RYBENINHA

RYBENINHA
SINAL: BEM -VINDOS

DÊ-ME TUA MÃO QUE TE DIREI QUEM ÉS



“Em minha silenciosa escuridão,
Mais claro que o ofuscante sol,
Está tudo que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
Tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.
Frementes de ansiedade ou trêmulas de fúria,
Verdadeira amizade ou mentira,
Tudo se revela ao toque de uma mão:
Quem é estranho,
Quem é amigo...
Tudo vejo em minha silenciosa escuridão.
Dê-me tua mão que te direi quem és."


Natacha (vide documentário Borboletas de Zagorski)


SINAL DE "Libras"

SINAL DE "Libras"
"VOCÊ PRECISA SER PARTICIPANTE DESTE MUNDO ONDE MÃOS FALAM E OLHOS ESCUTAM, ONDE O CORPO DÁ A NOTA E O RÍTMO. É UM MUNDO ESPECIAL PARA PESSOAS ESPECIAIS..."

LIBRAS

LIBRAS

LIBRAS

LIBRAS
"Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, então o lugar é deficiente" - Thaís Frota

LIBRAS

LIBRAS
Aprender Libras é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender Libras é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz.... apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver.” Luiz Albérico B. Falcão

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS
“ A língua de sinais anula a deficiência e permite que os sujeitos surdos constituam, então, uma comunidade linguística minoritária diferente e não um desvio da normalidade”. Skliar

segunda-feira, 25 de março de 2013

sábado, 23 de março de 2013

Instituição oferece filmes com tradução em Libras e audiodescrição para serem assistidos em casa


Instituição oferece filmes com tradução em Libras e audiodescrição para serem assistidos em casa


Por Sandra Balbino / Fotos Divulgação/Arpef




Mesmo quem não vê ou não ouve pode assistir a um bom filme, comendo pipoca e tomando um refrigerante geladinho em casa. Isso é acessibilidade à cultura nacional por meio de mais uma iniciativa da Associação de Reabilitação e Pesquisa Fonoaudiológica (ARPEF), no Rio de Janeiro. O projeto, patrocinado pela Petrobras, agora se chama “Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito – Versão Videoteca” e agrega também pessoas com deficiência visual. Nas duas edições anteriores, o programa beneficiava somente os surdos.
Essa nova versão foi idealizada pela fonoaudióloga Helena Dale, em parceria com o Centro de Produção de Legendas (CPL), onde são produzidas as legendas ocultas dos filmes da mostra Cinema Nacional Legendado do Centro Cultural Banco do Brasil e da programação da Rede Globo de Televisão.
Helena explica que as mudanças ocorreram por conta da demanda das pessoas com deficiência auditiva de outros Estados. “Começamos a pensar na Versão Videoteca como uma forma de levar cultura a esse público, e a quem, por um motivo ou outro, ou mesmo por comodidade, prefere assistir aos filmes em casa, com amigos ou família”.
Na primeira edição da Versão Videoteca, em 2006, foram apresentados 60 filmes nacionais legendados encaminhados a 100 instituições de surdos em todo o Brasil. Na versão atual, já foram distribuídos 30 filmes em associações e escolas para surdos e outros 30 para associações e escolas para deficientes visuais. Entre os títulos distribuídos estão: “Chico Xavier’, “Lula, o Filho do Brasil”, “Se Eu Fosse Você”, “Tropa de Elite”, “Saneamento Básico”, “Zuzu Angel”, “Era uma vez”, “Os Normais 2”, “Divã”, “Linha de Passe”, “Ó Paí, Ó”, “A Mulher Invisível”, entre outros. O objetivo é levar entretenimento para locais e onde a mostra “Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito” não chega.


Como obter os filmes
As associações que recebem o material da Videoteca podem até mesmo alugar (a preço simbólico) os vídeos. Entretanto – e isso Helena deixa bem claro – não podem comercializar os filmes sob forma alguma, somente alugar ou emprestar. “Fizemos isso como maneira de auxiliar essas instituições, que quase não contam com recursos para se manterem. É um modo de estimular as filiações às associações representativas”, diz a mentora.
Para fazer parte do projeto e receber os filmes existem dois pré-requisitos: a associação, escola ou ONG deve estar filiada à Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS) ou à Organização Nacional de Cegos do Brasil. A outra regra é que as produções só podem ser exibidas domesticamente. Entre cegos e surdos, a iniciativa contabiliza mais de 500 mil beneficiados até agora.
A fonoaudióloga enumera os benefícios de projetos culturais como este: “Em relação aos surdos, a contribuição é notória. A possibilidade de ver esses filmes alia o prazer aos ganhos no domínio da língua escrita, já que eles aprimoram a leitura a partir dos múltiplos imputs que a legenda em um filme determina. E quanto aos cegos, o relato mais constante refere-se à satisfação de assistir a um filme de forma independente, e compreendendo efetivamente a obra”.


