RYBENINHA

RYBENINHA
SINAL: BEM -VINDOS

DÊ-ME TUA MÃO QUE TE DIREI QUEM ÉS



“Em minha silenciosa escuridão,
Mais claro que o ofuscante sol,
Está tudo que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
Tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.
Frementes de ansiedade ou trêmulas de fúria,
Verdadeira amizade ou mentira,
Tudo se revela ao toque de uma mão:
Quem é estranho,
Quem é amigo...
Tudo vejo em minha silenciosa escuridão.
Dê-me tua mão que te direi quem és."


Natacha (vide documentário Borboletas de Zagorski)


SINAL DE "Libras"

SINAL DE "Libras"
"VOCÊ PRECISA SER PARTICIPANTE DESTE MUNDO ONDE MÃOS FALAM E OLHOS ESCUTAM, ONDE O CORPO DÁ A NOTA E O RÍTMO. É UM MUNDO ESPECIAL PARA PESSOAS ESPECIAIS..."

LIBRAS

LIBRAS
" A Língua de Sinais é, nas mãos de seus mestres, uma linguagem das mais belas e expressivas, para a qual, no contato entre si é como um meio de alcançar de forma fácil e rápida a mente do surdo, nem a natureza nem a arte proporcionaram um substituto satisfatório." J. Schuyler Long

LIBRAS

LIBRAS
"Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, então o lugar é deficiente" - Thaís Frota

LIBRAS

LIBRAS
Aprender Libras é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender Libras é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz.... apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver.” Luiz Albérico B. Falcão

PEDAGOGIA SURDA

PEDAGOGIA SURDA
PROFESSOR BILÍNGUE

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS
“ A língua de sinais anula a deficiência e permite que os surdos constituam, então, uma comunidade lingüística minoritária diferente e não um desvio da normalidade”. Skliar

