RYBENINHA

RYBENINHA
SINAL: BEM -VINDOS

DÊ-ME TUA MÃO QUE TE DIREI QUEM ÉS



“Em minha silenciosa escuridão,
Mais claro que o ofuscante sol,
Está tudo que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
Tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.
Frementes de ansiedade ou trêmulas de fúria,
Verdadeira amizade ou mentira,
Tudo se revela ao toque de uma mão:
Quem é estranho,
Quem é amigo...
Tudo vejo em minha silenciosa escuridão.
Dê-me tua mão que te direi quem és."


Natacha (vide documentário Borboletas de Zagorski)


SINAL DE "Libras"

SINAL DE "Libras"
"VOCÊ PRECISA SER PARTICIPANTE DESTE MUNDO ONDE MÃOS FALAM E OLHOS ESCUTAM, ONDE O CORPO DÁ A NOTA E O RÍTMO. É UM MUNDO ESPECIAL PARA PESSOAS ESPECIAIS..."

LIBRAS

LIBRAS
" A Língua de Sinais é, nas mãos de seus mestres, uma linguagem das mais belas e expressivas, para a qual, no contato entre si é como um meio de alcançar de forma fácil e rápida a mente do surdo, nem a natureza nem a arte proporcionaram um substituto satisfatório." J. Schuyler Long

LIBRAS

LIBRAS
"Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, então o lugar é deficiente" - Thaís Frota

LIBRAS

LIBRAS
Aprender Libras é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender Libras é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz.... apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver.” Luiz Albérico B. Falcão

PEDAGOGIA SURDA

PEDAGOGIA SURDA
PROFESSOR BILÍNGUE

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS
“ A língua de sinais anula a deficiência e permite que os surdos constituam, então, uma comunidade lingüística minoritária diferente e não um desvio da normalidade”. Skliar

sábado, 5 de julho de 2014

Greve no Instituto de Surdos expõe crise entre professores e alunos

Docentes alegam não terem pleno domínio da língua de sinais para lecionar, e alunos reclamam de paralisação

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Por meio de cartazes, pais e alunos protestam contra a terceira greve em quatro anos no Ines Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
Por meio de cartazes, pais e alunos protestam contra a terceira greve em quatro anos no Ines - Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO — Rua das Laranjeiras 215. Em um cartaz fixado no lado esquerdo da entrada do Instituto Nacional de Surdos (Ines), professores e servidores em greve há mais de dois meses justificam a paralisação “em defesa da educação”. Do lado direito do portão, outro painel escrito por pais e alunos protesta contra o que seria o abuso do direito de greve, também “em defesa da educação”. Quem entra na instituição de 156 anos logo percebe que o silencioso conflito do lado de fora dá lugar a estudantes sem aulas e com poucas chances de escapar da situação, já que são raras escolas Brasil afora que oferecem instrução na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras).

Apesar da trajetória e dos investimentos crescentes, o Ines acumula carências. Os professores alegam ter abandonado as salas de aula por não saberem como ensinar. Não aprenderam Libras, não têm tradutores disponíveis, tampouco material didático. O salário também não corresponde às suas expectativas.

Pais e alunos preocupados com exames

Esta é a terceira greve em menos de quatro anos no Ines, fundado pelo imperador Pedro II em 1856 e reconhecido nacionalmente como ícone na educação de alunos com deficiência auditiva. A paralisação segue o movimento feito por servidores federais, que já atingiu universidades, hospitais e o Colégio Pedro II.
Não se sabe ao certo qual é a adesão do movimento grevista. Enquanto professores de braços cruzados falam em percentuais entre 70 e 80%, a direção do Ines diz que somente 60 dos 340 funcionários efetivos estariam parados.
Certos são mesmo os casos de alunos sem aulas. De olho em uma vaga em uma universidade federal para cursar Teatro, o estudante Miguel Oliveira de Carvalho, de 17 anos, confessa que não está conseguindo se preparar como gostaria para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que terá provas em novembro. Com ajuda de intérprete, Miguel disse ao GLOBO que está sem aulas de Português, Matemática, Literatura e História. O modo como gesticula com as mãos dá ênfase ao discurso:
— Entrei aqui criança, em 2001, e fico angustiado de não conseguir aprender as disciplinas direito. Daí eu fico me perguntando como vou conseguir sobreviver lá fora — desabafa.
Os irmãos Miguel Oliveira de Carvalho (mais alto) e Emanuel Oliveira de Carvalho estudam no Ines desde 2001 alegam se sentirem prejudicados com a greve - Márcia Foletto / Agência O Globo
A situação é agravada pelo fato de, geralmente, alunos surdos dominarem primeiro os códigos comunicativos da Libras para, só depois, imergirem na língua portuguesa. Sem aulas de Português, Miguel prevê que esta será sua maior dificuldade no vestibular:
— Nem posso imaginar como farei a parte de interpretação de texto da prova. Para mim, isso é o mais difícil — afirma.
Quem também entrou no Ines em 2001 foi Manoel Oliveira de Carvalho, de 14 anos, irmão mais novo de Miguel. Matriculado na 8ª série do ensino fundamental, Manoel alega que não conseguiu assimilar grande parte do conteúdo pedagógico por conta das sucessivas greves. Ambos os irmãos passaram por três paralisações no Ines.
— Com a quantidade de interrupções, não conseguimos desenvolver um raciocínio contínuo das disciplinas. Assim vai ficar muito mais difícil para fazermos provas lá fora e sairmos daqui — disse Manoel, que está sem aulas de Português, Literatura, Matemática, Geografia e História.
Em todo o Brasil, são quase 10 milhões de surdos e pessoas com deficiência auditiva. Do total, por volta de 800 mil têm até 17 anos, segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, deles, apenas um quarto está matriculado em escolas especiais como o Ines.
Com poucos colégios preparados adequadamente para receber os alunos surdos, além do receio de que o ensino regular possa não assegurar uma educação de qualidade a seus filhos, muitos pais se veem na berlinda. É o caso do taxista Antônio Soares de Carvalho, pai de Miguel e Manoel. No mês passado, ele entrou com uma ação contra a Associação dos Servidores do Ines (Assines) alegando abuso do direito de greve. Ele se diz preocupado com o futuro dos filhos.
— Aqui em casa não é igual a outros lares onde os pais podem ajudar os filhos nos estudos, ensinando História ou Matemática. Quando uma paralisação atinge alunos surdos, fica mais difícil transferi-los para outros colégios. São o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei de Diretrizes da Educação Básica (LDB) que me asseguram que lugar de criança é na escola. Então eu quero apenas exercer esse direito — reivindica.

