RYBENINHA

RYBENINHA
SINAL: BEM -VINDOS

DÊ-ME TUA MÃO QUE TE DIREI QUEM ÉS



“Em minha silenciosa escuridão,
Mais claro que o ofuscante sol,
Está tudo que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
Tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.
Frementes de ansiedade ou trêmulas de fúria,
Verdadeira amizade ou mentira,
Tudo se revela ao toque de uma mão:
Quem é estranho,
Quem é amigo...
Tudo vejo em minha silenciosa escuridão.
Dê-me tua mão que te direi quem és."


Natacha (vide documentário Borboletas de Zagorski)


SINAL DE "Libras"

SINAL DE "Libras"
"VOCÊ PRECISA SER PARTICIPANTE DESTE MUNDO ONDE MÃOS FALAM E OLHOS ESCUTAM, ONDE O CORPO DÁ A NOTA E O RÍTMO. É UM MUNDO ESPECIAL PARA PESSOAS ESPECIAIS..."

LIBRAS

LIBRAS

LIBRAS

LIBRAS
"Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, então o lugar é deficiente" - Thaís Frota

LIBRAS

LIBRAS
Aprender Libras é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender Libras é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz.... apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver.” Luiz Albérico B. Falcão

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS
“ A língua de sinais anula a deficiência e permite que os sujeitos surdos constituam, então, uma comunidade linguística minoritária diferente e não um desvio da normalidade”. Skliar

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Oficina de libras em Joaíma 02/12/2011

Libras, ou Língua Brasileira de Sinais (LBS), é a língua materna dos surdos brasileiros e, como tal, poderá ser aprendida por qualquer pessoa interessada pela comunicação com essa comunidade.


A Unimontes  realizou  nesta sexta-feira, 02/12/2011, no CIARTE – JOAÍMA a oficina de “LIBRAS NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA” coordenada pela Professora de Libras (Montes Claros) Daniane  Pereira com a participação dos alunos  do curso de Pedagogia (Campus de Joaíma) e 30 inscritos da comunidade em geral com duração de 08 horas e entrega de certificados .


A oficina teve como objetivo proporcionar conhecimento da História, Cultura e Identidade Surda, Educação Bilíngue e aspectos gramaticais da Libras e sua aplicação na interpretação, bem como, desenvolver a linguagem corporal, expressiva das línguas de sinais.








Fonte:
http://ciartejoaima.blogspot.com/2011/12/unimontes-realizou-nesta-sexta-feira.html

ALFABETO MANUAL ILUSTRADO


























Dicionário de Libras On Line

http://www.acessobrasil.org.br/libras/

Click no link acima para acessar o Dicionário de Libras On Line.

Fonte Libras


http://www.icrvb.com/downloads/index.php?baixar=28

Click no link acima e baixe a fonte no seu computador.

Lição de vida - Professora surda

Como falam as mãos

Coral Surdo

Glee Imagine Legendado - Libras ( Língua Brasileira de Sinais)

Glee Imagine Legendado - LS (Língua Americana de Sinais)

Gládis Perlin - 1ª Doutora Surda do Brasil


De surdez sofremos todos, pois limitados são aqueles que, ao longo da vida, não aprendem a se conhecer nem a se escutar. No oposto desta realidade, os surdos aprendem não só a conviver com o seu mundo, num primeiro momento muito particular, como aprendem a driblar suas dificuldades, testando suas potencialidades. Delas, nasceu um universo comum de identidade, cultural, capaz de boas proezas, bons debates e também de bons representantes...
A vida do surdo. Quem é este sujeito? Ele pode ser alguém? Existem identidades surdas? O que se pode dizer de uma pessoa surda? Qual o caminho para este sujeito? O que há de novo? Há um agenciador entre os surdos, um ponto de convergência?
Foi para debater estas e outras questões que a Universidade Federal do Rio Grande concebeu, na ultima terça feira dia 06, a discussão, Surdos – A experiência diferente de ser, que contou com a presença da primeira surda a obter título de doutora em Educação no Brasil, Gládis Perlin. Com vasta experiência na área de Educação de Surdos, Gládis atualmente é professora adjunta e pesquisadora pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Ver a matéria completa clique: http://pt.calameo.com/read/000337975a8e6553125f1

Fonte:http://www.paulohenriquelibras.blogspot.com/2011/12/gladis-perlin-1-doutora-surda-do-brasil.html

ESCRITA DE SINAIS - SIGNWRITING


SignWriting (escrita gestual, ou escrita de sinais) é um sistema de escrita das línguas gestuais (no Brasil, línguas de sinais). SignWriting expressa os movimentos as forma das mãos, as marcas não-manuais e os pontos de articulação. Até agora, as únicas formas de registo das línguas gestuais eram em vídeo-cassetes, registo que continua a ser uma forma valiosa para a comunidade surda. Acrescenta-se, agora, a essa forma, a escrita das línguas, um sistema que mostra a forma das línguas de sinais.[1] Não segue a ordem usual de outros sistemas de escrita, nem a ordem da língua oral do país onde está inserida.

Foi desenvolvida em 1974 por Valerie Sutton, uma dançarina, que havia, dois anos antes, desenvolvido a DanceWriting. Foi, então, na Dinamarca registada a primeira página de uma longa história: a criação de um sistema de escrita de línguas gestuais. Conforme os registos feitos pela Valerie Sutton na homepage do SignWriting, em 1974, a Universidade de Copenhaga solicitou a Sutton que registasse os gestos gravados em vídeo. As primeiras formas foram inspiradas no sistema escrito de danças.

Embora não tenha sido o primeiro sistema de escrita para línguas gestuais, a SignWriting foi a primeira que conseguiu representar adequadamente as expressões faciais e as nuances de postura do gestuante, ou a incluir informações como, por exemplo, se a frase é longa ou curta. É o único sistema que é usado em base regular, por exemplo, para publicar informações universitárias em ASL, etc.

Em 1977, o Dr. Judy Shepard-Kegl organizou o primeiro workshop sobre SignWriting para a Sociedade de Lingüística de Nova Inglaterra, nos Estados Unidos. Nesse ano, o primeiro grupo de surdos adultos a aprender o sistema foi um grupo do Teatro Nacional de Surdos, em Connecticut. A primeira história escrita em SignWriting publicada foi: Goldilocks and the three bears. Em 1978, as primeiras aulas em vídeo foram editadas. Em 1979, Valerie Sutton trabalhou com uma equipa do Instituto Técnico Nacional para Surdos, em Rochester, prestando assistência na elaboração de uma série de panfletos, chamados The Techinical Signs Manual, que usaram ilustrações em SignWriting.