terça-feira, 27 de maio de 2014

O que é Otosclerose e como tratar

O que é Otosclerose e como tratar

Todos dias recebo uma infinidade de emails de leitores com perguntas médicas – as quais, obviamente, não tenho como responder. Decidi, então, trazer um consultor convidado para o Crônicas da Surdez: o médico otorrinolaringologista Luciano Moreira, do Rio de Janeiro. Vocês podem deixar nos comentários sugestões para os próximos posts e inclusive perguntas interessantes que possam ser transformadas em post. :)
‘Três motivos para falar de Otosclerose: encomenda da Paula de um post sobre o tema a pedido de um leitor (bastava esse), as dúvidas diárias no consultório de muitos pacientes e familiares e por fim o comentário atravessado de um grande amigo meu, médico. Disse ele outro dia sobre um paciente idoso que temos em comum: “Mas surdo nessa idade? Só pode ser otosclerose!”. Depois dessa, percebi que se o tema é desconhecido até dos meus colegas mais competentes de outras suas especialidades. Imagina do público em geral.
anatomia otosclerose
A otosclerose (ou otospongiose) é uma doença considerada hereditária autossômica dominante de penetrância imcompleta e expressão variada. Como? Calma, vamos lá, não é tão complicado assim. A doença é hereditária por ser herdada dos pais aos filhos. Autossômica quer dizer que os genes que carregam esse defeito não são aqueles que determinam o sexo da pessoa, sendo portanto uma doença que pode acometer tanto homens quanto mulheres. O termo “dominante” (contrário ao termo “recessivo” na genética) quer dizer que basta que a pessoa herde um gene defeituoso da otosclerose, do pai ou da mãe (sem precisar ser dos dois) para que ele possa desenvolver a doença. E por fim “de penetrância incompleta e expressão variada” nos diz que mesmo tendo alguém herdado esse gene defeituoso, ele não desenvolverá obrigatoriamente a doença, e nos que a desenvolvem, podem apresentar diferentes níveis de gravidade. Como se vê os termos da genética assustam mas no fim das contas fazem sentido e explicam bastante sobre a doença.
Assim, a doença se desenvolve em alguns pacientes portadores dessas mutações genéticas, causando uma falha na formação óssea da orelha média e interna, especialmente da janela oval, onde o menor dos 3 ossículos da audição, o estribo, se articula. Com o crescimento anormal de osso nesta região, o estribo vai se paralisando e sendo incapaz de entregar à cóclea a vibração sonora que chega até ele vinda do exterior. Classificamos essa surdez decorrente dessa dificuldade de conduzir o som à cóclea como condutiva, em oposição à surdez sensorial ou sensorioneural, oriunda do dano da própria cóclea ou do nervo auditivo.
O nome da doença em si já leva a uma confusão frequente, da qual foi vítima meu colega do primeiro parágrafo. O termo “esclerose” foi popularmente usado no passado em relação aos idosos com diferentes graus de confusão mental (naquela época não se falava em Alzheimer ou demência senil). Entretanto, a otosclerose aparece na maioria das vezes entre os 20 e 30 anos de idade (alô meu colega, não é doença de velho!), podendo acometer inclusive crianças. O paciente mais novo que operei foi uma menina de 9 anos. A otosclerose é um pouco mais frequente nas mulheres do que os homens. Em alguns poucos casos ela pode causar dano coclear e levar a surdez sensorioneural.
A maioria dos pacientes vem ao consultório na idade adulta, queixando-se de perda de audição progressiva, eventualmente acompanhada de zumbido e mais raramente de tonteira. O exame clínico e a aparência do tímpano ao exame otoscópico são quase sempre normais. Muitas vezes a história revela casos de surdez na família, embora esse dado possa estar ausente.
O exame mais importante e que normalmente define o diagnóstico é a audiometria tonal e a impedanciometria. São exames simples, rápidos, e bastante disponíveis. Neles podemos ver o padrão condutivo da perda auditiva e alguns outros parâmetros que sugerem o enrijecimento do mecanismo de transmissão sonora da orelha média (ossificação anormal ao redor do estribo). Raramente e em casos de acometimento auditivo também sensorioneural, da cóclea, podemos pedir também que se faça uma tomografia computadorizada para se afastar outras causas para a surdez ou ajudar a confirmar a otosclerose.
Diante desse quadro de prejuízo para o paciente causado pela otosclerose, partimos para o tratamento, seja com aparelhos auditivos (AASI) ou uma cirurgia (estapedotomia ou estapedectomia).
estapedo
Havendo indicação para a cirurgia com base no grau de perda auditiva e condições clínicas para que essa se realize, a estapedotomia (ou estapedectomia) é o tratamento de escolha. Trata-se de cirurgia realizada há mais de 50 anos (com alguma mudanças de técnica ao longo das décadas) e de grande índice de sucesso. Atualmente realizamos essa cirurgia em ambiente hospitalar, sob anestesia local ou geral, conforme o caso. Com auxílio de um microscópio cirúrgico ou videoendoscópio, verificamos e confirmamos a fixação do estribo pela otosclerose. Vale dizer que apenas nesse momento podemos ter certeza do diagnóstico. Em seguida, fazemos a remoção do estribo defeituoso e introduzimos no seu lugar uma pequenina prótese (+-4mm por 0,4mm) feita em teflon ou titânio, com o intuito de reestabelecer a passagem das vibrações sonoras ao líquido dentro da cóclea. No pós-operatório alguns pacientes podem apresentar vertigens passageiras nos primeiros dias. Exercícios físicos, viagens aéreas, mergulhos e qualquer outra variação de pressão devem ser evitados por um prazo variável conforme a orientação de cada cirurgião e a recuperação de cada paciente. A cirurgia tem um grande índice de sucesso mostrado em vários trabalhos ao longo de décadas, com melhora auditiva satisfatória na grande maioria dos casos. Entretanto, como em toda cirurgia, há riscos relacionados ao procedimento, incluído o risco de piora da audição. Esses risco devem ser bem discutidos com o cirurgião antes do dia da cirurgia.
Apesar do tratamento cirúrgico bem estabelecido e de bom resultado, muitos pacientes podem não ser operados. Surdez ainda pequena, coexistência de surdez sensorioneural, doenças sérias associadas ou simplesmente o medo da cirurgia e seus riscos potenciais levam um bom número de pacientes a optar pelo uso de aparelhos auditivos. Na otosclerose os AASI funcionam muito bem. Estando a cóclea quase sempre preservada, a adaptação e o ganho promovidos pelo AASI tendem a ser excelentes. Entretanto, sabemos que a doença é progressiva e com o passar do tempo o aumento da surdez pode fazer com que pacientes que usaram AASI por um período prefiram tentar um ganho maior através da estapectomia, que costuma ter um resultado mais duradouro.
Nos últimos anos, pacientes com graus avançados de otosclerose e que não apresentados resultados satisfatórios com os tratamentos acima descritos, têm podido se beneficiar das tecnologias implantáveis, como os implantes de orelha média, o BAHA e mesmo o implante coclear para casos selecionados.
Para os colegas cirurgiões e para as pessoas que se interessam em ver vídeos de cirurgia, há uma estapeddotomia endoscópica no nosso canal do Portal Otorrino do Youtube.’
  • CRM 5265192-3
     
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