Falta de preparo na língua de sinais

A paralisação feita pela Assines segue a greve nacional dos servidores federais, que dentre outros pontos pedem reajustes salariais. Professores e funcionários do Ines, no entanto, têm pauta própria de reivindicações que vai além do contracheque. A principal reclamação, segundo eles, é a falta de preparo para o ensino em Libras. Os docentes aprovados em concurso público para o instituto, com graduação, têm hoje apenas um mês de aula na língua dos sinais. A partir daí, todos já vão para as salas de aula. Esse tempo de preparo prévio é insuficiente, na visão dos grevistas.
— É a mesma coisa que não saber inglês e ter de dar aulas de História para alunos nativos na língua inglesa — diz o professor de História Adriano Carmelo Vitorino Zão. — Nesse curso intensivo que recebemos no Ines, aprendemos apenas o básico de Libras. Eu ainda não consigo explicar conceitos que utilizem palavras mais abstratas, como democracia — conta.
O Ines oferece intérpretes para que docentes na fase inicial possam lecionar com auxílio da tradução, mas o número de profissionais hoje no instituto seria insuficiente para atender a demanda. Atualmente, o Ines tem cerca de 220 professores que contam com a ajuda de mais de 50 intérpretes. Outra reclamação é quanto à falta de material pedagógico disponível na linguagem de sinais. Hoje, o colégio conta com bom acervo de livros didáticos, mas, de acordo com os grevistas, ainda faltam obras com instruções em Libras. Eles afirmam que a orientação da direção do instituto é que todos os professores produzam suas próprias apostilas. E, se muitos já alegam não ter domínio ainda na língua de sinais, escrever um livro adaptado para o idioma seria ainda mais complicado.
— O que pedimos aos pais é que eles entendam que nossas reivindicações visam principalmente a oferecer uma educação de qualidade aos seus filhos. Como podemos dar aulas e produzir material pedagógico sem bom domínio em Libras? — indaga a professora de Português Aline Dias.
Além de turmas de educação infantil, o Ines abriga cerca de 480 alunos dos ensino fundamental e médio e outros 200 que cursam Pedagogia em Libras, curso de graduação em nível superior. Dados do portal Transparência Brasil do governo federal mostram que, somente em 2013, o instituto recebeu R$ 85 milhões vindos de Brasília, número superior aos R$ 71 milhões de 2012. Nos sete primeiros meses deste ano, o Ines já recebeu outros R$ 30 milhões.

Diretora pede dedicação do corpo docente

A diretora do Ines, Solange Maria da Rocha, defende a política do instituto de colocar os professores nas salas de aula logo nos primeiros momentos. Segundo ela, isso faz parte da “imersão” do profissional no novo ambiente de língua diferente, princípio semelhante a um programa de intercâmbio no exterior. Solange ressalta ainda que o Ines oferece aulas extras de Libras por um período de dois anos e meio, mas poucos professores compareceriam:
— Não existe no mundo professores que fiquem dois anos e meio só estudando Libras para depois começar a dar aulas. Isso não existe. O mais importante para nós é que eles entrem logo em contato com os alunos, aprendendo as características da língua deles. E para quem tiver dificuldades, oferecemos intérpretes em número suficiente — defende.
Quanto à produção de material pedagógico, Solange confirma que faz parte do modus operandi do Ines que professores façam as próprias apostilas:
— Espero sinceramente que eles produzam. Somos um instituto de surdos de referência nacional e até mundial. Não podemos ficar dependentes de livros que vêm de São Paulo. Uma das funções dos professores aprovados em concurso público é justamente essa.

http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/greve-no-instituto-de-surdos-expoe-crise-entre-professores-alunos-13145466

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