Na década de 1980, Sutton apresentou um trabalho, no Simpósio Nacional em Pesquisa e Ensino da Língua de Sinais, intitulado Uma Forma de Analisar a ASL e Qualquer Outra Língua Gestual Sem Passar Pela Tradução da Língua Falada. Depois disso, SignWriting começou desenvolver-se cada vez mais. De um sistema escrito à mão,passou a um sistema possível de ser escrito no computador.

Através do computador, a SignWriting começou a tornar-se muito mais popular nos Estados Unidos. O sistema evoluiu ao longo dos anos, não mais tendo a forma como foi criado, em 1974.

Em Portugal, faz parte do programa escolar da Escola Superior de Educação de Coimbra, do curso de LGP, vertente de formação.No Brasil, também o curso de Letras Libras, na Universidade Federal de Santa Catarina, existe esta disciplina.
Não há informação precisa de quantos países usam este sistema de escrita.
Antigamente, usuários da língua gestual não tinham como escrever na sua própria língua. Isto quer dizer que para escrever usam o português escrito, a sua segunda língua. Nesta língua encontram muitas dificuldades de expressão. A produção escrita dos surdos é quase inexistente, limita-se a comunicações básicas efectuadas com dificuldade. Na leitura, por norma, mesmo depois de muitos anos de escolaridade, a compreensão é limitada. Com a SignWriting, existe a possibilidade de os Surdos escreverem no seu próprio idioma, sem terem de usar uma língua oral.

"... o Sign Writing, que pode registrar qualquer língua de sinais sem passar pela tradução da língua falada. O fato do sistema representar unidades gestuais faz com que ele possa ser aplicado a qualquer língua de sinais do mundo. Para usar o SW, é preciso saber bem uma língua de sinais. Cada língua de sinais vai adaptá-lo a sua própria ortografia." (Stumpf, 2003).

Fonte:http://marciaserante.blogspot.com/2010/07/escrita-de-sinais-signwriting.html

Quem usa SignWriting?

Os pontos vermelhos no mapa indicam os países que utilizam o sistema de escrita de sinais, o Sign Writing. Os demais ainda estão em processo educacional ou ainda não têm conhecimento sobre o mesmo. Segue também, a lista de países e seus próprios sinais. Lembrando que, os sinais de países que utilizamos aqui no Brasil são diferentes dos deles, como são chamados de dialetos regionais e étnicos.



Fonte:http://escritadesinais.wordpress.com/2010/08/17/quem%C2%A0usa%C2%A0signwriting/

Escrita dos Surdos



Dra. Marianne Rossi Stumpf
Professora de Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Coordenadora da Equipe de Design Instrucional
do Curso de Letras/Libras.
Diretora de Políticas Educacionais de FENEIS.
marianne@ead.ufsc.br



A partir da promulgação da lei de Libras e com maior definição da regulamentação da mesma, o Ministério da Educação propõe políticas públicas para implementação de condutas coerentes com o espírito da Lei, a serem desenvolvidas pelos executores das ações educativas tanto nos espaços públicos como privados.
O reconhecimento oficial da Libras no sistema educativo coloca a necessidade de desenvolver um marco formal para o ensino dessa língua: programa, pedagogia, avaliação. Coloca também um não menos importante debate em torno de propostas para ensinar aos surdos o português como segunda língua, em sua forma escrita. Como instrumento simbólico, a escrita de sinais pode ser o suporte fundamental que está faltando aos surdos para tornar sua educação um processo racional e efetivo.
O objeto deste artigo é discutir a escrita da língua de sinais com base em minha tese de doutorado sobre a aquisição da escrita de língua de sinais por crianças surdas. Minha pesquisa de campo permitiu-me documentar diferentes experiências que me forneceram dados para análise, foram elas:


1) Experiência de ensino de ELS para crianças surdas numa escola brasileira introduzindo o sistema de escrita para línguas de sinais SignWriting e usando software de apoio.
2) Experiência de ensino de ELS para crianças e jovens surdos em três escolas na França, integradas ao projeto LS-Script que está se desenrolando naquele país com o objetivo de dotar as escolas, que adotaram o ensino bilíngüe, já há vinte anos, de um sistema de escrita para a Língua de Sinais Francesa – LSF.

Anterior ao início do projeto, lingüistas francesas entrevistaram 31 surdos adultos perguntando o que eles pensavam sobre uma escrita da língua de sinais (ELS). Configuraram dois grupos de surdos, um a favor da ELS e outro contra a ELS. Eles explicaram porque são a favor ou contra.

Argumentos a favor:
ELS aumenta o status social da língua de sinais quando mostra que temos uma escrita própria do surdo.
A ELS possibilita reconhecer a língua de sinais
ELS pode ajudar na hora de filmar e depois gravar os sinais
ELS pode ser colocada no papel, pode-se ler e escrever os sinais
ELS pode mostrar vários signos dialetos, por exemplo, um sinal de Toulouse que é diferente em Paris e enriquece a língua saber os diferentes signos
Escrita da língua oral para o surdo é pobre e a ELS é uma escrita que pode mostrar a fluência da LS.
ELS é mais fácil de usar do que fita de vídeo porque elas são muito volumosas e demandam equipamento.


Argumentos contra:
No ambiente social não tem ELS, na rua e etc.
É usada só no mundo pequeno dos surdos
Hoje há novas tecnologias de comunicação e não precisa mais da escrita da LS.
É muito trabalho para aprender
É muito importante para os surdos saber bem o francês.
Pensam que a ELS não é igual ao que o surdo sinaliza e existe limite para escrever os sinais.
As trocas simbólicas se constituem no elemento imprescindível para o desenvolvimento da representação por permitirem ao sujeito a interação afetiva com o meio. Não é a falta da língua em si que produz atraso cognitivo no surdo mas à limitação em realizar trocas simbólicas com seu meio, provocado pela falta de um instrumento simbólico e de um ambiente adequado capaz de solicitá-lo e de exercitar sua capacidade representativa.

A limitação na aquisição da língua oral, mesmo na sua representação escrita constitui uma barreira a todas as aprendizagens escolares, fato exaustivamente relatado pelos professores de surdos.
Não é diferente a interpretação de Piaget (1970) que na obra O Nascimento da Inteligência na Criança, pela análise de várias condutas representativas, sugere a existência de elementos comuns entre elas e denomina esse mecanismo função semiótica, que é comum a todas elas. A interação entre as diversas condutas representativas como desenho, escrita e língua oral evidencia-se nas transformações que ocorrem, ao mesmo tempo, em cada uma dessas representações e isso acontece porque todas são processos do mesmo sujeito.