Serviço

Associação de Reabilitação e Pesquisa Fonoaudiológica (ARPEF)
Rua 19 de Fevereiro, 163
Botafogo – Rio de Janeiro – RJ
E-mail: arpef@arpef.org.br
(21) 2542-6994

Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS)
Rua Santa Sofia, 139– Tijuca
Rio de Janeiro – RJ
E-mail: feneisrj@feneis.org.br
(21) 2567-4880
Organização Nacional dos Cegos do Brasil (ONCB)
Site: http://www.oncb.org.br
Pessoas com deficiência, mas não insensíveis
Somente um surdo ou cego pode realmente descrever a sensação de ver e entender um filme, sem ouvi-lo ou vê-lo. “A sensação do ‘eu também posso’ é quase que impossível de relatar. Além disso, as produções me ajudam a melhorar o português”, declara Fernanda de Araújo, 31 anos, atriz e professora de Libras. A surda explicou ainda que alguns recursos como o Closed Caption a auxiliam muito durante a apresentação. “Assim eu posso alterar o posicionamento da legenda para saber quem está falando e entender os ruídos que são transcritos, como por exemplo, o latido de um cachorro ou o rangido de uma porta”, conta. O ator e cineasta Nelson Pimenta, 47 anos, vai pelo mesmo caminho. Surdo e não oralizado, ele afirma que a legenda o ajudou muito. “A primeira vez foi difícil, mas aos poucos, comecei a ler as legendas. Hoje peguei prática”, revela. O estudante de Letras e Libras, Gabriel Finamori, 22 anos, confessa que quando não tem Closed Caption, seu maior problema é com os filmes de terror. Ele conta que tem dificuldades, nesses casos, por não haver qualquer tipo de legenda que indique o que está acontecendo. Mas nem tudo são flores e elogios. O pedagogo Ulrich Palhares, 23 anos, faz críticas ao sistema de legendas. “O visual das legendas precisa de mais qualidade. Ainda há muito a ser melhorado”. A atriz e professora de Libras, Rosana Grassi, 31 anos, concorda. “A legenda é importante para o surdo, mas deve ser aprimorada”. Críticas e elogios à parte todos são unânimes em louvar a iniciativa. E quando o assunto é filme preferido parece combinado mas não foi: o número um é “Chico Xavier”.
Cego, mas vê Para o advogado Luiz Cláudio Rodrigues, presidente da Associação dos Deficientes Visuais do Estado do Rio de Janeiro (Adverj), a parceria com o CPL está trazendo bons frutos. Isso porque, segundo ele, pessoas com deficiência visual e com baixa visão têm mais facilidade de compreensão e entendimento do que está no vídeo ou na tela. “Podemos considerar como um ganho significativo em relação à acessibilidade”, avalia.

 http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/63/artigo211488-1.asp

A luta pelo direito da pessoa com deficiência auditiva em encontrar livros em LIBRAS


A luta pelo direito da pessoa com deficiência auditiva em encontrar livros em LIBRAS


Por Renata Soares
Fotos shutterstock e divulgação / Biblioteca Pública Anísio Teixeira




Espaço da biblioteca para pessoas com deficiência auditiva
Ana Carolina Praxedes aprendeu a se comunicar com a Língua Brasileira de Sinais desde bem pequena, já que, ainda bebê, ficou surda. Formada em Pedagogia com especialização em Materiais Pedagógicos, ela é autora de jogos educativos elaborados em Libras, uma espécie de suporte aos alunos que estão começando a aprender o português. Segundo a especialista, essa é uma ferramenta essencial para reconhecer o significado das palavras e deve ser inserida de maneira paralela ao aprendizado da Língua Portuguesa. Ana, mais que ninguém, sabe da importância do acesso à informação dessa linguagem, já que, além de atuar profissionalmente na área, tem a experiência pessoal como fonte de motivação. "Tive que superar a dificuldade de outras tantas pessoas com deficiência, que encaram o problema da falta de livros e pouca variedade deles durante o processo de alfabetização", conta a especialista.
O Ministério da Educação e Cultura (MEC) exige que todas as escolas se adequem à diversidade linguística de seus estudantes, criando formas igualitárias de acesso ao material escolar, didático e de pesquisa. "Para pessoas com surdez, isso significa ter disponível o livro traduzido em Libras e materializado em software específico que comporte um vídeo na língua dos sinais", esclarece Neiva Albres, fonoaudióloga e pedagoga. A profissional adianta que o MEC tem trabalhado na produção desse material, e que as enuobras selecionadas e adquiridas para o plano de 2011 deverão ser entregues em breve. "Esses livros devem integrar também o Acervo Digital Acessível, um espaço virtual que estará disponível no portal do Ministério. Estamos vivendo um momento de mudança, em que ações são desenvolvidas para minimizar a desigualdade social", afirma. Se na teoria tudo é perfeito, na prática o cenário é outro. Neiva chama a atenção para um dado preocupante: a dificuldade das pessoas com deficiência auditiva em ter acesso à cultura se deve ao fato de poucas editoras estarem preocupadas com a causa.
De grão em grão
"O acesso aos livros em sua línguamãe (no caso do surdo, a Libras) é uma forma de trabalhar com o conhecimento de mundo, por meio de situações reais e contextualizadas, com sequência de fatos e acontecimentos", enumera a pedagoga Débora Rodrigues Moura, mestre em Línguística Aplicada pela PUC-SP. A pedagoga reforça que a leitura de uma obra regular mesmo para o surdo que tem o domínio do português é uma atividade realizada em um idioma diferente. É preciso que as bibliotecas com um bom acervo nessa linguagem tenham exemplares de assuntos diversos, de história contemporânea a materiais didáticos. "A criança deve ter acesso a vários tipos de textos e gêneros discursivos. É uma maneira de utilizar a leitura e a escrita com diferentes propósitos e práticas sociais. Com a criança surda não é diferente. Essa diversidade é igualmente necessária", alerta Débora. O conceito é compartilhado pela Biblioteca Pública Anísio Teixeira, em Salvador (BA), que embora conte com um acervo pequeno de livros na língua dos sinais, mantém um setor de atendimento especial para pessoas com deficiência auditiva. "Estamos começando. De um total de 14 mil obras, nosso acervo em Libras conta com 40 títulos, alguns periódicos, DVDs com histórias, documentários e contos infantis", explica a diretora Laura Galvão.

