RYBENINHA

RYBENINHA
SINAL: BEM -VINDOS

DÊ-ME TUA MÃO QUE TE DIREI QUEM ÉS



“Em minha silenciosa escuridão,
Mais claro que o ofuscante sol,
Está tudo que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
Tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.
Frementes de ansiedade ou trêmulas de fúria,
Verdadeira amizade ou mentira,
Tudo se revela ao toque de uma mão:
Quem é estranho,
Quem é amigo...
Tudo vejo em minha silenciosa escuridão.
Dê-me tua mão que te direi quem és."


Natacha (vide documentário Borboletas de Zagorski)


SINAL DE "Libras"

SINAL DE "Libras"
"VOCÊ PRECISA SER PARTICIPANTE DESTE MUNDO ONDE MÃOS FALAM E OLHOS ESCUTAM, ONDE O CORPO DÁ A NOTA E O RÍTMO. É UM MUNDO ESPECIAL PARA PESSOAS ESPECIAIS..."

LIBRAS

LIBRAS

LIBRAS

LIBRAS
"Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, então o lugar é deficiente" - Thaís Frota

LIBRAS

LIBRAS
Aprender Libras é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender Libras é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz.... apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver.” Luiz Albérico B. Falcão

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS
“ A língua de sinais anula a deficiência e permite que os sujeitos surdos constituam, então, uma comunidade linguística minoritária diferente e não um desvio da normalidade”. Skliar

sábado, 23 de março de 2013

50 Mitos e verdades - Conhecer quais são seus direitos é a melhor forma de poder usufruir deles e cobrar da sociedade a melhora de uma questão que ainda é precária: a da inclusão


50 Mitos e verdades


Conhecer quais são seus direitos é a melhor forma de poder usufruir deles e cobrar da sociedade a melhora de uma questão que ainda é precária: a da inclusão


"As pessoas com deficiência possuem os mesmos direitos que qualquer outro cidadão", diz Marco Antônio Pellegrini, Secretário Adjunto da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. O que se observa, porém, especialmente em uma sociedade que ainda dá os primeiros passos a caminho da inclusão, é que nem sempre esse segmento é tratado com a igualdade que tem por direito. E é por conta disso que foram criadas algumas leis e decretos exclusivos. Confira a seguir uma seleção de 50 questões importantes sobre os direitos e deveres da pessoa com deficiência.
Educação
1 Sou professora e gostaria de transcrever obras de grandes autores para o braille, para o uso dos meus alunos, mas não posso por causa dos direitos autorais.
MITO O artigo 46 da Lei Federal nº 9.610/98 esclarece que não constitui ofensa aos direitos autorais a reprodução de obras literárias, artísticas ou científicas para uso exclusivo de cegos, sempre que seja feita em braille ou qualquer outro suporte para esses destinatários, e sem fins comerciais, incluindo o formato de audiolivro.
2 Preciso de material adaptado para realizar as provas na faculdade e a instituição de ensino deve fornecer.
VERDADE O artigo 27 do Decreto Federal nº 3.298/99, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa com Deficiência, determina que as instituições de ensino superior ofereçam adaptações de provas e os apoios necessários, quando solicitados previamente pelo aluno. O que se aplica também aos processos seletivos de cursos universitários, nos quais, de acordo com as características da deficiência, podese requerer tempo adicional para realização dos exames.
3 Estou internado em um hospital por complicações da minha deficiência e devo interromper a formação escolar.
MITO Caso o período de internação seja igual ou superior a um ano, o Decreto Federal nº 3.298/99 prevê o oferecimento obrigatório de serviços de educação especial ao educando com deficiência em unidades hospitalares ou congêneres nas quais esteja internado. Informese na escola ou secretaria de educação de seu município como solicitar estes serviços.
4 O governo prefere que cri anças com deficiência estudem em colégios especiais.
MITO A Lei Federal nº 9.394/96, que estabeleceu as Diretrizes e Bases da Educação, prevê a educação de forma a incluílas na rede regular de ensino. Os artigos de 58 a 60 determinam que essas escolas devam ter serviços de apoio especializado para atender às necessidades, como currículos, métodos, técnicas, recursos educativos, organização e terminalidades específicas.
5 Todas as escolas devem ter professores que conheçam Libras.
VERDADE O governo instituiu, em 2005, a inclusão da Libras como disciplina obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino públicas e privadas. Pedagogia e todos os cursos de licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, além do curso de Educação Especial, estão sujeitos à mesma regra.
6 Escolas públicas e particulares não podem se recusar a aceitar alunos com deficiência.
VERDADE A lei nº 7.853 garante em seu artigo 2º a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas com deficiência capazes de se integrar ao sistema regular de ensino. Portanto, as que se recusem a receber estes alunos, incorrem em crime, possibilitando a instauração de um inquérito policial. É possível também promover uma ação judicial contra a escola, para assegurar o ingresso.
7 Meu filho com deficiência visual não pode compreender histórias infantis quando lê livros.
MITO É fundamental que todas as crianças e adultos com deficiência visual aprendam o braille, para sua independência e integração. Livros infantis adaptados a esta linguagem permitem que as crianças conheçam os clássicos como todos os companheiros da mesma idade.

