idéia da reviravolta que o IC causaria no meu dia-a-dia. Lembro que minhas expectativas eram basicamente nulas. Eu estava 100% certa da decisão que havia tomado e pensava que, na pior das hipóteses, ficaria melhor do que estava.

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Essa foto foi logo após chegar no quarto, dia 28/09/2013. A clássica fotinho do ‘turbante’, logo antes de começar a ver gnomos por causa do zumbido serra elétrica que surgiu do além e quase me enlouqueceu até a ativação do implante. A sujeira nos olhos foi porque a vaselina que me passaram pra limpar os resquícios de esparadrapo derreteu o rímel à prova d’água. E teve quem me acusasse de ser o tipo de doida que vai se operar toda maquiada, hahaha!

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Audiometria feita na segunda consulta pós-ativação. Se bobear, acho que nunca tive uma dessas nem mesmo quando era criança. A última que fiz o traçado ficava lá embaixo, nos 110dB. Então, acho que dá pra ter uma idéia do meu queixo caído ao me deparar com essa depois de apenas um mês e poucos dias de ouvido biônico. Como a gente diz aqui nos pampas, me caiu os butiá do bolso nesse dia.
Hoje já estou no segundo mapeamento. Programa 1: mapa normal, pra usar no dia-a-dia. Programa 2: pra tentar falar no celular (shame on me, tenho bloqueio com isso). Programa 3: pra ouvir música. Programa 4: meu mapa antigo. O esquisito é que, ao mudar de um mapa pro outro, a sensação que tenho é a de que não ouvia nada com o antigo, embora quando estivesse usando ele sentisse que ouvia até demais. Como explicar isso, alguém sabe? Desde o último encontro com a fono Adriana Laybauer, o programa com o qual sinto que ouço mais é o de música só que, quando tenso usá-lo no dia-a-dia, após um tempo me sinto cansada e estressada. Aí, volto pro P1.
Esses dias consegui tirar minha primeira soneca de IC. Jamais consegui dormir usando aparelho auditivo e muito menos com implante coclear. Qualquer mísero barulhinho me acordava no ato, de susto – coisa normal pra quem sempre dormiu num silêncio maravilhoso quase total. Agora, sinto que o cérebro já se acostumou com tanto barulho o dia inteiro e aprendeu a filtrar as coisas chatas. Ainda me surpreendo de ouvir a minha própria respiração (que por sinal, anda um lixo, nariz vai de mal a pior) e quase todos os dias alguém vem me dizer ‘nossa, como a tua voz melhorou’. Coisa que, aliás, minhas duas fonos me disseram após esse segundo mapeamento. Segundo a Adriana, minha voz melhorou 70%. Segundo a Michele, idem. E a cada pessoa que me diz isso me dou por conta do quanto era desligada antes, porque não lembro de parar pra pensar nisso ou analisar minha própria voz.
As pessoas próximas não se acostumam comigo pós-IC. Continuam querendo falar olho no olho. Se não olho, não me dirigem a palavra. Parece que ainda não acreditam no fato de que podem falar sem que eu esteja olhando e fazendo leitura labial. Falando nisso, tenho feito um esforço enorme pra falar com quem quer que seja olhando sempre nos olhos, não mais na boca. Inclusive quando assisto TV. Funciona que é uma beleza.
O zumbido do lado operado só dá as caras em dias muito estressantes ou cansativos. Em 90% do tempo ele não existe. Em compensação, do lado não operado ele está pior do que nunca. A mil. Parece praga! Falando em lado não operado, continuo usando no ouvido esquerdo o AASI Pure Carat. Não me adaptei ao Motion. Há algum tempo, o som do IC se fundiu ao som do AASI. Antes, se estivesse usando os dois ao mesmo tempo, vinha um brrrr no final de cada palavra. O estranho é que, logo no início, eu detestava totalmente usar meu AASI junto com o IC. Deixava de lado mesmo isso sendo contra a recomendação médica. Até que comecei a sentir falta e depois me dei por conta que o som é muito mais forte usando ambos e escuto minha voz MUITO melhor com os dois.
Enquanto não inventarem um processador especial para orelhinhas complicadas, sigo dependente da fita de peruca (já fiz post sobre ela). Com esse calor infernal, a fixação da fita extra forte virou normal. Que venha logo o frio! A respeito das baterias, alterno o uso das recarregáveis (que são menores e mais ‘gostosas’ de usar) com as pilhas normais. O controle remoto, praticamente nunca uso. Deixo na bolsa, mas fica ali intacto, mudo de programa pelo próprio IC quando sinto vontade. Esses dias tentei ouvir música com o cabo específico pra isso conectado ao iPad e não gostei. O som não é legal como era quando eu ouvia música via bluetooth direto nos dois AASI. Ouvir música, só do jeito ‘normal’: rádio do carro ou som de casa mesmo. Estar numa mesa de restaurante com várias pessoas ou receber vários amigos em casa não é mais sessão de tortura chinesa pra mim. Pelo contrário, me dá prazer.
Meu estado de espírito é de relaxamento. Não sou mais a Paula hiper vigilante. Não tenho mais aquele sentimento ruim de estar perdendo tudo o que acontece ao meu redor. Passei a gostar de estar em locais escuros e barulhentos, coisa que antes sentia calafrios só de pensar na possibilidade. Não tenho mais pânico de ficar sozinha em casa. Não sinto mais receio de estar dirigindo e não ouvir uma ambulância atrás de mim tentanto passar (yep, isso já me aconteceu). E entendo melhor o stress dos ouvintes, porque quem ouve se estressa mil vezes mais. O sentimento mais difícil de lidar é o de desconforto por decisões tomadas no passado em função da deficiência auditiva e da idéia de que meu futuro seria de silêncio total. Às vezes parece que fiquei 30 anos numa cadeia e um belo dia, sem aviso, me libertaram – fiquei meio tonta sem saber como lidar com essa liberdade. Você coloca a vida inteira em perspectiva e, no meu caso, chega a conclusões desagradáveis: fiz a faculdade errada, estou no emprego errado, na cidade errada, enfim. Só que não consigo me culpar profundamente por isso porque, quando tomei essas decisões, para todos os efeitos meu futuro era sim, silencioso. Tentei buscar coisas que não me fizessem sentir tão deslocada ou incapaz porque, sejamos bem francos, não ouvir ou ir perdendo a capacidade de ouvir gradualmente é pavoroso. Hoje percebo que eu me sentia meio ser humano, nunca me senti completa, sempre faltou algo. E esse algo só mostrou a sua verdadeira dimensão após a ativação do implante coclear. Nesse dia entendi o que era fazer parte de verdade do mundo. E o mundo é barulhento, rápido, dinâmico e não espera nem tem pena de ninguém. Aos poucos, vou fazendo as pazes comigo mesma. E continuo achando que o maior desafio de quem faz um IC é ser capaz de segurar a barra emocional que vem antes dele, durante e depois.

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