"Ter uma biblioteca com livros em Libras é garantir que qualquer pessoa tenha acesso à cultura em sua primeira língua"
defende Débora Moura, mestre em Línguística Aplicada pela PUC-SP

A frequência dos usuários que procuram o acervo especial é quase 20% da procura geral da biblioteca. A biblioteca, que deu início às atividades do Setor de Atendimento à Criança e ao Adolescente Surdo (SACAS) há apenas dois anos, ainda encontra dificuldades para prosseguir. Segundo Laura, a demanda cresce e nem todas as solicitações podem ser atendidas. "Apesar do suporte que recebemos da Fundação Pedro Calmon, precisamos de mais títulos, CDs e DVDs para esse público. Doações são mais do que importantes, já que o papel da biblioteca pública é socializar e dar ao leitor espaço organizado onde possa buscar e trocar informações gratuitamente", explica a diretora.




" Facilitar a acessibilidade, no que tange os direitos das pessoas com deficiência, é também uma forma de somar o lazer ao estudo, assim, elas se sentem incluídas e valorizadas",
avalia Laura Galvão, diretora da Biblioteca Pública Anísio Teixeira, em Salvador (BA)

Opinião dos educadores
De acordo com Roger Prestes, professor de Libras e educador de surdos há nove anos, a importância envolve a quantidade de informação que uma pessoa com deficiência auditiva, de acordo com o número de livros que encontra em sua língua. "Considero muito importante iniciativas como estas das prefeituras. Um acervo de livros e dicionários em Libras facilita a procura por informação", comenta. Surdo também, Prestes leciona atualmente na Escola Municipal de Ensino Fundamental Especial para Surdos, da Secretaria de Educação de Canoas, no Rio Grande do Sul. De acordo com o professor, toda biblioteca deveria ter obras de referência como "A Imagem dos Outros sobre Cultura Surda", de Karin Strobel, e "Estudos Surdos", de Gladis Perlin. "Sei como é difícil encontrar material apropriado nas livrarias e bibliotecas e quero ajudar meus alunos de alguma forma, nem que seja cobrando das autoridades, editoras e autores que olhem para esse público carente de cultura", diz.

Serviço
Atividades educativas em Libras Site: http://www.atividadeseducativas.com.br
Biblioteca do INES Instituto Nacional de Educação de Surdos Site: http://www.ines.gov.br
Biblioteca Pública Anísio Teixeira Tel.: (71) 3117-6339
Dicionário de Libras Acesso Brasil, com vídeos ilustrativos Site: http://www.acessobrasil.org.br/libras
Dicionário de Libras Associação do Jovem Aprendiz Site: http://www.libras.org.br
Dicionário de Libras Online Site: http://www.dicionariolibras.com.br
Legislação referente a Língua Brasileira de Sinais Site: http://www.libras.org.br/leilibras
Livro: "LIBRAS - Imagem do Pensamento" - Site: http://www.escala.com.br
Vídeo: "Aprendo com a leitura", do Instituto Santa Teresinha Site: http://www.youtube.com
Como pedagoga, Ana Carolina avalia como é importante a difusão da língua dos sinais em livros, apostilas e jogos educativos que ajudem os surdos a conhecerem sua linguagem própria. "Mas, como pessoa com deficiência auditiva, gosto das obras em português e historinhas filmadas em Libras", diverte-se.
Nem só de livros vive uma biblioteca
O livro não é a única forma da Biblioteca Pública Anísio Teixeira incentivar o acesso à língua dos sinais. Periodicamente, são realizadas diversas oficinas, cursos de teatro e de música para pessoas com deficiência auditiva. Há ainda atividades abertas ao público em geral, educadores e, até mesmo, funcionários da instituição, para qualificar e ensinar Libras. São oficinas de teatro e de português, como segunda língua, para incentivar a leitura por meio de suportes e mecanismos de acessibilidade. Observação do serviço: para emprestar um livro em Libras da biblioteca é preciso morar em Salvador, preencher um cadastro com dados pessoais, levar duas fotos, o documento de identidade e um comprovante de residência, além do endereço de e-mail e ter telefone para contato.
 http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/63/artigo211463-2.asp