 

8 Não existem cursos de idiomas adaptados para as necessidades das pessoas com deficiência.
MITO
Apostilas ampliadas para alunos com baixa visão, computadores com o software de voz Virtual Vision para os cegos, aparelhos como a ponteira ou a colmeia (placa de acrílico que facilita o uso do teclado) são alguns dos recursos disponíveis às escolas de idiomas. Um bom exemplo da aplicação desses métodos é o Instituto Open Door, em São Paulo, onde os cursos são gratuitos e voltados para pessoas de baixa renda.
9 A pessoa com deficiência não tem direito de concorrer a uma bolsa de estudos do Programa Universidade para Todos (PROUNI).
MITO O programa possui várias condições para que os candidatos possam concorrer e uma delas, justamente, é ser uma pessoa com deficiência. Ter renda familiar de até três salários mínimos por pessoa, além de ter cursado o ensino médio em escola de rede pública ou privada com bolsa integral da instituição, e prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)' são outros requisitos.
10 Tenho deficiência visual. Posso pedir que a minha escola consiga os mesmos livros de meus colegas, em braille.
VERDADE Para uma boa adaptação é primordial que o cego tenha acesso aos mesmos materiais dos colegas. Mas não é por ser regra que de fato acontece. Quando a escola não fornece os livros, o aluno pode procurar o Centro de Apoio Pedagógico (CAP), entidades assistenciais e, se necessário, o Ministério Público.
11 Alunos com deficiência vi sual podem utilizar o soroban em exames que envolvam cálculos matemáticos.
VERDADE O Ministério da Educação, reconhecendo a necessidade, permite o seu uso nos exames que envolvam cálculos, pela portaria nº 1.010, publicada pelo Ministério da Educação em maio de 2006. Soroban é o nome dado ao ábaco japonês, um instrumento com pequenas contas dispostas em fileiras, recurso muito útil às pessoas com deficiência visual.
Direitos
12 Tenho deficiência, e por isso não sou obrigado a votar.
MITO Segundo a Constituição Brasileira, todos os cidadãos com idade entre 18 e 70 anos são obrigados a votar. A pessoa com deficiência pode requerer com 150 dias de antecedência a mudança do local de votação, caso o acesso seja difícil. Há uma ressalva que não pune a pessoa quando impossível ou demasiadamente oneroso o cumprimento das obrigações eleitorais. Mas convém verificar com os órgãos eleitorais a aplicabilidade da ressalva, já que cada juiz pode interpretar as condições "impossíveis ou onerosas" à sua maneira.
13A pessoa com deficiência tem direito a receber herança.
VERDADE O artigo 5º do Capítulo I da Constituição Federal prevê que todos os brasileiros são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Sendo assim, se o inciso XXX garante o direito de herança, ele se estende inclusive às pessoas com deficiência. Em caso de interdição, como ocorre com algumas pessoas com deficiência intelectual, quem cuidará dos interesses da herança é seu curador.
14 As filas prioritárias em bancos são apenas para cadeirantes ou pessoas com mobilidade reduzida.
MITO Os artigos 5º, 6º e 7º do Decreto Federal nº 5.296/2044 considera que o atendimento prioritário se enquadra a todas as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Ou seja, aqueles com deficiência física, auditiva, visual, intelectual e múltipla. O texto destes artigos também discorre sobre a sinalização, a entrada, o mobiliário e os serviços de atendimento que devem constar nas instituições financeiras. 

15 Ao comprar um apartamento na planta posso pedir que ele tenha um banheiro adaptado sem ter de pagar por isso.
MITO O Decreto Federal n º 5.296/2004 discrimina que to das as edificações de uso coletivo ou público devem atender aos preceitos de acessibilidade. Isto se aplica às áreas de uso comum das edificações de uso privado multifamiliar, como piscinas, playgrounds, salão de festas, garagens entre outros espaços, mas não dentro dos apartamentos.
16 Planos de saúde particulares não aceitam a inscrição de pessoas com deficiência por considerar que possuem "doenças preexistentes".
MITO Para afastar de vez o risco desta prática ilegal e preconceituosa, foi sancionada lei de nº 9.656, cujo 14º artigo prevê que ninguém pode ser impedido de participar de planos privados de assistência à saúde em razão de idade ou condição de pessoa com deficiência. Portanto, ao se deparar com algum caso assim, denuncie.
17 Ganho um salário mínimo por mês, por isso tenho direito ao Passe Livre.
VERDADE Este é um benefício concedido pelo Governo Federal que cede gratuitamente passagens interestaduais às pessoas com deficiência. Porém, para ter esse direito, é preciso ter renda familiar per capita de até um salário mínimo. A renda de todos os que moram com a pessoa com deficiência deve ser somada e dividida pelo total de pessoas. Se o resultado for igual ou inferior a um salário mínimo, é possível requerer o benefício no Ministério dos Transportes. O Passe Livre não dá direito à gratuidade para acompanhante.
18 Um restaurante que impede a entrada de pessoa com deficiência visual acompanhada de cão-guia pode ser multado.
VERDADE A pessoa com deficiência visual e usuária de cãoguia tem o direito de ingressar e permanecer com o animal em todos os locais de uso público ou privado de uso coletivo. Isso inclui restaurantes, lojas, escolas e meios de transporte. Os únicos locais vetados ao animal são setores de isolamento, tratamentos de doenças graves ou locais que precisam de esterilização em estabelecimentos de saúde. Além de multado, o local pode ser interditado.
19 A pessoa com deficiência não é obrigada a prestar serviço militar.
VERDADE O direito de não servir às Forças Armadas é garantido a todos aqueles cuja deficiência seja um impedimento. No entanto, ao atingir a idade de alistamento, é necessário se apresentar a uma unidade militar para obter a dispensa por vias legais.
20 A pessoa com déficit intelectual não pode ter conta em banco.
MITO O direito de possuir conta em banco também está assegurado às pessoas com deficiência intelectual. Se o titular for menor de 18 anos, a conta deve ser administrada pelos pais ou responsáveis. Em caso de pessoa maior de 18 anos que seja interditada, o curador é o responsável.
21 Todas as pessoas com Síndrome de Talidomida têm direito à pensão do INSS.
VERDADE Desde 1982 existe uma lei que autoriza o Poder Executivo a conceder pensão especial mensal, vitalícia e intransferível a todas as pessoas com Síndrome de Talidomida que a requererem no INSS. Este benefício compreende a incapacidade para o trabalho, para a locomoção, higiene pessoal e alimentação. O benefício não poderá ser reduzido mesmo que a pessoa adquira capacidade de trabalhar.