Esse sujeito piagetiano que constrói o conhecimento por meio de suas interações com o objeto e ao mesmo tempo constrói-se como sujeito numa interdependência contínua entre a experiência e a razão. Pode-se aprofundar mais essa relação entre os processos de apropriação da ELS com o processo de aquisição da escrita da língua oral das crianças surdas.
As experiências nas escolas realizadas para aquisição do SignWriting, que realizei, parecem guardar relação com as grandes etapas da alfabetização em língua oral das crianças ouvintes, propostas por Ferreiro que se fundamenta na teoria de Piaget. Acrescenta, a meu juízo, dois componentes fundamentais ao processo de alfabetização que, habitualmente não se evidenciam, quando a alfabetização em língua oral é desenvolvida com as crianças surdas:

1 – O aspecto afetivo: a criança surda quando se depara com a aprendizagem do SignWriting sente-se gratificada, sente-se feliz. O reconhecimento de que sua língua de sinais também é importante, também pode ser escrita, a relação que se estabelece entre os colegas para cooperar e trocar conhecimentos, as produções animadas, o poder contar em casa que são possuidores de um conhecimento reconhecido pela escola, são fatores entre outros, de apropriação de um sentimento de auto-estima, do qual elas muitas vezes carecem e de empenho em aprender.
2 – O aspecto de evolução na aprendizagem: a rapidez com que elas conseguem adquirir o sistema, começam a ampliar seu sinalário e a construir mensagens faz com que se sintam estimuladas a avançar. As dificuldades que encontram são dificuldades possíveis de serem superadas, ao contrário das encontradas na escrita da língua oral, que ensinada aos surdos, com os mesmos métodos que aos ouvintes, não respeita o raciocínio nem a lógica da criança surda.

Resultado da observação da participação dos alunos nas aulas de escrita de língua de sinais pelo sistema SignWriting

O processo de alfabetização em SignWriting e a evolução para o letramento, na minha percepção, mostrou-se funcional nas situações de aprendizagem ocorridas durante as interações realizadas com as crianças da Escola de Ensino Fundamental Frei Pacífico, aqui no Brasil e também nas experiências de que participei na França. Apareceram diferenças individuais, no ritmo da aprendizagem, na memorização dos conteúdos, no interesse por aprender, mas nenhum aluno deixou de participar por não conseguir, ou de ir avançando em suas aquisições.

Se há alguma dificuldade de representação no sistema, a ser estudada, não apareceu nas atividades com as crianças. Há que considerar que as interações em língua de sinais das crianças da Escola de Ensino Fundamental Frei Pacífico ficaram em um nível de pouca complexidade, considerando que usam a Libras há muito pouco tempo e as aulas da língua acontecem só uma vez por semana. Como é natural, o conhecimento elementar da Língua condiciona também as atividades da escrita.

Em Toulouse, tivemos aproximadamente menos horas aula com cada turma, mesmo assim conseguiram obter uma boa compreensão do sistema. Os maiores poderão continuar a aquisição do SignWriting sozinhos, se desejarem.
Foi também proveitosa e interessante uma experiência realizada com os familiares das crianças na Escola de Ensino Fundamental Frei Pacífico. Os pais passaram a valorizar mais a Libras e a reforçar as aprendizagens da língua e a comunicação em sinais com seus filhos. A proposta de minhas intervenções previstas no Projeto LS-Script foi a de sensibilizar os diversos grupos da escola primária (educação infantil) para a possibilidade de uma ELS e de iniciar a aquisição do sistema até onde fosse possível. Aos professores seria ministrado um curso para aprender o sistema e depois poderem dar continuidade ao processo, junto aos alunos.
Aconteceu que o apelo da inovação, que constitui essa aprendizagem mobilizou outros grupos para o contato com o SignWriting, como foi o caso dos alunos do Colégio Malraux (ensino fundamental), da associação para uma educação bilíngüe de Poitiers, do grupo da associação de surdos de Toulouse .
A aprendizagem da ELS pelo sistema SignWriting evidenciou que não é muito diferente da aprendizagem da escrita das línguas orais e uma etapa de sensibilização à sua escrita, idealmente, deveria se equiparar com a das crianças ouvintes que, antes de começarem sua alfabetização, já tiveram inúmeros contatos com a escrita da língua oral em todo seu entorno.
A turma de CM1 corresponde a qual segunda série no Brasil gostava muito das aulas de SignWriting e mostrou mais interesse do que as turmas de alunos mais novos. O tempo reduzido prejudica as interações com crianças, quanto mais jovens as turmas, mais necessidade de tornar as aprendizagens uma brincadeira.
A ação interessada se manifestou principalmente na manipulação dos jogos e materiais, corrigir colegas que estão escrevendo no quadro, chamar o professor para perguntar, trazer e caprichar no caderno.
Os jogos didáticos surgiram como recursos importantes para a aprendizagem da leitura e da escrita, desenvolvem também as atitudes de comportamento, convivência, organização e participação. As crianças gostaram muito de jogar.
Quando do término do curso de formação, para as professoras, elas manifestaram a intenção de organizar o currículo para poder trabalhar o SignWriting com os alunos. Elas passaram a acreditar que os alunos vão aprender melhor o francês se entenderem como é a estrutura da língua de sinais e souberem como a escrever.

Ilustro com alguns fragmentos da pesquisa de campo essas considerações:

As aulas seguintes com os pais começaram com as tentativas de lerem o texto em SignWriting e perguntarem suas dúvidas. Depois, aprenderam a escrever os sinais escritos construindo frases. Tivemos aproximadamente vinte horas aula e eles conseguiram obter uma boa compreensão do sistema. Podem continuar sozinhos se desejarem. A possibilidade de acesso e interação com os pais e colegas, assegura resultados significativos de aprendizagem, também para as crianças, pois cria um ambiente envolvido com o mesmo interesse. Fizeram alguns trabalhos em grupo, ou individuais, para construir o dicionário, poesia e historinhas.

Querem mais jogos, avisei que vamos deixar para outro dia.

Escrevi só a primeira posição de símbolo de configuração da mão e eles continuaram escrevendo as posições de símbolos das configurações das mãos até completar todas. Percebi que eles estão adquirindo as posições de símbolos, pois escreveram rápidos. O grupo quatro é mais fácil do que grupo três, pois são de sinais mais usados.

