RYBENINHA

RYBENINHA
SINAL: BEM -VINDOS

DÊ-ME TUA MÃO QUE TE DIREI QUEM ÉS



“Em minha silenciosa escuridão,
Mais claro que o ofuscante sol,
Está tudo que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
Tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.
Frementes de ansiedade ou trêmulas de fúria,
Verdadeira amizade ou mentira,
Tudo se revela ao toque de uma mão:
Quem é estranho,
Quem é amigo...
Tudo vejo em minha silenciosa escuridão.
Dê-me tua mão que te direi quem és."


Natacha (vide documentário Borboletas de Zagorski)


SINAL DE "Libras"

SINAL DE "Libras"
"VOCÊ PRECISA SER PARTICIPANTE DESTE MUNDO ONDE MÃOS FALAM E OLHOS ESCUTAM, ONDE O CORPO DÁ A NOTA E O RÍTMO. É UM MUNDO ESPECIAL PARA PESSOAS ESPECIAIS..."

LIBRAS

LIBRAS
" A Língua de Sinais é, nas mãos de seus mestres, uma linguagem das mais belas e expressivas, para a qual, no contato entre si é como um meio de alcançar de forma fácil e rápida a mente do surdo, nem a natureza nem a arte proporcionaram um substituto satisfatório." J. Schuyler Long

LIBRAS

LIBRAS
"Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, então o lugar é deficiente" - Thaís Frota

LIBRAS

LIBRAS
Aprender Libras é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender Libras é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz.... apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver.” Luiz Albérico B. Falcão

PEDAGOGIA SURDA

PEDAGOGIA SURDA
PROFESSOR BILÍNGUE

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS
“ A língua de sinais anula a deficiência e permite que os surdos constituam, então, uma comunidade lingüística minoritária diferente e não um desvio da normalidade”. Skliar

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Surdo e teimoso? Pare, por favor