22 Pacientes com transtornos mentais egressos de internações têm direito a receber auxílio do governo.
VERDADE Em 2003 o Ministério da Saúde lançou um programa de ressocialização de pacientes internados em hospitais ou unidades psiquiátricas, o "De Volta Para Casa". A partir daí, ficou instituído um auxílio-reabilitação psicossocial para egressos de internação que tenham permanecido por dois anos ou mais em hospitais psiquiátricos. O benefício tem duração de um ano e pode ser renovado quando necessário aos propósitos da reintegração social do paciente.
23 Por ter deficiência, não tenho o direito de tirar carteira de habilitação.
MITO É possível. Mas para obtenção da Carteira de Habilitação Especial é preciso ser avaliado por uma junta médica, que examina a extensão da deficiência e a desenvoltura do candidato. O solicitante deve procurar uma clínica credenciada autorizada e realizar exame médico e psicotécnico especial para pessoas com deficiência. Os endereços das clínicas podem ser obtidos no Detran de cada Estado.
24 Pessoas com qualquer tipo de deficiência podem fazer uso do Serviço de Atendimento Especial (ATENDE) na cidade de São Paulo.
MITO O serviço paulistano de transporte porta a porta destina-se a pessoas com deficiência física ou com mobilidade altamente reduzida. Aquelas que apresentem doenças que não associadas à deficiência motora com comprometimento severo da mobilidade não são caracterizadas com o perfil previsto para utilizar o benefício, que é liberado por meio de um cadastro feito pela SPTrans.
25 Uma pessoa com deficiência que não pode trabalhar tem direito a receber um salário mínimo para garantir seu sustento.
VERDADE A Constituição realmente garante este direito, sob o nome de Benefício de Prestação Continuada (BCP). São beneficiados aqueles com renda familiar por pessoa inferior a ¼ de salário mínimo. Para requerer, é preciso se dirigir a uma agência do INSS. Algumas prefeituras possuem órgãos que passam orientações, como as secretarias de assistência social.
26 Pessoas com deficiência têm descontos para adquirir automóveis.
VERDADE Não se trata de descontos e, sim, da isenção de impostos, neste caso, o mais significativo é o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Há regras específicas que regem cada caso, mas pessoas com qualquer tipo de deficiência podem solicitar o abatimento, e caso ela necessite de um condutor, ele também. Outras taxas como o IPI, IPVA e ICMS também entram na lista de isentas. O ideal é procurar o Detran do seu Estado.
27 Se não consigo me locomover sozinho em transporte público, meu acompanhante não paga a passagem.
VERDADE As leis que regem a gratuidade no sistema de transporte público em geral são de âmbito municipal. Mas é comum se conceder gratuidade aos acompanhantes, principal mente em casos de crianças e daqueles que têm dificuldades de locomoção. É necessário pedir informações detalhadas sobre como obtê-la.
28 Não existem leis que punem crimes contra pessoas com deficiência.
MITO A lei nº 7853 constitui em seu artigo 8º crime punível com reclusão de um a quatro anos: a recusa ou cancelamento de inscrição de alunos com deficiência em estabelecimento de ensino; barrar o acesso a cargos públicos por causa da deficiência; negar emprego ou trabalho a estas pessoas; deixar de prestar assistência hospitalar; não cumprir ordens judiciais que aludam a esta lei e omitir dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil, quando requisitados pelo Ministério Público. 