Depois de libras, a língua portuguesa


Depois de libras, a língua portuguesa


Esse aprendizado ajuda na comunicação dos surdos com a sociedade


Por Eduardo Lucizano Fotos Shutterstock



 
Quem procura uma profissão ou busca o sucesso na carreira, sabe que é essencial o aprendizado de uma segunda língua. Para as pessoas com deficiência auditiva essa atitude significa a busca pela melhora do convívio social. "Aprender é fundamental, pois apesar de ter a Libras como primeira língua, o surdo necessita aprender o português na modalidade escrita como segunda língua, para se comunicar e ter acesso ao conhecimento e à cultura local", explica Mônica Gargalaka, pedagoga, especialista em educação de surdos e uma das responsáveis pelos projetos do segmento na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.
O contato com a língua portuguesa, na maioria das vezes, é tardio, porque normalmente os pais são ouvintes. A criança surda tem inicialmente o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais (Libras), totalmente diferente da língua utilizada pela sociedade ouvinte, o que atrapalha a comunicação em geral. Assim, é necessário criar meios para ensinar o português às pessoas com deficiência auditiva, pois trata-se da língua oficial, embora seja uma segunda língua para eles, o que exige um processo formal de aprendizagem. Mas primeiro, é preciso estudar um plano de ensino e qualificar os professores, para que estes sejam capazes de atender os alunos.
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo criou o Programa Inclui, que tem como objetivo reestruturar as escolas especiais da rede municipal e fazê-las escolas bilíngues. Lá, as crianças aprenderiam Libras e língua portuguesa. "A Secretaria tem oferecido a todos os envolvidos na educação destes alunos, cursos de formação e aprofundamento em Libras e ensino de português como segunda língua. Este é um dos principais objetivos: a formação dos nossos professores", fala Mônica.
Para Nelma Carvalho, pedagoga especializada em Educação Especial e professora bilíngue Libras/ Português, a maior dificuldade no ensino é a repetição de palavras que não têm significado para os surdos. "A grande reclamação deles é ficarem repetindo palavras que não têm sentido para eles. Penso que quando se entendem os conceitos das palavras e expressões, o aprendizado se torna mais eficaz", ressalta a especialista.
Outro empecilho encontrado é a maneira como se aplica o ensino. "Até pouco tempo, ensinávamos enfatizando o código da língua, com o objetivo de os alunos dominarem a morfologia e a sintaxe da língua. Percebemos que as dificuldades de leitura e escrita da língua portuguesa são consequências da falta de métodos e procedimentos de ensino adequados. Nos últimos anos, a concepção de língua começou a mudar. Em vez de código, a língua tem sido concebida como atividade discursiva.
E a metodologia se adapta a esta nova concepção", explica Mônica. Quando o aluno já possui conhecimento da Libras, a tarefa de aprender o português é mais simples, afinal, já existe um canal de comunicação aberto.
Há também o questionamento sobre a influência de uma linguagem em outra e ambas as especialistas concordam que não há dificuldades, nem confusão. "Surdos são pessoas inteligentes e assim como qualquer um que está dia nte de alguém que fala outro idioma, se esforçam para se comunicarem de forma clara. Já em sua comunidade, usam libras", comenta Nelma.
A aprendizagem
O método normalmente utilizado explora o mundo visual dos surdos e todo o procedimento gira em torno deste que é o principal meio de comunicação. Em geral, o ensino é em grupo, visto que se inclui aí o fator social e a interação. "Toda a metodologia é bem visual, pois o canal mais importante para o surdo é a visão. É na leitura que as crianças farão suas hipóteses sobre o funcionamento da língua portuguesa. As hipóteses elaboradas visualmente serão testadas à medida que as crianças surdas tenham acesso às atividades que envolvam a escrita", conta Mônica.
Caso o aluno tenha o conhecimento em Libras, a situação é ainda mais favorável. O trabalho é lento, porém mais fácil, já que durante as aulas, sempre existe o paralelo com a língua de sinais. O professor trabalha com temas e por meio dessa estratégia, formula textos com histórias dos alunos, ensinando conceitos, leitura, escrita, entre outros. É claro que o método seria mais eficaz se existisse um material apropriado e voltado exclusivamente para os surdos, ou, quem sabe, até com equipamentos especificamente visuais.
Atualmente, os alunos surdos usam o mesmo material dos alunos do ensino regular, como cadernos de apoio adaptados. De acordo com a Secretaria de Educação, um material voltado especificamente para as pessoas com deficiência auditiva está sendo produzido e deve ser lançado este ano. Enquanto isso, os professores trabalham com o que têm nas mãos e comemoram evoluções. Ainda bem!
A prova de que aprender português é essencial vem das palavras de Renan Santos Souza, de 16 anos: "Hoje tenho mais segurança ao conversar com ouvintes que não sabem Libras. Comemoro minha autonomia ao ler textos e mandar mensagens via internet, celular e cartas", fala.
Ele comenta que ainda aprende português atualmente e que o mais difícil é entender palavras de significado mais complexo. "Tenho ainda dificuldades de gramática, porque a estrutura gramatical de Libras é muito diferente, mas sigo exercitando e sou perseverante", finaliza.
"O papel da Libras na instrução do português escrito é primordial, porque possibilita o conhecimento de mundo e de língua, com base nos quais os alunos surdos poderão atribuir sentido ao que leem e escrevem", explica Mônica Gargalaka, pedagoga e especialista em educação de surdos

Serviço
Secretaria Municipal de Educação de São Paulo
www.portalsme.prefeitura.sp.gov.br 


 http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/64/artigo215266-1.asp

O bê-á-bá do português sinalizado



O bê-á-bá do português sinalizado

É papel do professor dar condições para que os alunos surdos assimilem o conteúdo da disciplina

