RYBENINHA

RYBENINHA
SINAL: BEM -VINDOS

DÊ-ME TUA MÃO QUE TE DIREI QUEM ÉS



“Em minha silenciosa escuridão,
Mais claro que o ofuscante sol,
Está tudo que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
Tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.
Frementes de ansiedade ou trêmulas de fúria,
Verdadeira amizade ou mentira,
Tudo se revela ao toque de uma mão:
Quem é estranho,
Quem é amigo...
Tudo vejo em minha silenciosa escuridão.
Dê-me tua mão que te direi quem és."


Natacha (vide documentário Borboletas de Zagorski)


SINAL DE "Libras"

SINAL DE "Libras"
"VOCÊ PRECISA SER PARTICIPANTE DESTE MUNDO ONDE MÃOS FALAM E OLHOS ESCUTAM, ONDE O CORPO DÁ A NOTA E O RÍTMO. É UM MUNDO ESPECIAL PARA PESSOAS ESPECIAIS..."

LIBRAS

LIBRAS
" A Língua de Sinais é, nas mãos de seus mestres, uma linguagem das mais belas e expressivas, para a qual, no contato entre si é como um meio de alcançar de forma fácil e rápida a mente do surdo, nem a natureza nem a arte proporcionaram um substituto satisfatório." J. Schuyler Long

LIBRAS

LIBRAS
"Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, então o lugar é deficiente" - Thaís Frota

LIBRAS

LIBRAS
Aprender Libras é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender Libras é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz.... apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver.” Luiz Albérico B. Falcão

PEDAGOGIA SURDA

PEDAGOGIA SURDA
PROFESSOR BILÍNGUE

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS
“ A língua de sinais anula a deficiência e permite que os surdos constituam, então, uma comunidade lingüística minoritária diferente e não um desvio da normalidade”. Skliar

terça-feira, 28 de julho de 2015

O que significa voltar a ouvir

Semana passada reencontrei minha terapeuta após alguns meses sem vê-la. A primeira coisa que disse quando me viu foi que tinha lido o segundo livro e agora me entendia melhor. E fez um comentário que me deixou bem pensativa:
Antes do IC, você tinha o poder de escolher quem entraria no seu mundo silencioso, quando as pessoas entrariam e por quanto tempo poderiam permanecer nele. Afinal, para que isso acontecesse, você precisava dar atenção total para a pessoa. Se virasse para o lado ou saísse do recinto, a conexão acabava. Hoje, não. Todos podem invadir o seu mundo o tempo inteiro depois do IC: te ligando, gritando para você de outro cômodo, querendo conversar porque sabem que você está ouvindo, cantarolando uma música. Você perdeu esse poder e agora precisa aprender a não ser mais tão auto-centrada!”

New Life

O som não pede permissão para entrar. O som te arranca da tua zona de conforto silenciosa à força, sem dar a mínima importância para o fato de estar ferindo – ou não! – os teus sentimentos. Foi exatamente isso o que aconteceu comigo, pessoinha mais do que acostumada ao silêncio e mergulhada num mundo próprio no qual o som não tinha acesso. Confesso que nunca tinha parado para pensar sob a perspectiva apresentada pela Silvia, minha terapeuta.
Enquanto escrevo esse post estou sozinha numa sala da SONORA. Pensando bem, não estou sozinha: o som invade o ambiente com o tic-tac alto e incessante de um relógio de parede. Mais o barulho do ar condicionado. E das pessoas no corredor do andar. O insight que tenho é de que a solidão acabou para mim. Ela só existe quando estou sem implante coclear, ou seja, quando estou dormindo ou tomando banho.
Voltar a ouvir não é – como muitos imaginam que seja – simplesmente ser capaz de ouvir pássaros, de entender vozes, de apreciar música, de falar no telefone. Voltar a ouvir é também voltar a fazer parte do mundo de maneira ativa e passiva. Ativa pois você deixa de precisar dos outros para inúmeras coisas e passa a fazê-las você mesmo; passiva pois o som é invasivo de um jeito que só voltando a ouvir para conseguir compreender.
Voltar a ouvir me fez reavaliar todas as escolhas que fiz durante meus 31 anos de perda auditiva progressiva. É dificílimo lidar diariamente com as escolhas erradas no tocante à minha vida profissional.
Voltar a ouvir é voltar a ser estimulado de modos que você esqueceu que existiam. Ler um livro e ouvir o barulho do seu dedo virando a página, admirar um pôr-do-sol ouvindo o vento e o som dos seus próprios passos.
Voltar a ouvir é aprender a reviver partes suas que estavam completamente adormecidas, é ter uma sensibilidade incrível de volta. É se tornar uma pessoa que busca de modo constante sons e significados que para os outros são banais, para não dizer patéticos. A campainha tocou? Enquanto você pensa “PQP, ouvi a campainha tocar!” os outros pensam “êta barulho chato“.
Voltar a ouvir é ter que fazer um esforço constante para sair do seu próprio mundo, para aceitar de bom grado a presença – e a respiração, a fala, os suspiros, os gritos – do outro. Voltar a ouvir é perceber 100% a presença alheia e suas nuances e, também, ter que lidar com o modo como a sua presença afeta as outras pessoas. Voltar a ouvir é aprender a dar em vez de apenas receber.
O silêncio me dava uma certa paz: eu detinha o poder de determinar minhas interações e também os meus desafios, tão limitados pela falta de som. Mas, no fim das contas, ele me dava mais desatino e tristeza do que qualquer outra coisa, pois eu queria desesperadamente fazer parte do mundo sonoro.
A surdez é egoísta, a audição é generosa. E eu, dia após dia, venho tentando me desapegar do egoísmo e da solidão que a surdez impregnou na minha alma. Sem implante, sou EU. Com implante, sou EU NO MUNDO. Um ano e oito meses depois, ainda estou construindo a ponte entre esses dois eus. Voltar a ouvir é um trabalho eterno que vem me transformando num ser humano melhor. O silêncio é estático, o som é dinâmico. E a nossa existência é feita de um dinamismo incessante, ainda bem.

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