29 É possível deduzir despesas com aparelhos ortopédicos do Imposto de Renda.
VERDADE Algumas despesas médicas podem ser deduzidas do IR, como aquelas com aparelhos e próteses ortopédicos, cadeiras de rodas, andadores ou qualquer outro aparelho ortopédico destinado à correção de desvio de coluna ou deficiência dos membros ou das articulações.
30 Em um órgão público, tenho o direito de ser atendido por uma pessoa que conheça Libras.
VERDADE
O artigo 26 do decreto nº 5.626, de 2005, determina que na rede de serviços do SUS e empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde, deve haver profissionais capacitados para o uso de Libras ou sua tradução e interpretação.
Trabalho
31 Empresas com mais de cem funcionários que não contratam pessoas com deficiência podem ser multadas.
VERDADE A mesma lei que estabelece as cotas de contratação das pessoas com deficiência define as punições em caso de seu não cumprimento. Dois órgãos são responsáveis pela fiscalização do cumprimento da Lei de Cotas. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), através das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTE), e o Ministério Público do Trabalho (MPT).
32 Aposentados por invalidez que retornam ao trabalho podem continuar a receber o benefício.
MITO
Uma vez que o beneficiário retorne voluntariamente à atividade, sua aposentadoria será cancelada. A diferença está na forma, podendo ser imediata, se o segurado retornar à função que possuía antes, ou ao longo de seis meses, quando a recuperação for parcial ou o segurado for considerado apto para exercício de trabalho diverso daquele que habitualmente exercia.
33 Pessoas com deficiência não podem se inscrever em concursos públicos.
MITO A pessoa com deficiência, assim como qualquer outro brasileiro que esteja em gozo de seus direitos políticos e em dia com as obrigações militares e eleitorais, está apto a se inscrever em concursos públicos, desde que as atribuições do cargo sejam compatíveis com a deficiência que possui. A lei prevê ainda que até 20% das vagas oferecidas sejam reservadas para este público.
34 É mais fácil para uma pessoa com deficiência ser admitido por uma empresa grande, já que, pela Lei de Cotas, ela é obrigada a contratar.
VERDADE Sem dúvida, a lei facilitou a entrada no mercado de trabalho, e determina que empresas com mais de cem funcionários contratem pessoas com deficiência. A discussão atual se trava acerca da qualidade desta inclusão. As vagas destinadas às pessoas com deficiência, na média, têm salários baixos, cargos da base da pirâmide organizacional e funções operacionais. O plano de carreira para estes profissionais ainda é pouco atr aente.
35 Pessoas com deficiência que atuam co mo servidores públicos têm direito a um horário especial de trabalho, caso seja necessário.
VERDADE A pessoa com deficiência deve plei tear que uma junta médica oficial avalie a necessidade, o que lhe dará o direito de ter horário especial, sem compensação. O direito também se estende ao servidor que tenha cônjuge, filho ou de pendente com deficiência, mas, neste caso, com compensação do horário de trabalho.
36 Se uma pessoa com deficiência contratada pela Lei de Cotas vai ser demitida do cargo, a empresa tem de contratar outra pessoa para ocupar a vaga antes.
VERDADE Conforme previsto no artigo 93, § 1º, da Lei no 8.213/91, caso esta condição não seja cumprida, o empregado demitido pode recorrer à justiça, para receber os salários correspondentes ao período em que a vaga ficou ociosa.
37 As empresas priorizam a contratação de pessoas com deficiências consideradas mais "leves".
VERDADE
O que se observa é que as empresas não dão muitas oportunidades àquelas pessoas com limitações mais severas ou menor nível de diminuição motora, sensorial ou intelectual. Cadeirantes, por exemplo, são minoria no mercado de trabalho. A mesma situação ocorre com cegos e surdos totais, sem falar nas pessoas com deficiências intelectuais.
Dia a dia
38 Cegos não têm como usar o celular para outras funções, além de conversar.
MITO Existe um programa chamado "Talk", usado para adaptar telefones celulares para o uso de pessoas cegas. Este programa tem função de voz, o que permite que o usuário ouça o que está sendo apresentado no menu do aparelho. É muito útil para as pessoas com baixa visão, pois aumenta a fonte e também usa diferentes cores para o contraste de tela, o que facilita a leitura.
39 Pessoas sem fala que não conhecem Libras não têm outra forma de se comunicar.
MITO Apesar da importância do aprendizado da Libras, já existem formas de comunicação alternativas, que podem ser usadas até mesmo por quem tem deficiências múltiplas e não consegue formar os sinais com as mãos, como o sistema de comunicação por símbolos chamado SymbolVox. O usuário pode utilizar frases como "ouvir música", "ir ao banheiro" ou até mesmo montar palavras em uma cartela com o alfabeto
40 O programa Virtual Vision é caro, por isso não posso utilizá-lo porque não tenho como comprar.
MITO Trata-se de um software de voz que torna o uso do computador acessível aos cegos. E é verdade que é caro, o que dificulta seu acesso por parte de muitos que têm deficiência visual ou com baixa visão. Mas já existem empresas que distribuem o programa gratuitamente. É o caso dos bancos Bradesco e Santander.
41Cadeirantes têm direito à acomodação especial em aviões, no embarque e no desembarque.
VERDADE
Existem normas e serviços do Ministério da Aeronáutica que determinam atendimento especial desde a compra de passagens até a permanência nos terminais, durante o voo e depois dele. Aeronaves com mais de cem assentos devem possuir 10% com braços removíveis, para acomodar cadeira de rodas. As companhias têm de disponibilizar veículos com elevadores ou outros dispositivos apropriados para o embarque e desembarque.
42 Não há como as pessoas saberem que sou surdo quando estou dirigindo, por isso, sou frequentemente desrespeitado no trânsito.
MITO O motorista com deficiência auditiva pode colar no vidro traseiro de seu automóvel o Símbolo Internacional de Surdez, para que motoristas de ambulância, policiais, resgate e os outros possam identificar que o condutor é surdo e precisa ser respeitado.
43 Posso estacionar meu carro nas vagas especiais em locais de Zona Azul sem pagar a tarifa.
MITO
Em São Paulo existe uma portaria que determina a reserva de vagas para pessoas com deficiência em estacionamentos rotativos pagos do tipo Zona Azul. Para utilizá-las é preciso ter o cartão DeFis-DSV, emitido por órgão da prefeitura, e afixá-lo no painel frontal do carro. Entretanto, é preciso também afixar um cartão de Zona Azul quando a sinalização estiver assim determinando. 