Surdo e teimoso? Pare, por favor

A vida nos ensina muita coisa e encontra maneiras sagazes de nos fazer entender nossos erros. Lembro da minha adolescência e boa parte da vida adulta e penso no quanto tornei a vida dos que me rodeavam – e a minha própria vida – infinitamente mais difícil apenas porque, além de não aceitar minha deficiência auditiva, eu também me recusava a fazer qualquer coisa a respeito. Quando surgia algum ímpeto de coragem, comprava novos aparelhos auditivos, mas logo o ímpeto se transformava em desânimo e eles eram esquecidos dentro da caixinha. Acho que comecei a encarar a realidade só lá por 2009, ou seja, façam as contas e vejam quantos anos perdi por birra, teimosia, burrice e egoísmo. Acho que é por isso que sou tão chata e ríspida quando alguém me procura para dizer que sente vergonha de usar AASI. Pensando nos anos em que dificultei tudo para mim e para os que me rodeavam é que decidi escrever esse post.
teimoso
Que me desculpem aqueles que discordam mas é muito egoísmo consigo e com os outros não fazer nada a respeito da surdez quando algo pode ser feito. Explico. Se você pode usar aparelhos auditivos para ouvir as coisas (sair de uma surdez severa ou moderada e ir para uma surdez leve, por exemplo) e se recusa a fazer isso usando argumentos pobres e infantis como ‘Não quero’, ‘Não me adapto’, ‘Não gosto’, ‘Não estou a fim’, ‘Não enche meu saco’, ‘Não é como minha audição natural’, ‘Estou ótimo assim’, meu caro, você está extrapolando todos os limites do bom senso. Nem vou citar as pesquisas recentes que mostram o que acontece com o cérebro humano quando este precisa lidar com a nossa privação sensorial. Ser surdo não é motivo apenas para ‘conseguir um benefício‘, como dizem as dezenas de emails que recebo toda semana pedindo o caminho das índias para se ‘aposentar por invalidez ou se encostar no INSS‘. Ser surdo afeta a sua vida em TODOS os níveis e afeta a vida da sua família da mesma maneira.
A inspiração para pensar e escrever essas palavras veio da convivência intensa que venho tendo há 20 dias com a minha amada vó Tereca. Estou tentando convencê-la a fazer uma audiometria desde que ela me visitou no Rio de Janeiro em fevereiro, sem sucesso. Aqui, ficou mais claro do que nunca que ela precisa fazer já para descobrir qual grau de perda auditiva tem e então ver qual providência tomar – leia-se qual AASI comprar. Mas não! Não há o que faça a Tereca mudar de idéia. Rechaça todas as minhas tentativas. Diz que é uma bobagem, uma besteira, está ouvindo só o que quer e que eu a deixe em paz. E eu fico louca tentando arrastar a vó para uma fono porque me enxergo nela. É muito difícil ter alguém em casa que não escuta porque você para de poder contar com a pessoa. Ela não vai ouvir a campainha, não vai ouvir o interfone, não vai ouvir o telefone, não vai te ouvir chamando lá da cozinha. Vejam bem, eu estou falando especificamente das pessoas que podem usar a tecnologia para voltar ao mundo dos sons.
Tive esse comportamento horroroso durante muitos anos. Preferi sofrer em sala de aula, deixar de ouvir música, deixar de fazer intercâmbio, abandonar o inglês e várias outras coisas que me prejudicaram apenas porque eu não queria lidar com a minha deficiência auditiva que tinha solução! Nunca me prestei a ajudar em casa ouvindo um interfone, uma porta, um chamado, um telefone simplesmente porque, lá do topo do meu egoísmo e arrogância, eu pensava: “Eles que se virem, eles ouvem!“. Sabe aquele comportamento de PCD revoltado que quer se vingar do mundo? Pois é. De 2009 a 2013, quando já estava nas últimas com surdez bilateral profunda e progressiva e meus AASI já não eram capazes de me ajudar como eu precisava é que fui entender a dimensão da falta que eles fizeram antes disso na minha vida.
Se eu tivesse uma filha ou neta agindo como eu agia – ainda mais hoje com toda essa tecnologia maravilhosa disponível – eu não seria tolerante e compreensiva como minha mãe e avó foram comigo. Iria tocar o terror para que minha filha não se prejudicasse por imaturidade. Quando penso nisso lembro do esforço tremendo que ambas faziam para não machucar os meus sentimentos e para aceitar a minha arrogância do ‘não vou usar porque não quero‘. Nossasenhoradoaparelhoauditivo, não sei mesmo como elas me aguentaram.
Esse post parece agressivo? Pode ser, mas a realidade não é suave; a realidade além de ser agressiva também nos obriga a lidar com as consequências dos nossos atos. Virar as costas para os fatos óbvios e se trancar no quarto enquanto curte uma fossa não vai resolver nada. Buscar reabilitação auditiva vai te ajudar de modo imenso! Posso falar porque tenho experiência, né! Imaginem como me sinto sendo aquela que sempre ouviu super mal ou não ouvia nada e hoje, aos 33 anos, passou a ouvir muito bem, obrigada. É surreal!
Qual a minha intenção? Fazer com que cada pessoa que leia esse post, e que tem na família alguém que se recusa a lidar com a surdez, tenha a sabedoria necessária para pegar a mesma de jeito e dizer: “Vem cá, vamos conversar. O certo é enfrentar os problemas, não se esconder deles!” Gente, é tão simples. Quando estamos falando de alguém que pode colocar um AASI e ouvir mais e melhor, ganhar independência e ajudar a família e a si mesmo, cadê o mistério?
Os idosos são osso duro de roer pois são de uma geração que aprendeu que a surdez é ‘algo normal da idade‘. Só que não! Normal é ouvir, participar das conversas, zelar pela própria segurança, não ser passado para trás, ir ao cinema, viajar. Disse para a minha vó: ‘se você aceitar a perda auditiva sem fazer nada, sua audição vai embora e sua cabeça vai junto‘. Onde é que está escrito que os idosos devem se resignar com a perda auditiva? Na verdade acho assustador chegar à velhice sem ouvir pois é a época em que estaremos mais frágeis e sozinhos. Tenho grande admiração pelas pessoas de 80 e 90 anos que partem para o implante coclear porque querem ouvir, querem fazer parte do mundo e da vida como sempre fizeram. Se não tivéssemos recursos ainda vá lá, mas hoje a tecnologia ajuda a grande maioria dos casos de surdez.
Surdo e teimoso? Pare, por favor. Faça esse bem a si e aos que te amam.

http://cronicasdasurdez.com/surdo-e-teimoso-pare-por-favor/

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