Depois escreveram os sinais de seus nomes, mostravam com o alfabeto manual e SignWriting no quadro-negro. Alguns olhavam o cartaz com o alfabeto manual e a correspondência em SignWriting. A professora surda ficou admirada de como eles aprenderam com rapidez.

Fui à sala de aula da professora surda onde estão as crianças, elas me olharam e ficaram felizes porque voltei a trabalhar com elas e perguntaram por que estava demorando a voltar.

Comecei a trabalhar pergunta e resposta escrevendo uma frase em SignWriting da LSF no quadro “qual cor gosta?”. Eles lêem juntos, não conhecem o sinal escrito de gostar então mostrei para eles o sinal de gostar, logo associaram ao sinal escrito e repetiram a leitura da frase que entenderam completamente.

Sentamos a mesa e eles abriram os cadernos para construirmos os sinais escritos de cada um. Uma aluna opina que é fácil, outro aluno diz que pode ser fácil ou difícil, depende do sinal escrito. Pedi que tentassem primeiro nos cadernos para depois irmos ao quadro e finalmente cada um colocaria o seu sinal escrito em uma folha branca para pendurar. Trabalhamos assim até que todos colocaram a folha com seu nome pendurada no armário. Foi muito alegre porque faziam brincadeiras uns com os outros sobre como escrever seus nomes.

Distribuí a história do cavalo, que não está completa. Nós lemos juntos os sinais e eles queriam escrever a historia completa. A menina estava cansada, e escreveu um final bem simples. O outro aluno que estava animado com a história do cavalo escreveu o final da história muito bem, perguntando como escrever alguns símbolos de movimentos.

FIGURA 1: O ALUNO ESCREVEU A HISTÓRIA DO CAVALO.

Uma aluna fez uma pasta para colocar histórias em SignWriting da LSF, para estudar, ela me mostrou a pasta, feliz.

Gostam muito de ler textos em SignWriting e de ler quando escrevo no quadro. Querem continuar a ler textos.

Sobre se a escrita do SignWriting da LSF ajuda a desenvolver a LSF, responderam que sim, amplia os conhecimentos das configurações das mãos. Quando vêem um símbolo passam a refletir sobre qual o sinal que corresponde ao símbolo prestam atenção nos diferentes símbolos. Elas aprenderam a língua francesa e as regras de estrutura, logo que começaram aprender a ELS perceberam que não sabiam que a LSF também tem regras de estrutura. Também perceberam que a escrita ajuda muito a identificar o espaço certo onde sinalizar que antes não percebiam.

Experimentos realizados nas aulas de informática com o sistema de escrita de língua de sinais SignWriting e o uso de softwares educacionais