44 Carros de pessoas com deficiência também levam multa no rodízio municipal de São Paulo.
MITO Carros de pes soas com deficiência ou de quem as transporte estão isentos do rodízio municipal de veículos na cidade de São Paulo. Para tanto, é preciso solicitar à prefeitura uma autorização especial. No site do órgão é possível imprimir o formulário de requerimento, ou ainda, no setor de Autorizações Especiais do Departamento de Operação do Sistema Viário (DSV).
45 As pessoas com deficiência têm direito a pagar meia-entrada em shows e cinemas.
MITO Não existe nenhuma lei federal que garanta este direito. O que pode ocorrer, por exemplo, é que haja uma determinação municipal, como na cidade do Rio de Janeiro, que, desde 2006, garante o direito à meia-entrada de pessoas com deficiência em estabelecimentos culturais e de lazer que promovam diversão e entretenimento.
46 Os restaurantes são obrigados a manter cardápios em braille para o atendimento de pessoas cegas.
VERDADE Esta é outra questão resolvida por leis municipais, portanto, obrigatória em algumas cidades e em outras, não. Em São Paulo, por exemplo, a lei existe desde 1997, mas o que se observa é que nem sempre ela é cumprida. Em caso de descumprimento, a pessoa deve procurar o Departamento de Controle do Uso de Imóveis, o Comtru.
47 Os cadeirantes não têm como ir à praia, porque não há como utilizar a cadeira de rodas na areia.
MITO Um aparelho chamado de cadeira de rodas anfíbia facilita o lazer, com rodas mais largas, que evitam o afundamento na areia. Em São Paulo, um programa chamado "Praia Acessível" disponibiliza alguns destes equipamentos em cidades litorâneas como Santos, Guarujá, Ilhabela e Praia Grande. No Rio de Janeiro, a ONG AdaptSurf viabilizou um acordo com a RIOTUR para que o órgão também adquirisse o equipamento.
48 Os caixas eletrônicos dos bancos têm de oferecer acessibilidade às pessoas com diferentes tipos de deficiência.
VERDADE A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui uma norma específica que regulamenta a acessibilidade em caixas eletrônicos, a NBR 15250:2005. Ela regulamenta o projeto, construção, instalação e localização de equipamentos destinados à prestação de informações e serviços de autoatendimento bancário. Isto engloba desde o trajeto até o caixa, até espaço para que uma cadeira de rodas possa encostarse com conforto, passando também por funções no teclado, até uso de voz, para as pessoas cegas, entre outras especificações.
49 Cegos não têm como se orientar sozinhos em feiras ou exposições.
MITO A maioria destes eventos realmente não possui as adaptações necessárias. Mas existem esforços para mudar isso. Na 10ª edição da Reatech, um produto já existente, o audioguia, utilizado em museus no exterior, foi testado e adaptado para que o cego ouvisse informações sobre os estandes e expositores da feira. 

50 Os portais de internet da administração pública são obrigados a ter opções de acessibilidade.
VERDADE
O artigo 47 do Decreto nº 5296, de 2004, determina que os sites da administração pública devam ser adaptados para uso de pessoas com deficiência visual. É possível encontrar neles opções para ampliar a fonte ou para o contraste de cores na tela. O ideal é que todos os sites, independentemente de oficiais ou não, sejam acessíveis. Esta realidade, no entanto, ainda é distante.
Serviço

Departamento de Controle do Uso de Imóveis - Contru
(11) 3397-3400
www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/controleurbano/contru

Departamento de Operação do Sistema Viário - DSV
(11) 3396-6800
www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/transportes

Empresa de Turismo do Município
do Rio de Janeiro - RIOTUR

(21) 2271-7000
www.rio.rj.gov.br

Instituto Open Door
(11) 5549-8373
(www.opendoor.org.br)

ONG AdaptSurf
(21) 2239-1737
www.adaptsurf.org.br

Fonte: 
 http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/65/artigo224504-8.asp

A imagem que se transforma em palavras Diferente do audiolivro, obra é pioneira na utilização da técnica de audiodescrição para o público infantil