Por Sibele Oliveira


Uma das grandes dificuldades enfrentadas por brasileiros que vivem em um mundo de parcial ou total silêncio é incorporar conhecimentos fornecidos por um sistema de ensino feito para ouvintes.
É um desafio que cresceu e apareceu à medida que muitos pais e os próprios alunos têm preferido as salas de aula mistas às especiais para surdos, movimento estimulado pela preconização à educação inclusiva.
Essa escolha reforça a importância de se ter educadores capacitados para o trato desses alunos, principalmente ao considerar o total de pessoas com deficiência auditiva no País, uma soma que ultrapassa os 5 milhões, segundo o censo oficial de 2000. Romper a barreira do silêncio e mergulhar no universo das letras é um caminho de duas vias, pois se o aluno só consegue ser alfabetizado por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras), esta precisa ser encarada como a primeira língua do surdo, e o português, a segunda. Para um melhor aproveitamento escolar, o aprendizado bilíngue deve ocorrer nesta ordem.
“É essencial que o mestre seja proficiente em Libras”, Vanessa Pires
Porém, de nada adianta o aluno ser fluente em Libras se o professor desconhece a forma de comunicação. “É essencial que o mestre seja proficiente em Libras. O Artigo 14 do Decreto 5626/2005 instrui que as instituições educacionais devem promover cursos de formação de professores para o ensino da língua portuguesa como segunda língua para pessoas surdas e ofertar, obrigatoriamente, desde a educação infantil, o ensino de libras, assim como da língua portuguesa, como segunda língua para alunos surdos”, contextualiza Vanessa Pires, doutoranda em Linguística Aplicada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), instituição que oferece cursos de extensão a educadores interessados em aprimorar seus métodos de ensino da língua portuguesa para surdos. Para a doutoranda, é imprescindível que o aluno surdo, por sua vez, estude a estrutura gramatical da língua de sinais, podendo individualmente traçar paralelos entre os idiomas, para que haja uma maior compreensão gramatical do português.
Por outro lado, se o estudante não dominar a Libras, terá dificuldades em reter o conhecimento. “Muitos professores ainda se viram com aquelas dicas básicas de colocar o aluno na frente e falar mais pausadamente, olhando para ele. Isso nem sempre funciona. Se o surdo não é alfabetizado, não vai conseguir fazer uma leitura labial”, analisa Thaís Santos, diretora do Colégio Integração Luz do Saber, que ministra aulas de português e inglês aos educadores, incluindo técnicas de alfabetização e métodos de adaptação dos conteúdos dos ensinos fundamental e médio.
Como ensinar o idioma aos surdos?
A resposta para esta pergunta está na exploração de recursos brvisuais-espaciais, já que os alunos com deficiências auditivas possuem uma memória visual bastante aguçada. “O estudo de idiomas é facilitado tanto por atividades que envolvam o aprendizado indutivo ou pela descoberta das regras subjacentes ao uso e à organização da linguagem, quanto por aquelas que envolvam análise e reflexão sobre a linguagem. Nesse sentido, o papel do professor é o de facilitador, criando um ambiente propício e oferecendo oportunidades para os alunos praticarem a segunda língua”, esclarece Marli Celaya, coordenadora do Instituto Santa Teresinha, que busca patrocínio para o projeto de capacitar multiplicadores que possam ministrar cursos de português para surdos em todo o País.
No entanto, a educadora aconselha que pelo menos o período de alfabetização seja vivenciado em escolas especiais. “No caso dos surdos pequenos, o ideal é inseri-los o mais cedo possível em um ambiente linguístico adequado, onde a Libras faça parte do ambiente escolar. Essa criança com certeza apresentará mais facilidade para aprender a escrever”.
Mas como muitos alunos são matriculados diretamente em escolas de ensino regular sem dominar a língua de sinais, os professores precisam conhecer bem seus históricos para descobrir de que forma preencher essa lacuna. Algumas famílias optam por “oralizar” o surdo e inseri-lo em uma escola regular, muitas vezes por falta de acesso a uma escola especial para surdos. Há também alunos que adquirem a surdez no período pós-lingual, quando já iniciados na língua portuguesa.
Nestas situações, o aluno deve ter acompanhamento fonoaudiológico. Além de desenvolver sua oralidade e compreensão da língua oral, também trabalhará com a questão escrita da língua portuguesa. “No caso de surdos usuários de Libras, é importante que o ensino se concentre na modalidade escrita da língua, por meio de atividades que desenvolvam a compreensão leitora de todo o texto, e não apenas de vocábulos isolados”, salienta Vanessa, que mantém o blog Vendo Vozes (www.vendovozes.com), destinado a divulgar cursos, eventos e materiais relacionados à educação, cultura dos surdos e língua de sinais.

Aulas versáteis e criativas
Há um estoque vasto de técnicas à disposição dos professores para ensinar a língua portuguesa aos alunos com deficiência auditiva. Como o surdo aprende o mundo de maneira visual, é a exploração de recursos que passam pelo sentido da visão que consolida o aprendizado em todos os estágios da sua vida escolar. No caso dos pequenos, da mesma forma que acontece no ensino falado, a narração de fábulas e outras histórias infantis cai facil22mente no gosto deles, mas o interesse e o entendimento das crianças aumentam se o educador utilizar textos pertencentes à cultura dos surdos e edições de livros bilíngues (Libras/Língua Portuguesa), cujas narrativas configuram-se com as mãos, sendo complementadas por expressões faciais e corporais. 


MATERIAIS DE APOIO NA ALFABETIZAÇÃO
Fichário: caixas com figuras diversas, contendo os respectivos nomes. É um método usado para apresentar palavras novas, relacionar sinais feitos pelas crianças às imagens e palavras correspondentes.
Dicionário bilíngue (Libras/Língua Portuguesa): importante tanto para os professores elucidarem dúvidas a respeito dos sinais quanto para as crianças pesquisarem palavras que ainda não conhecem.
Dicionário de configuração (mãos/português): criado por professores e crianças ouvintes, conjuntamente. É elaborado a partir da primeira letra da palavra e organizado em ordem alfabética para desenvolver autonomia nas buscas e ampliar o vocabulário.
Caixa de gravuras: usada para guardar gravuras visualmente atrativas e ricas em informações, com o intuito de desenvolver a criatividade, explorar o pensamento e estimular a produção escrita.
Caixa de verbos: útil no trabalho de produção textual, já que auxilia a criança a expressar com clareza o seu pensamento na escrita. Pode ser usada em mímicas, competições e inspiração para textos.
Caixa de alfabeto Libras e português: confeccionada pelas crianças em português e em forma de sinais. Ideal para montagem de palavras, bingos, palavras cruzadas e outras brincadeiras.
Caixa com histórias em sequência: abriga contos em sequência de cenas. Pode ser utilizada para montar minilivros, frases e textos.
Calendário: auxilia as crianças no desenvolvimento de noção temporal.
Diário coletivo: recurso para incentivar as crianças a expressarem suas reflexões e sentimentos, além de estimular a produção escrita.
Cartaz de aniversário: fixado com a identificação dos alunos, sinal e data correspondentes. Importante para desenvolver noção temporal.
Mural Libras/português: produzido para expor fichas que serão trocadas ao longo do ano. Tem como objetivo ajudar a fixar palavras ou expressões em português.
Biblioteca: pode ser instalada em um canto da sala de aula, para momentos de narração de histórias em língua de sinais e leitura individualizada.
Fonte: Quadros, Ronice e Schmiedt, Magali. Ideias para ensinar português para alunos surdos. Brasília: MEC, SEESP, 2006. Disponível em: www.mec.gov.br