A informática, por meio de softwares educativos específicos, pode dar às crianças surdas em sua aprendizagem do sistema SignWriting uma ajuda importante além de fornecer motivação para uma desenvolver uma cultura da informática e tornar acessível ferramentas disponíveis em SignWriting. As ferramentas para produção escrita construída com as novas tecnologias que usam os softwares educacionais de SignWriting vão aumentar muito nossas possibilidades de comunicação pois que colocam a cultura própria do surdo como foco de atenção.
O SW-Edit pode ser descrito como uma interface projetada para pessoas surdas visando à edição de textos por meio do sistema de ELS denominado SignWriting. Possui outras funcionalidades como:
- Inclusão de textos escritos em português
- Inserção de figuras e imagens
- Base de dados expansível
- Possibilidade de fazer traduções
- Dicionário de sinais
Neste sentido, o SW-Edit foi concebido para auxiliar o usuário surdo na criação de textos em língua de sinais, baseado no sistema de representação de sinais SignWriting. O sistema consiste de um editor, chamado SW-Edit, para criação dos textos propriamente ditos, e da ferramenta AlfaEdit, que auxilia na atualização dos conjuntos de símbolos utilizados no editor. Ambos foram desenvolvidos especialmente para os surdos, com interfaces que exploram a capacidade de interpretação visual dos surdos, através da utilização de figuras onde normalmente seriam utilizados textos.
A escrita precisa ser uma atividade significativa para a criança isso acontece quando as crianças podem escrever baseadas em sua compreensão da língua de sinais, não necessitando da intermediação da língua oral. Observamos também, que no ambiente de uma classe de surdos, onde o professor e os colegas se comunicam em língua de sinais, elas efetivamente tentam escrever os sinais quando estimuladas a isso.
O SignWriting é para a criança surda “visualmente fonético” ou uma escrita visual em perfeito acordo com as suas potencialidades. De modo semelhante à criança ouvinte, a criança surda adquire a escrita de sua língua de sinais e isso significa dotá-la de uma ferramenta indispensável para qualificar seu grau de participação na cultura e na sociedade. A população surda, hoje é marginalizada, pois em sua quase totalidade, funcionalmente analfabeta, em uma sociedade cada vez mais dependente da palavra escrita.
O sistema de representação SignWriting apenas começa a ser usado pela população surda e seu uso precisa ser acompanhado por pesquisas de lingüistas, que possam observar e procurar soluções cada vez mais econômicas para sua utilização e também, por estudiosos de pedagogia e informática, pois sua vocação é ser uma ferramenta acessível ao surdo em sua relação com o computador, que terá também o poder de instrumentalizar sua interação com os ouvintes, pela possibilidade da tradução eletrônica para a língua oral.
O uso do recurso computador traz a possibilidade às pessoas surdas de uma alternativa de comunicação e incorpora novas tecnologias ao processo de aprendizagem das crianças. A utilização de um editor de textos como o SignWriter ou o SW-Edit nas aulas para introdução às TI traz a essas aulas maior interesse do que quando usamos o editor de textos em português. Também as produções das crianças são mais sofisticadas. Essas ferramentas, no entanto, têm limitações que podem ser ultrapassadas, pois a evolução da informática possibilita esse salto de qualidade.
Levantamos a hipótese de que se todo o ambiente escolar (e possivelmente familiar) estiver cheio de textos em língua de sinais, as crianças aprendem a escrever sua língua assim como o fazem as crianças ouvintes com sua língua oral. Essa hipótese se evidenciou pela observação de que muitos signos e frases em SignWriting que as crianças escreveram não foram sugeridos pela pesquisadora.
Quanto a funcionalidade do sistema SignWriting os símbolos de movimentos são naturalmente complexos porque precisam registrar as inúmeras mudanças que acontecem com as diversas partes do corpo durante a emissão de um sinal e constituem a maior dificuldade de aprendizagem para os iniciantes. Alguns sinais escritos precisam do uso de muitos símbolos, para representar um sinal, que é produzido em apenas um instante pelo sinalizador.
São desafios para os quais precisamos pesquisar soluções práticas que demandam estudos aprofundados, por uma equipe multidisciplinar, que poderá encontrar formas mais simples e eficientes de representar esses casos pontuais. Carecem de propostas específicas principalmente as representações de sinais que se propõe a escrever sinais escritos com a grande iconicidade e tem nas múltiplas sinalizações simultâneas, em um mesmo espaço, sua característica.
São pesquisas que precisam ser realizadas por cada língua de sinais que possui suas determinações singularidades e diferenças quanto ao uso da iconicidade. Para os americanos, isso não parece ser problema, já que sua língua descartou grande parte da iconicidade de seu sinalário. Para os lingüistas franceses, se apresenta como um obstáculo maior face a iconicidade muito presente na LSF. É necessário observar, nesse sentido, que novas tecnologias como, por exemplo, o telefone celular para comunicação entre usuários das línguas de sinais poderão impor constrangimentos à sinalização. No caso, o espaço sendo pequeno, os sinais precisam ser emitidos respeitando esse espaço, isso irá diminuir a grande iconicidade, e terá também outras possíveis conseqüências, podendo por exemplo, chegar ao extremo de ser necessário emitir o sinal com uma única mão enquanto a outra segura o celular.
Até que ponto a máquina se adapta ao homem ou o homem se adapta à máquina é uma questão que também no caso das línguas de sinais se torna atual. A questão da grande iconicidade, no entanto, não se apresentou como limitadora das práticas escolares que realizamos, mesmo nas escolas francesas, sendo que, especialmente no Colégio André Malraux, onde as crianças são maiores, a LSF é praticada em um nível de bastante sofisticação, pois elas recebem aulas de LSF desde que iniciam sua escolaridade, na mesma freqüência das aulas de francês escrito, usando de recursos muito elaborados.
As novas tecnologias associadas ao computador trazem vantagens para os surdos, pois são de caráter predominantemente visual e a ELS pelo sistema SignWriting abre um campo de pesquisa e atuação que os coloca em um patamar mais elevado de construção de interações dentro da própria comunidade surda e com a comunidade ouvinte.
As novas tecnologias estão revolucionando rapidamente todos os processos comunicativos. Para os surdos urbanos escolarizados elas têm significado maior independência e participação em todos os campos da atividade humana. Essa participação, no entanto, está limitada à sua baixa taxa de escolarização e compreensão da leitura e escrita.
Acrescento, que acredito que as tecnologias de informática vão utilizar e fazer evoluir o sistema SignWriting, tornando mais fácil ler e escrever para os surdos e, no futuro próximo, poderá haver tradução para as línguas orais, esse tipo de programa já está em processo de construção.
Outro desafio é o de como a escola de surdos vai garantir ao aluno surdo o seu processo de alfabetização na ELS o que nos remete à construção de propostas curriculares que sejam realmente bilíngües. Essa construção é possível. Necessita, no entanto, de articular os campos de saber em torno da escrita de língua de sinais pelo sistema SignWriting, e das pesquisas na informática para possibilitar com esse novos conhecimentos ressignificar as posturas práticas e teóricas adotadas na educação dos surdos.
Como ator da comunidade surda preocupa o contexto social fortemente desigual que sofrem os surdos particularmente para o acesso a informática, a formação e a cultura principais fatores de cidadania e integração no seio da sociedade.
Questões relativas aos suportes pedagógicos, à tomada de notas, à memorização, à avaliação, trazem para o primeiro plano a problemática de uma forma escrita para as línguas de sinais.
A Feneis18 foi, no Brasil, quem primeiro lançou o projeto de um ensino formal da Libras, criando seus cursos com o suporte dos livros organizados por uma equipe coordenada pela lingüista Dra. Tanya Amara Felipe: Libras em contexto, ela, uma voluntária da Feneis, encontrou dentro do MEC o apoio esclarecido da educadora Marlene Gotti. Se as interações em língua de sinais, suportadas pela forma manuscrita e pelas ferramentas computacionais de SignWriting, podem contribuir para a compreensão dos conteúdos escolares, para a elevação da auto-estima das crianças e também para a evolução e padronização da língua é o interrogante, que hoje como diretora da políticas educacionais da Feneis, e na ocasião do início da pesquisa, militante da mesma Federação, me coloquei como objeto da pesquisa.
Como as crianças e jovens surdos se apropriam dessa escrita? Os relatos aqui apresentados permitem vislumbrar essa possibilidade, em uma prática escolar, da qual minha observação mais consistente foi a de que ela é bem-vinda pelos estudantes surdos.
As crianças surdas, usuárias das LS, podem evoluir da aquisição para o letramento pelo uso do sistema SignWriting? As experimentações foram limitadas, não permitem afirmar, mas também nada indicou a inviabilidade dessa suposição. A espontaneidade que muitas vezes manifestaram em sua escrita é um dado significativo.
Podem as crianças surdas adquirir a ELS da mesma forma que as crianças ouvintes adquirem a escrita das línguas orais? Aqui as indagações são as mais numerosas e as indicações a trabalhos futuros são inúmeras: modalidades de apropriação; ritmo; dificuldades; ordem de aprendizagem dos símbolos; tempo dessas aprendizagens; dissociar reconhecimento da capacidade de utilização; competências prévias a aquisição; locações dos símbolos; escrita horizontal ou vertical; escolha entre várias formas de escrever os signos; invenção de signos; como as crianças lêem sinalizando, ou não; quais as maiores dificuldades – de que natureza e outras.
Quanto às relações entre o português escrito e o SignWriting, uma abordagem científica implicaria a comparação de dois grupos: um adquirindo só o português escrito, outro, os dois sistemas. Aqui também, pesquisas bem focadas poderão apontar resultados e encontrar outras formas de avaliar essas relações de grande importância para nossa educação.
A implementação de ferramentas de informática para atender as necessidades das pessoas surdas coloca em primeiro lugar um indispensável agrupamento de competências. A grande especificidade desses estudos confronta essas pesquisas com a necessidade de participação de pesquisadores das ciências humanas e pesquisadores em informática junto a membros da comunidade surda conhecedores de sua língua e de sua cultura.
No caso das pesquisas aplicadas ao uso do SignWriting, utentes da Libras e usuários potenciais desse formalismo gráfico, devem estar presentes ao longo da realização dos programas: primeiro na avaliação das necessidades e práticas das crianças surdas, depois nas fases de realização observando nas aulas as modalidades de apropriação do SignWriting e logo, em grupos de trabalho com os adultos surdos, principalmente professores, com quem serão discutidas as propostas observando a experimentação das ferramentas educativas elaboradas pelos pesquisadores de informática na educação e lingüística.
O concurso de locutores surdos experimentados na LS será indispensável nas pesquisas de representação do espaço-tempo e das mímicas faciais.
Embora o sistema SignWriting, tenha sido criado há mais de 30 anos, apenas começa a ser aplicado à educação dos surdos nas escolas, e isso acontece em alguns países identificados com os princípios da moderna neurolingüística que preconiza a absoluta necessidade de a educação dos surdos ser desenvolvida em sua própria língua.
Ficam interrogações à comunidade de pesquisadores preocupados com a educação dos surdos das áreas da educação, da informática e da lingüística a responder inúmeras questões, inclusive à de se a compreensão do processo de aquisição da ELS poderá ajudar a construir metodologias mais adequadas para o surdo aprender a língua portuguesa em sua forma escrita.