Por Fellipe Carrasco

Fotos Divulgação
Simplesmente Diferente, uma alternativa inteligente para as crianças
Compreender as diferenças e conviver em harmonia com elas. Esse é o principal objetivo do livro da jornalista Mônica Picavêa, autora de Simplesmente Diferente. A publicação é pioneira na utilização da audiodescrição para o público infantil. Esta técnica, desenvolvida no Brasil por Lívia Maria Villela de Mello Motta, professora-doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, tem trazido grandes vantagens para pessoas com deficiência visual.
Mônica explica: “É uma nova forma de enxergar. É importante não confundir com o audiolivro, no qual uma pessoa lê a história para outras. Na audiodescrição, todas as imagens são descritas de forma a serem compreendidas pelas pessoas. O Simplesmente Diferente vem acompanhado de um CD com um narrador a descrever aquilo que compreendemos visualmente e que não está contido nos diálogos, como ilustrações, expressões faciais e corporais”.
O livro tem sido uma ferramenta importante de
conscientização e inclusão das pessoas com deficiência
A ideia de Mônica surgiu da sua convivência com pessoas com deficiência visual. “Realizo trabalhos voluntários com esse pessoal há 15 anos, participando, inclusive, do Grupo Terra, que promove corridas de aventuras. A equipe conta com dois deficientes visuais, que dão um verdadeiro show nas provas esportivas. Essa experiência me ajudou muito a desenvolver outras maneiras de entender o mundo”.
O estopim para a ideia se concretizar foi o nascimento de suas filhas gêmeas, Laura e Luiza, hoje com 2 anos. O desejo de Mônica era que as meninas, desde muito cedo, encarassem a relação com as diferenças de uma forma totalmente natural. “Passei, então, a procurar na literatura opções que transmitissem essa naturalidade na convivência. No entanto, a maioria dos livros tinha, em sua base, apenas um olhar de ajuda às pessoas com deficiência. Não era isso o que eu queria”.
Foi então que a jornalista decidiu escrever Simplesmente Diferente. É um livro com sete histórias reais, baseadas em sua vivência e experiência na área, publicado pela Editora J.J. Carol. Mônica procurou Lívia de Mello Motta e, desse encontro, formou-se a parceria que rendeu frutos, ou seja, o livro com a audiodescrição. Com ilustrações de Hugo Serra, a publicação saiu inicialmente com tiragem de mil exemplares. Desse total, 800 foram distribuídos em escolas públicas.
A aceitação foi tanta que surpreendeu a própria Mônica. “Hoje, o livro foi aprovado pelo MEC e indicado como paradidático”. A autora faz um trabalho com crianças carentes em favelas e a obra tem sido uma ferramenta importante de conscientização e inclusão das pessoas com deficiência.
Mônica assegura que está plenamente satisfeita com o resultado. “Para minhas filhas, todas as diferenças são naturais, tanto a cadeira de rodas quanto as pessoas com deficiência visual ou qualquer outro tipo. E essa semente é que espero disseminar em todos os leitores”, finaliza.
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Mônica Picavêa comemora o sucesso do livro com o ilustrador Hugo Serra
Experiência
A professora Lívia Maria Villela de Mello Motta trabalha com a audiodescrição desde 2004. Ela explica: “A técnica é um recurso de acessibilidade que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em eventos culturais, gravados ou ao vivo, como peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais, óperas, desfiles e espetáculos de dança, além de eventos turísticos, esportivos, pedagógicos e científicos, como aulas, seminários, congressos, palestras, feiras e outros, por meio de informação sonora”.
O desejo de Mônica era que as meninas, desde cedo, encarassem a relação com as diferenças de forma natural
Fotos Divulgação
A professora Lívia Maria Motta aposta na utilização da audiodescrição em inúmeras atividades
A professora dirige o Teatro Vivo, primeiro na aplicação da técnica no País. “Utilizamos um ator, locutor ou dublador para a narração, seja ao vivo ou gravada. Esses profissionais se submetem a um curso para se familiarizar com a audiodescrição. A partir daí, eles passam a exercer a atividade, pois não basta apenas ter uma boa condição de voz e interpretação. É fundamental que se conheça bem a técnica”, revela. Outra vantagem é o novo mercado de trabalho que se abre para quem tem como instrumento de ofício a própria voz.
Lívia faz questão de ressaltar que a audiodescrição também cumpre um papel de relevância em relação à inclusão cultural, social e escolar para pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos, provando a versatilidade do método.

Fonte:
http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/69/artigo253181-1.asp

Revista Sentidos - Encontro marcado com a tecnologia assistiva - A 12ª edição da Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, a tradicional Reatech, apresenta inúmeras novidades, sob o tema "Desperte para a inclusão" - A inclusão da pessoa com deficiência

Revista Sentidos - Encontro marcado com a tecnologia assistiva - A 12ª edição da Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, a tradicional Reatech, apresenta inúmeras novidades, sob o tema "Desperte para a inclusão" - A inclusão da pessoa com deficiência

domingo, 17 de março de 2013

A deficiência reversível


A deficiência reversível

Ainda não caiu no senso comum no Brasil, nem mesmo entre a classe médica, mas existe uma deficiência que é altamente reversível nos dias atuais: a surdez, em algumas condições.
“Aí, tiozão, pirou de vez?”
Não, meu povo. A tecnologia, felizmente, já consegue fazer uns ‘ziriguiduns’ no cérebro que são capazes de, grosso modo, reprogramar o escutador de novela avariado que volta a ‘funfar’ de uma maneira que beira ao milagre.
Digo isso a vocês porque acompanho um desses processo há uns dois anos por meio de uma de minhas primeiras leitoras mais fiéis, que se chama Lak Lobato.
Na imagem, Lak de chapéu, sorrindo, em uma festa de aniversário
Quando a conheci, ela fazia leitura labial para entender o que os outros falavam e pronunciava com alguma dificuldade, com um ruído na voz.
Lak perdeu quase toda audição na infância e cresceu surda. Mais tarde, bem mais tarde, conheceu uma alternativa para reativar o sentido perdido. Incrível.
Dia desses, em um dos meus plantões de final de semana, o telefone tocou e….
“Zairo….? Tudo bem? É a Lak!”
E a moça que não ouvia, agora, consegue até bater papo ao celular. O resto da história, ela mesma conta.
Importante é circularmos a informação, popularizar o tratamento (que nem todas as pessoas, infelizmente, conseguem ter resultado) e cobrar mais incentivo à ciência, à tecnologia séria que vai dar mais qualidade de vida para todos!