Atividades lúdicas também precisam estar imbricadas no processo de letramento, como jogos de memória, quebra-cabeças, palavras cruzadas, adivinhações, comparações e exploração de lugares. Em um clima de descontração e brincadeiras, os jovenzinhos incorporam os primeiros registros, começam a estruturar ideias e pensamentos por meio de uma língua e passam a interagir com o mundo à sua volta.
Quando o aluno surdo está adaptado ao ambiente misto com ouvintes e já compreende o português escrito, diferenças estruturais entre as duas línguas ainda podem constituir barreiras ao aprendizado e, mais uma vez, a criatividade é uma boa aliada para eliminá-las. As aulas podem ser ilustradas com vídeos acompanhados de legendas, slides ilustrativos e até encenações teatrais. O uso do dicionário bilíngue (Libras/Língua Portuguesa) é uma ferramenta fundamental para que o estudante compreenda o significado das palavras e aumente seu repertório vocabular.



“Textos muito grandes são complicados para os surdos compreenderem. É preciso fazer um resumo”, Soraya Akiyama
Toda regra tem sua exceção
Mesmo com todos os materiais de apoio disponíveis, algumas expressões incorporadas ao português falado, como os ditados populares, não encontram tradução na língua de sinais, porque fogem do entendimento concreto, assim como a conjugação de diferentes tipos verbais costuma provocar dúvidas. Nesses casos, a recomendação é adaptar o conteúdo. “Textos muito grandes ensinados nas aulas de literatura são complicados para os surdos compreenderem. É preciso fazer um resumo do texto, usando uma linguagem mais simples e depois introduzir palavras mais complexas, explicando seus significados.
Usar trechos de filmes e outras imagens contribui para situar o aluno”, comenta Soraya Akiyama Pinheiro, professora de português e inglês do Colégio Integração Luz do Saber. Baseada em sua experiência, ela aconselha aos professores tomarem cuidado com o significado de determinados sinais. “Há alguns sinais que eles não gostam, pois aprendem com outro sentido, como o sinal que representa a palavra errado. Eles o interpretam como se fossem incapazes. É motivo de ofensa”, alerta.
O momento ideal para esclarecer as dúvidas dos alunos surdos é quando os demais estão ocupados com os exercícios. Dessa forma, não há o risco de despertar o ciúme dos colegas ou expô-lo a constrangimentos por excesso de atenção. Para encerrar uma aula magistral, é essencial que o guia estudantil transmita um ambiente de confiança e segurança, de modo que seus pupilos sintam-se à vontade, em posição de igualdade com a turma.
Serviço
Colégio Integração Luz do Saber
(11) 2831-5064 www.colegioluzdosaber.net
Instituto Santa Teresinha
(11) 5587-5664 www.institutosantateresinha.org.br
Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)
(51) 3591 1122 www.unisinos.br
http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/66/artigo235229-2.asp

Autores dão dicas de práticas pedagógicas inclusivas. Conhecer o aluno é o primeiro passo, diz especialista

Suporte ao professor

Autores dão dicas de práticas pedagógicas inclusivas. Conhecer o aluno é o primeiro passo, diz especialista

Por Leonardo Guariso Fotos Shutterstock




Fotos Shutterstock
Um ambiente de ensino onde todos possam aprender, tendo deficiência ou não. Em resumo, assim é denominada a educação inclusiva que, segundo Eugênio Cunha, mestre em Educação e autor do livro Práticas pedagógicas para inclusão e diversidade (Wak Editora, 2011), apenas começou a caminhar no Brasil. "Já houve progressos, mas será que os alunos estão recebendo a educação adequada?", questiona o professor. A preocupação de Cunha é a mesma de tantos outros educadores e familiares. De que adianta o estudante com deficiência frequentar uma escola regular se o professor não sabe como lidar com esses distúrbios? O problema, segundo o pesquisador, é que não existe uma formação específica que qualifique o profissional. Pior: há pouca literatura pedagógica a respeito. "O professor fica sem suporte", afirma. E o aluno, à mercê.