Bibliografia:
BOUTORA, Leila. Étude des systèmes d´écriture des langues vocales et des langues signées. Paris: Mémoire de D.E.A. des Sciences du Langage – Université Paris VIII, 2003.
FERREIRO, Emilia e Ana Teberosky. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes
Médicas Sul, 1999.
PIAGET, Jean. O Nascimento da inteligência na criança. Editora Zahar, Rio de Janeiro,
1970.
STUMPF, Marianne Rossi. Aprendizagem de Escrita de Língua de Sinais pelo sistema
SignWriting: Línguas de Sinais no papel e no computador. – Porto Alegre: UFRGS,
CINTED, PGIE, 2005.

Escolas Bilingues para Surdos



Garota de 29 anos escutando a própria voz pela primeira vez

PODE UMA PESSOA CEGA E SURDA APRENDER?




Helen Adams Keller
Foi uma escritora, conferencista e ativista social Nascida no Alabama, foi dos maiores exemplos de que as deficiências físicas não são obstáculos para se obter sucesso. Helen Keller foi um extraordinária mulher, triplamente deficiente, que ficou cega e surda, desde tenra idade, devido a uma doença diagnosticada na época como febre cerebral (hoje acredita-se que tenha sido escarlatina). Superou todos os obstáculos, tornando-se uma das mais notáveis personalidades do nosso século. Ela sentia as ondulações dos pássaros através dos cascos e galhos das árvores de algum parque onde ela passeava.
Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiências.
Anne Sullivan foi sua professora, companheira e protetora.


(Tuscumbia, 27 de junho de 1880 — Westport, 1 de junho de 1968)

Fonte:http://usandoasmaos.blogspot.com/

Um minuto de silêncio

O silêncio não é mudo

Você precisa ser surdo para entender



Você precisa ser surdo para entender
Autor: Willard J. Madse

Como é “ouvir” uma mão?
Você precisa é ser uma pequena criança
Na escola, numa sala sem som
Com um professor que fala,
fala e fala e, então
quando ele vem perto de você
Ele espera que você saiba o que ele disse?
Você precisa ser surdo para entender!
Ou o professor que pensa que para torná-lo inteligente
Você deve, primeiro, aprender
Como falar com sua voz
Assim
Colocando as mãos no seu rosto
Por horas e horas
Sem paciência ou fim
Até sair algo indistinto
Assemelhado ao som?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é ser curioso
Na ânsia por conhecimento próprio
Com um desejo interno que está em chamas
e você pede a um irmão, irmã e amigo
Que respondendo lhe diz:
“Não importa”?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é estar de castigo num canto
Embora não tenha feito
realmente nada de errado
A não ser tentar fazer uso das mãos
para comunicar a um colega silencioso
um pensamento que vem, de repente, a sua mente?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é ter alguém a gritar
pensando que irá ajudá-lo a ouvir
ou não entender as palavras
de um amigo que está tentando
tornar a piada mais clara
e você não pega o fio da meada
Porque ele falhou?




Você precisa ser surdo para entender!
Como é quando riem na sua face
quando você tenta repetir o que foi dito
somente para estar seguro que você entendeu
E você descobre que as
palavras foram mal entendidas.
E você quer gritar alto:
Por favor, me ajude, amigo!
Você precisa ser surdo para entender!
Como é ter que depender de alguém
que pode ouvir
para telefonar a um amigo ou marcar
Um encontro de negócios
E ser forçado a repetir o que é pessoal
E, então, descobrir que seu
recado não foi bem transmitido?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é ser surdo e sozinho
em companhia dos que podem ouvir
e você somente tenta adivinhar
Pois não há ninguém lá com uma mão ajudadora
enquanto você tenta acompanhar
as palavras e a música?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é estar na estrada da vida
encontrar com um estranho que abre a sua boca
E fala alto uma frase a passos rápidos
E você não pode entendê-lo e olhar seu rosto
Porque é difícil
E você não o acompanha?
Você precisa ser surdo para entender!
Como é compreender alguns dados ligeiros
que descrevam a cena e fazem você sorrir
E sentir-se sereno
com a “palavra falada” de mão em movimento
que torna você parte deste mundo tão amplo.
Sim, você precisa ser surdo para entender!

Direitos e Deveres | Intérprete




Sendo assim os ILS devem se apresentar, por meio das redes sociais, ou outras maneiras, dizer, por exemplo, como/onde aprendeu a Libras, em qual organização (empresa/entidade) trabalha, há quantos anos está atuante. Alguns intérpretes já são conhecidos, mas outros ainda não.

Ainda não tem logotipo para Intérpretes de LIBRAS

Outro fato relevante é que o ILS tenha uma agenda aberta, para que o surdo possa fazer sua solicitação, informando o local ao qual o intérprete irá acompanha-lo.

O intérprete pode atender aos surdos em todos os momentos e locais em que seja necessário. Podendo tratar-se de um atendimento na saúde, em um evento ou em outros locais, pois os surdos têm encontrado um grande empecilho com relação à comunicação.

Apresento-lhes um casamento, em que o casal é surdo e o padre também, logo o profissional faz a interpretação-voz (interpreta da Libras para o português), na verdade são dois intérpretes atuando e na igreja estão uns 400 convidados, entre familiares e amigos, assista ao vídeo no YouTube
( http://www.youtube.com/watch?v=yHPDO6KnIJk )

A maior parte das vezes o padre é ouvinte, e precisa de um intérprete para se comunicar com o casal surdo.