♥

“O dia em que voltei a ouvir”
Algo que muita gente não sabe é que, de certa forma, todos somos capazes de fazer milagres. E o meu , foi um milagre feito a muitas mãos, mas tudo começou aqui no Assim Como Você.
Lembro que há três anos e meio, vagueava na internet, na minha primeira semana de trabalho – e estava sem ter o que fazer – numa agência (sou publicitária) e cai nesse blog.  Identifiquei-me com a linguagem leve, de quem fala de deficiência sem pesar, sem mágoas, sem coitadismos.
Porque perdi a audição cedo, aos 10 anos de idade e me sentia meio diferente da maioria das pessoas ao meu redor. Muito porque a surdez não me privou do contato com as pessoas, só limitou um pouco. Sempre falei oralmente e sempre li lábios, o que já me colocava distante da maioria dos surdos, que utilizam a língua de sinais como forma de comunicação.
Aqui no ACV, pela primeira vez, eu me senti em casa. Não sei explicar essa união simbiótica que existe entre os leitores do blog. E justamente por me sentir bem, comecei a falar mais do assunto e acabei criando o próprio cantinho de textos, o “Desculpe, não ouvi!”, vulgo DNO. (clique no bozo para acessar!)

Lak, em frente ao computador, mostrando seu blog, o Desculpe, não ouvi!

Foi de lá que, escrevendo sobre surdez com foco exclusivo nos surdos que não usam a língua de sinais, um grupo pouco conhecido, veio a vontade de ouvir um pouco melhor do que os aparelhos que eu usava me permitiam. Por causa do blog, conversei com muitos usuários do Implante Coclear, que é uma tecnologia disponível que permite que deficientes auditivos de grau severo/profundo tenham acesso aos sons.
E, apesar de morrer de medo da anestesia, acabei encarando fazer essa cirurgia em outubro de 2009, que foi o despertar de todo um renascimento sonoro. A experiência está totalmente documentada na internet. Foi um momento lindo, com milhares de descobertas diárias de sons.
Meus textos acabaram servindo também de inspiração para muitas pessoas, com casos similares e outros nem tanto, buscarem o IC também. Acabei virando uma espécie de poetiza da comunidade implantada. Viajei para encontros de usuários do IC, dei palestras, entrevistas, gravei documentários. Tudo porque eu colocava poesia em cada som que ouvia, declarava o imenso prazer de sair daquela clausura silenciosa de quase três décadas.
Mas, apesar do entusiasmo, eu ainda dependia da leitura labial. Meu IC foi um sucesso no ponto de vista emocional, mas não auditivo. Minha cóclea, onde é inserido o feixe de eletrodos que substituem as células ciliadas da audição, não estava em bom estado físico e, dos 22 eletrodos de um feixe completo, somente 18 foram inseridos e 15 ativados.

Raio-x do crânio de Lak, onde é possível ver o implante internamente

Ainda assim, não me era motivo de desânimo ou tristeza. Sou surda desde os 10 anos e, apesar de ter encarado uma cirurgia para ouvir de novo, não tinha problema não ter conseguido isso plenamente. Minha surdez é parte de quem eu sou…
Meu médico sempre insistiu para que eu tentasse o IC no outro ouvido ainda não implantado, o direito. Ele achava que a chance de ter um ganho melhor era grande e a gente deveria tentar. Pior que já estava, certamente não ficaria…
Demorei exatos três anos para criar coragem. Muito mais pela preguiça dos ‘trocentos’ mapeamentos que o primeiro ano de implantada exige (mapeamentos são as programações feitas, aos poucos, para ajustar o som até ele ficar adequado ao tipo particular de perda auditiva que cada implantado tem), do que aversão a uma nova cirurgia.
A única coisa que pedi pro médico foi pra ele tentar o impossível para incluir todos os 22 eletrodos, porque sabia que os eletrodos a menos afetavam as frequências da fala e me obrigavam a continuar dependendo da leitura labial.
Todos os especialistas diziam, pelo tempo que fiquei sem ouvir (eram quase 26 anos) os resultados, a revelia da quantidade de eletrodos, iriam ser demorados e dependeriam de treino.
Pois bem, fiz a segunda cirurgia e, assim que acordada da anestesia, tive a confirmação que, daquela vez, a cóclea estava perfeita e foi possível inserir todos os 22 eletrodos facilmente. Chorei tanto quando tive a notícia, que parecia que eu já sabia tudo que me aguardava a partir dali.
São 30 dias entre a cirurgia e a ativação do aparelho e, pra mim, parecia que o tempo não passava. Acho que atormentei todas as pessoas ao meu redor por conta da ansiedade.
Quando ativei o aparelho, foi de acordo com o esperado. Bem baixinho e tudo o que ouvia se parecia com sinos. É, seria necessário esperar, quem saberia dizer quanto tempo?
Nove dias depois, Jairo fez aniversário (citando o fato só para ilustrar a coincidência!) e fizemos uma festa surpresa pra ele. Foi tudo lindo e perfeito, como deveria ser. Saindo da festa, peguei um táxi com o marido, já tarde da noite e eu estava olhando para o meu celular, quando ouvi a voz do Eduardo, claramente, dizendo “Passa em frente ao aeroporto e vira à direita”.
Foi o maior susto da minha vida! Vinte e cinco anos sem entender claramente sequer uma palavra sem ler lábios e entendi uma explicação complexa apenas nove dias depois de ativada.
No dia seguinte, tentei ouvir a primeira música – porque, embora eu conseguisse ouvir a melodia, com o IC esquerdo, eu não conseguia entender a letra – e foi um sucesso. Chorei rios de lágrimas por conseguir algo que, para todos os efeitos, estava totalmente fora do meu alcance. Cheguei a achar, de verdade, que nunca mais poderia fazer isso. E pude! Graças ao implante coclear.
A partir daí, comecei a tentar conversar com as pessoas sem olhar pra elas, para treinar entendê-las sem fazer leitura labial.