Atividades do Bem
Muito prazer, aluno
Como deve ser, então, o trabalho inclusivo do educador? Para o autor, a inclusão escolar começa na alma do mestre. "Precisamos atrair nossos alunos por meio de afeto", diz. Cunha refere-se ao desejo de aprender do estudante como um caminho para conquistá- lo para, então, direcioná-lo ao conhecimento. Quando isso acontece, todos aprendem juntos.
Não existe uma formação específica que qualifique o profissional
Em sua obra, o professor explica que o afeto é um instrumentomediador da aprendizagem, pois trabalha a memória, a cognição e as emoções. O afeto, nesse caso, abre caminho para enriquecer relacionamentos e proporcionar uma aprendizagem de qualidade. E isso vale para qualquer disciplina e qualquer nível de modalidade de ensino. Conhecer o aluno, portanto, é fundamental.
A dicas deste quadro são apenas uma referência em práticas pedagógicas para a educação inclusiva, pois, de acordo com os profissionais entrevistados nesta reportagem, cada indivíduo é único - nem sempre o que funciona para um funciona para o outro. Além disso, pode ser que a criança não apresente apenas um comprometimento ou uma demanda entre as enumeradas na lista a seguir.

Falta de concentração e conservação das informações
Primeiro, descubra o que desperta a atenção do aluno e só então proponha atividades. Uma sugestão é a brincadeira do espião. Em dupla, cada integrante observará bem a outra pessoa.
Os dois se viram de costas e fazem uma mudança no visual. Depois, um de frente para o outro, tentam descobrir o que mudou. Trabalhe com música. Tocar violão, por exemplo, estimula a concentração e desenvolve a memória.

Autismo
Concentre-se no contato visual. Olhe nos olhos do aluno, fale de forma serena e objetiva (assim, as falas são mais bem compreendidas). Nem sempre o autista assimila frases como "Não faça isso!". Em cada atividade, portanto, mostre o que fazer. Dê funcionalidade às ações.

Fotos Shutterstock

Síndrome de Down

Respeite o ritmo do aluno sem impor nada e não o trate infantilizadamente. Use fotos de familiares para estimular a fala e a memória visual. Exemplo: peça para o aluno contar histórias ou abordar aspectos interessantes da vida familiar. Estimule a prática de esportes, como a natação, que refinam a condição motora do estudante.



TDAH
(Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)
Estabeleça e organize rotinas de trabalho para inibir a dispersão. Se for preciso, reveja o método de ensino para torná-lo criativo. Priveligie trabalhos curtos, realizando uma tarefa por vez. Não peça a um aluno, por exemplo, que copie da lousa um texto extenso. Desse modo, você conserva o foco de atenção do indivíduo.

Transtornos emocionais
Proporcione um ambiente educativo agradável (lembra da dica "conheça seu aluno"?). Solidarize-se e converse com o estudante e ensine-o a lidar com as perdas, pois elas são naturais.Desenvolva no aluno habilidades para superar desafios e perseverança na conclusão de tarefas. É importante impor limites.

Dislexia
Mostre a semelhança e a diferença entre as letras. Exemplo: a letra B tem a "barriga" voltada para a direita e a "perna" para cima. Evite o excesso de conteúdo para que o aluno tenha melhor compreensão do que é ensinado. Trabalhe com histórias em quadrinhos e peça que ele faça associações entre as ilustrações e o texto, criando alternativas e mudanças na história ou nas imagens.
Dispraxia (dinsfunção motora)
Incentive a prática de atividades físicas. Elas ajudam a desenvolver a coordenação motora, a orientação espacial e o equilíbrio. Outra dica é o uso da música para aumentar a capacidade de atenção e memorização. Pode ser assim: a cada toque de determinado instrumento musical, os alunos brincam com um objeto ou fazem algum movimento - ao som do tambor, por exemplo, as crianças mexem as mãos. Utilize materiais pedagógicos sensoriais, como letras escritas em pedaços de papel ou em madeira para que a pessoa forme palavras.

Surdo
Posicione o aluno na primeira fileira, de preferência, à sua frente. Quando realizar atividades, faça-as em turma para intensificar o vínculo de inclusão. Fale de frente para o estudante para que ele possa ler seus lábios. Diga aos colegas de sala para que façam o mesmo.

Cego
Oriente o aprendente sobre a posição do mobiliário e evite mudar os objetos de lugares. Incentive-o a aprender Braille. Ofereça materiais concretos para ajudá-lo a aumentar seu conhecimento. Isso inclui conceitos linguísticos, matemáticos, geográficos. O Instituto Benjamin Constant (www.ibc.gov.br) desenvolve materiais com texturas diferentes para que o aluno possa "ver" utilizando o tato.


 Esperar que o mesmo educador seja capaz de abordar diversas necessidades é fantasioso

Evidentemente, há outros aspectos a serem abordados. Muita informação deve ser obtida dos pais e também da equipe - médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas - que atende o estudante. E, claro, do próprio aluno. "Para um estudante com baixa visão, nada melhor do que ele mesmo dizer se há muita ou pouca luminosidade para enxergar o quadro", explica Selma Inês Campbell, autora do livro Múltiplas faces da inclusão (Wak, 2009). Os educadores também são fontes importantes: "Professores de séries anteriores podem nos esclarecer quais habilidades o aluno já desenvolveu", conta.