Outro exemplo foi à colação de grau, da turma de 2006 do curso de Licenciatura em Letras-Libras, da UFSC, no pólo USP, e lá tiveram acesso aos discursos e toda a programação por meio de um intérprete de Libras.

Poucos cidadãos comuns conhecem este profissional, mesmo em locais públicos, o desconhecimento é tanto que acaba trazendo um problema para os surdos, que têm ainda menos acessibilidade nesses locais. Até mesmo instituições de ensino devem se adequar à necessidade do estudante surdo, que tem o direito a um intérprete durante o curso.

Os surdos enfrentam muitas dificuldades para conseguir um profissional intérprete que os acompanhe em locais públicos.


Aconteceu um caso, em que duas surdas foram à uma clínica médica, e o médico não permitiu a presença deste profissional.




Existe outro caso de um estudante surdo, que não gostou dos serviços prestados pelo intérprete, em determinado curso/disciplina, e procurou a direção da instituição, que negou a troca por outro intérprete.

Reafirmo assim, que o surdo, enquanto cliente, tem o direito de conhecer o profissional que irá prestar serviços para ele, e caso não avalie bem os serviços deste profissional deve ser atendido e o profissional ser substituído por outro, dentro das limitações de cada local.

Existem eventos, por exemplo, em que os surdos vão participar e ao chegar lá encontram intérpretes dos quais não gostam do trabalho.

Uma verdade é que as instituições, entidades, comissões organizadores de eventos e outros, devem pedir indicações de intérpretes aos surdos, pois os surdos que são os interessados.



Os surdos querem entender o que está sendo dito, e conhecem profissionais e entidades idôneas, que poderá indicar para a contratação. Eles precisam saber com detalhes quem é o profissional contratado para atendê-los. Isso é justificado, pois são diversos tipos de surdos, e cada qual com sua identidade e forma de comunicar-se, e existem intérpretes que não admitem ter que se adequar ao seu cliente, buscando trabalhar da maneira que sempre fez, de acordo com o seu desejo, ignorando uma solicitação daquele cliente específico, com uma identidade específica e com uma forma de comunicação específica.

Os surdos devem ter seu direito de ser atendido por um profissional ILS em todos os locais que necessitar estar.



E então, como encontrar um profissional para acompanhar ao surdo?

Joel Barbosa responde indicando o sitio:

Contatos para intérpretes especializados: http://tilsunicamp.blogspot.com

Para localizar o intérprete mais próximo ao local que você precisa, acesse ao sitio de Mapeamento de ILS em todo o Brasil: http://maps.google.com.br/maps/ms?ie=UTF8&hl=pt-BR&msa=0&msid=107149423476212367591.00047c959693c463514c6&source=embed&ll=-22.600056,-47.875274&spn=44.419463,47.900391

Visite também a associação de intérpretes do estado de São Paulo:
http://www.apilsbesp.org/quemsomos.asp

Ou fala por email:
betinhafigueira@terra.com.br

Será ótimo conhecer todos os intérpretes do nosso Brasil




Texto: Celso Badin
Revisão: Joel Barbosa


FONTE:
http://www.portalid.com.br/
http://libraseducandosurdos.blogspot.com/2011/06/direitos-e-deveres-interprete.html

A profissão de intérprete de Libras cresce no Brasil




No Brasil, cada vez mais os surdos estão terminando cursos superiores e se profissionalizando. Com isso, participam mais ativamente no mercado de trabalho e também na sociedade. Só que uma função importante nesse progresso não acompanhou no mesmo rítmo. É a profissão de intérprete de Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Pouco mais de três mil passaram no teste do Ministério da Educação para uma população de mais de um milhão de surdos. No quadro Oportunidades, você vai ver que essa profissão cresce por causa das demandas atuais.


Fonte:
REPÓRTER BRASIL ONLINE
http://www.paulohenriquelibras.blogspot.com/2011/12/profissao-de-interprete-de-ls-cresce-no.html

Mariane Stumpf

Mariane Stumpf
IDENTIFICAÇÃO:

Nome: Marianne Rossi Stumpf


Cidade: Florianópolis
Estado: Santa Catarina
País: Brasil
Formação: Doutora de Informática na Educação
Profissão: Professora Adjunta
Local de Trabalho: Universidade Federal de Santa Catariana – UFSC
Locais de Estudo: Universidade Federal de Rio Grande do Sul
Contatos: Coordenação do Curso de Letras Libras da UFSC


Nasceu surda? Pode contar um pouco como foi sua infância, adolescência e juventude?

Fiquei surda mais ou menos aos 9 meses de idade. Tinha febre sem diagnóstico certo, tomei muito antibiótico e perdi audição. Minha infância sempre feliz, aproveitei muitas oportunidades e alguns momentos foram difíceis. Faltava boa comunicação na família. Era difícil encontrar boa escola, difícil a aprendizagem do português e faltavam informações sobre área de surdez. Frequentei muitas aulas de “fono” (Fonoaudiologia), brincava com os surdos e inventávamos os gestos para comunicar. Na época a Libras não tinha importância, não era como hoje, que temos a valorização da Libras.

Em quais escolas e universidades estudou?

Troquei muitas escolas, pois segui o meu pai que trabalhou em vários países. Algumas escolas de surdos e outras não. Adorava aprender outras línguas e culturas do país. Tive muitos colegas surdos nas escolas. A escola que freqüentei mais tempo foi a última, onde me formei no ensino médio. Chamava-se Escola Especial Concórdia em Porto Alegre. Entrei na Universidade Luterana do Brasil, que estava ligada a Escola e conhecia um pouco sobre surdos. Conclui o Curso de Informática e trabalhava como bolsista com professor Rocha, que explorava o sistema SignWriting na Faculdade Católica (PUC) de Porto Alegre. Continuei pesquisando a escrita de sinais no meu doutorado, que foi feito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Desde quando usa a Língua Brasileira de Sinais (Libras)?


Desde criança, usava os gestos com os meus irmãos em casa e assim falava com a minha família. Um pouco antes dos dez anos, tive contato com a língua de sinais na Escola Helen Keller em Caxias do Sul, onde havia adultos surdos. Depois da entrada na Escola Concórdia, vivia atrás dos adultos surdos, que comunicavam com sinais lindos. Comecei a participar do esporte, dos cultos, dançava no grupo de folclore (dança gaúcha) com os surdos. Cada dia aprendo novos sinais, até hoje, no Curso de Letras Libras.

Como se comunica com familiares, amigos e o público em geral?

Depende da pessoa com quem me comunico, se ela entende como é a pessoa surda e se sabe sinalizar. Geralmente nos lugares onde não sinalizam escrevo um bilhete, às vezes, uso fala com frases curtas, fazendo um pedido bem simples. Com a família, principalmente com a minha mãe, a comunicação é cordial vêm do umbigo, pois ela foi professora de surdos. Também, com os irmãos comunico bem. Com meu pai, às vezes, temos má comunicação.

O que a Libras significa para você?

É grande minha felicidade, que temos Libras no Brasil. É a língua natural dos surdos, a língua materna, que pode comunicar como qualquer outra língua. Significa muito, é crucial ter Libras para construir, imaginar, refletir, planejar, aprender… Acesso pleno a uma língua.

Pode contar um pouco sobre o seu trabalho? Quais são seus novos projetos?

Hoje, ministro a disciplina de escrita de sinais para licenciatura e bacharelado e oriento os alunos mestrandos. Coordeno o Curso de Letras Libras a distancia na UFSC. Aproveito a oportunidade e felicito as turmas de 2006, que estão formados este ano. Daqui para frente os formados serão responsáveis pela evolução na Educação de Surdos. E, em meus novos projetos, estou trabalhando junto aos professores da Universidade Gallaudet de Washington, com os Profs. Gaurav Mithur e Gene Mirus. E estamos implantando o Curso online de língua de sinais internacional. Porque acreditamos que a língua de sinais internacional é uma língua exótica, que pode possibilitar a comunicação com os surdos estrangeiros, como já é usada nos Congressos da Federação Mundial de Surdos e outros eventos internacionais. Buscamos quais as estruturas da língua de sinais internacional e ainda temos pouca pesquisa no mundo sobre ela, que surgiu como um pidgin entre surdos de países diferentes e foi se firmando.

O que você faz para se divertir ou se distrair?

Gosto de viajar, e me atraem as novas culturas e as línguas dos diferentes países. Aqui, saio com os amigos surdos. Fazemos programas como fazem os ouvintes: jantares, cinemas, praia etc…

Quais são seus planos para o futuro?

Gostaria de fazer um pós- doutorado, mas ainda não sei quando. Estou me preparando para ir à África do Sul, ao Congresso da Federação Mundial de Surdos. É um novo desafio. Lá, junto à outra especialista, vou ser coordenadora da mesa sobre educação. Já selecionamos os trabalhos que vão ser apresentados. Eram muitos e tive pena de não podermos apreciar todos.

Você é uma pessoa feliz? Por quê?

Fico feliz quando vejo que a Libras está crescendo no Brasil, as pesquisas aumentaram, as pessoas estão querendo aprender e muitas acreditam nela. Na vida pessoal faço as coisas que gosto e fico feliz.


MARIANNE E A SIGNWRITING:


Vamos, então ao capítulo do SignWriting no Brasil. No ano de 1996, a PUC do RS em Porto Alegre através do Dr. Antonio Carlos da Rocha Costa descobriu o SignWriting enquanto sistema escrito de sinais usado através do computador. A partir disso, SignWriting começou a tomar forma no Brasil. O Dr. Rocha formou um grupo de trabalho envolvendo especialmente a Prof. Marianne Stumpf e a Prof. Marcia Borba. Marianne é surda, professora na área de computação na Escola Especial Concórdia. Atualmente, ela está trabalhando com o SignWriting em algumas turmas. A Escola Especial Concórdia tem apoiado o desenvolvimento do SignWriting, pois tem considerado ser uma forma de escrever a língua de sinais. Marcia tem se envolvido com a parte de pesquisa relacionada à computação. Tive oportunidade de contatar Leonardo Mahler, um de seus alunos, que está desenvolvendo um softer juntamente com um grupo para acessar o dicionário do SignWriting. Temos certeza que do Departamento de Informática da PUC do RS teremos bons frutos do desenvolvimento desse sistema escrito no Brasil. O Dr. Rocha continua apoiando esse processo com muita dedicação.
O projeto de alfabetização está se constituindo a partir de contato estabelecido com Valerie Sutton durante minha estada nos Estados Unidos. Enquanto pesquisava a estrutura da língua brasileira de sinais - LIBRAS - e estudava as teorias que serviriam de base para minha tese, mantive contato intenso com Valerie Sutton discutindo sobre as formas de expressar a escrita e possibilidades de ter seu apoio no desenvolvimento do projeto para o Brasil. Valerie sempre foi bastante prestativa e eficiente. Ela gentilmente aceitou dar o suporte que necessitamos. Atualmente, estamos trabalhando na produção de estórias e na composição do dicionário bilíngüe, ou seja, sinal na LIBRAS e palavra em português. Esse é um trabalho interminável, pois quantidade é muito importante, além da qualidade, é claro. Tenho certeza que aos poucos teremos mais e mais escritores para colaborar neste processo e esperamos contar com suporte financeiro no Brasil para obtermos recursos para produção da estórias. Essa etapa é muito importante, pois a escrita se torna viva quando ela realmente existe. Quando os autores dessa escrita começam a produzir textos e a ler outros textos, essa escrita se torna algo significativo e passa a desempenhar um papel no processo de aquisição da escrita.
No Brasil, temos boas perspectivas de dar continuidade a esse processo, uma vez que algumas escolas começam a se interessar e buscar conhecer tal sistema. A Escola Especial Concórdia de Porto Alegre e a Escola Hellen Keller de Caxias do Sul/RS já começaram a aprender como escrever a LIBRAS. Esse é um passo que tende a ser trilhado por muitas outras escolas. Instituto Nacional de Educação de Surdos no Rio de Janeiro e algumas escolas em São Paulo começam a se interessar por SignWriting. A Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos demosntra curiosidade. Esse é o processo!!
Tenho mantido contato com a Dr. Eulália Fernandez da UERJ e com a Dr. Regina Maria de Souza da UNICAMP sobre educação de surdos, comunidade surda e alfabetização. Nestes contatos, temos conversado sobre a possibilidade de implementação do projeto de alfabetização com o SignWriting e temos algumas luzes dispontando no caminho.
O Projeto de Alfabetização é uma porta para a aquisição da escrita da LIBRAS que servirá de suporte para um processo de aquisição do português escrito.

Fontes: http://editora-arara-azul.com.br/novoeaa/revista/?p=544
http://www.signwriting.org/library/history/hist010.html
http://paulohenriquelibras.blogspot.com/2011/07/grandes-nomes-grandes-contribuicoes-02.html