Fotos Shutterstock
Para um estudante com baixa visão, nada melhor do que ele mesmo dizer se há muita ou pouca luminosidade para enxergar o quadro
Difícil aceitação
E quando a pouca informação referente aos estudantes com necessidades específicas parte da turma? Campbell afirma que preconceito vem de desconhecimento, e esclarecer é o primeiro passo. "A escola deve cultivar valores como respeito ao próximo e solidariedade", explica. Vale até uma conversa com a família do aluno.
Vencidas essas dificuldades, que podem ser superadas por ações em conjunto com gestores e demais profissionais do colégio, o professor poderá elaborar atividades para serem realizadas em grupo - no caso dos pequenos, o modelo pedagógico criado pela educadora italiana Maria Montessori (1870-1952), caso ainda não seja utilizado.
Para Ler
Fotos Shutterstock



Práticas pedagógicas para inclusão e diversidade
,
Eugênio Cunha, Wak Editora




Fotos Shutterstock



Múltiplas faces da inclusão
,
Selma Inês Campbell, Wak Editora
"Os materiais montessorianos podem ser manipulados de diferentes maneiras, porque são sensoriais e de conceitos universais, relacionando-se com o todo", explica Cunha. De acordo com o autor, eles foram inspirados na educação especial, mas podem ser usados por todos os alunos.
No método, peças sensoriais geométricas - pirâmides e esferas de tamanhos diferentes -são utilizadas para apresentar a linguagem. Cada uma delas tem uma cor e possui um significado linguístico. Com isso, o aluno pode montar uma frase, juntar um substantivo a um adjetivo, aprender geometria ou até mesmo desenvolver a coordenação motora. "Esses materiais introduzem as sementes do interesse, da qual a criança colherá frutos nas próximas fases da educação", afirma.


Um professor, mil funções

É preciso deixar uma coisa clara: esperar que o mesmo educador seja capaz de abordar diversas necessidades é fantasioso. "Um professor hábil para lidar com surdez não pode ser o mesmo para lidar com cegueira, pois os recursos são diferentes", afirma Campbell. É aquela velha história do músico que sabe tocar um pouco de guitarra, de baixo, de violão, de bateria e de teclado, mas que, na realidade, não é expert em nehuma delas, pois não se especializou em nada. "É condenar tanto o aluno quanto o professor ao fracasso", finaliza.
Fonte:
http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/67/artigo242134-2.asp


Qualificar para incluir

Qualificar para incluir





MARCOS GONÇALVES, Presidente da Fenavape*
Lei de Cotas (Lei 8.213/91) completará 21 anos no mês de julho. Apesar dos avanços, nos últimos anos, observa-se que a contratação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho tem crescido em ritmo mais lento.
Dados do Ministério do Trabalho mostram que, em 2009, havia pouco mais de 288 mil pessoas com deficiência empregadas no país; número que, em 2010, subiu apenas 6% e, no saldo anual de 2011, o crescimento foi de 3,6% em relação ao ano anterior. Esse cenário tem sido pauta de debates entre os setores, com vistas a buscar alternativas para retomar o ritmo da inclusão, já que as empresas justificam a dificuldade de cumprir a Lei de Cotas devido à escassez de pessoas qualificadas. Para contribuir com a mudança desta realidade, a Superintendência Regional do Trabalho de São Paulo implantou, no segundo semestre de 2011, um protocolo que visa incentivar a aprendizagem e a qualificação de pessoas com deficiência.
O protocolo implantado pela Superintendência torna-se um instrumento que beneficia tanto o empregador quanto o trabalhador em função de uma prática do trabalho decente, sendo um meio eficaz de romper com o ciclo da marginalização, pobreza e exclusão social, principalmente das pessoas com deficiência, as quais necessitam de ações para a sua adequada inclusão e manutenção no emprego, isto é, qualidade na inclusão e consequente retenção do profissional. O que acontece, neste caso, é que a contratação da pessoa com deficiência como funcionário da empresa é temporariamente adiada em função do cumprimento da Lei 10.097, a chamada Lei do Aprendiz, que visa facilitar o ingresso de jovens a partir de 14 anos no mercado de trabalho, com a prerrogativa de que o ofício deve ser assinado pela empresa ao profissional beneficiado. Para as pessoas com deficiência não há previsão de idade máxima para a celebração do contrato de aprendizagem (art. 2º, parágrafo único, do Decreto nº 5.598/2005). Os cursos devem disponibilizar os recursos e serviços que permitam ampliar as habilidades das pessoas com deficiência e oferecer a tecnologia assistiva necessária para a inclusão de todos os tipos de deficiência, como por exemplo: intérprete de Libras, material em Braile, softwares específicos e, principalmente, metodologia para incluir as Pessoas com Deficiência Intelectual.
As cotas não se sobrepõem, mas continuam existindo separadamente a Lei de Cotas e a Lei do Aprendiz, cada qual com a sua finalidade específica. Portanto, o empresário que aderir a este protocolo não estará cumprindo duas cotas. Ele utilizará este instrumento para, a partir do cumprimento da Lei do Aprendiz, não ser multado pela Lei de Cotas durante o período em que estiver capacitando os seus aprendizes. O protocolo da Superintendência Regional do Trabalho de São Paulo permite às empresas fazer parcerias com instituições como a Avape, que são especializadas em programas de capacitação. Outra possibilidade de qualificar pessoas com deficiência para cumprir a Lei de Cotas são os acordos tripartites (Art.93 da lei 8.213/91) que envolvem: Sindicato dos Trabalhadores, Sindicato Patronal e Superintendência Regional do Trabalho de São Paulo. Este acordo considera a participação da sociedade civil, em particular dos sindicatos, para que, em conjunto com a ação governamental, a inclusão seja efetiva. A Avape possui uma unidade no Belenzinho (SP) que já atua de acordo com essa tratativa. A unidade é mantida por empresas e associações que qualificam seus funcionários, a partir da metodologia desenvolvida e com orientação da equipe técnica.
Concluo essa crônica com a reflexão de que não basta incluir, mas é preciso qualificar para que o processo de inclusão seja realizado com respeito e dignidade.
Mais informações: tel. (11) 2627.6900. *Fenavape (Federação Nacional das Avapes). www.fenavape.org.br
  http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/69/artigo253190-1.asp