Mostrando a parte externa do IC

Duas semanas depois, veio um novo desafio: tentar utilizar o telefone. Para quem depende de leitura labial, esse é o desafio máximo, porque é somente o som que é transmitido pelo telefone, sem nenhum apoio visual, portanto, é a coisa mais difícil para a gente fazer. A primeira ligação foi de brincadeira com o Edu, que estava na sala e eu, no quarto. Não foi difícil, porque estou acostumada com a voz dele. Depois, fiz uma tentativa insana, liguei para minha melhor amiga, do nada. A conversa foi rápida, mas perfeita!  
É claro que ainda tenho chão pela frente, meu cérebro está reaprendendo a ouvir, coisa que não fez por duas décadas e meia. Mas, cada conquista minha é festejada, vira poesia, vira inspiração para muita gente. Eu me divirto de entender as frases ditas por gravação no edifício onde trabalho, com as coisas que as pessoas falam durante o abraço, de entender a conversa alheia da qual não faço parte, com a sensação de que os sons estão dentro da minha cabeça, porque a diferença de ouvir bem com dois ouvidos, de um só, é basicamente essa, com os dois, a sensação que dá é que o barulho entra diretamente no seu cérebro…

Lak em um momento de “deslumbramento sonoro” ao lado de uma pequena corrente de água

Ainda tenho minhas limitações, obviamente. O IC não curou a minha surdez, só me deu acesso aos sons. Sou péssima para entender em locais barulhentos (nesse caso, recorro à leitura labial), meu IC depende de pilha (ou seja, ela pode acabar em momentos imprevistos) e tenho que tirá-lo para dormir e tomar banho. Portanto, a praia continua tendo que ser curtida em silêncio.
Porém, independentemente de quaisquer limitações que o IC possa vir a ter, admito que vivo em estado de graça. Meu pai fez aniversário nesse meio tempo e pude, pela primeira vez na vida, fazer um simples telefone para desejar feliz aniversário.
Percebo que sou uma criança deslumbrada, no corpo de uma pessoa adulta. Quase tudo que tem a ver com som me é novidade. Me delicio, me divirto, me encanto, depois de quase três décadas de silêncio, com tudo o que é sonoro!
Jairo, de verdade, você pode dizer que seu blog é capaz de tudo, inclusive de milagres! O meu foi um deles!
Beijinhos sonoros!

 http://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br/2013/03/04/a-deficiencia-reversivel/

Leitura Labial no Esporte Espetacular

Leitura Labial no Esporte Espetacular

Escrito por laklobato em 12/03/2013 
 
Sexta passada (08/03/13) recebi um convite bem bacana: fazer transcrição de diálogo, por leitura labial, dos técnicos dos de volei Osasco Sollys e Amil Campinas.
Aceitei, claro, porque é o tipo de trabalho que adoro fazer. E preciso mesmo treinar a leitura labial antes que ela vá pro espaço por conta do sucesso do implante.
Por isso, sábado de manhã estava do lado de fora do estádio, na unidade edição móvel da Rede Globo, anotando o que os técnicos diziam às jogadoras durante o jogo.
Ao contrário do que muita gente imagina, não foi nada fácil, porque os monitores tinham apenas seis polegadas, mostravam imagens simultâneas dos dois treinadores, foi feito em tempo real (sem repetição), além de anotar o diálogo, precisava anotar o tempo em que foi dito e durou nada menos que 2hs.
Mas o resultado ficou bem bacana, numa matéria de 2 minutos, que foi ao ar domingo (10/03) pela manhã onde fui creditada como “a especialista em leitura labial Lak Lobato” (olha que chique) e pode ser visto na internet, no site da Globo. Por enquanto, sem legenda, mas prometo tomar providências quanto a isso em breve.
Abaixo, algumas imagens do “evento”:
Por trás das câmeras, na unidade de edição móvel.
E o que a câmera captava hehe
Beijinhos sonoros,
Lak
p.s. e como semana passada foi uma semana muito chique pra mim, também estive contando minha história do IC no blog do Jairo Marques, jornalista da Folha de São Paulo, o ASSIM COMO VOCÊ.

 http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2013/03/12/leitura-labial-no-esporte-espetacular/

Memórias auditivas antigas

Crônicas da Surdez 

Memórias auditivas antigas

Fiquei exatos dez anos sem pisar em Capão da Canoa, praia na qual passei todos os verões da minha vida até os meus 21 ou 22 anos. Este ano, após uns dias na Praia Brava, passei cinco dias em Capão. Chegando lá, que sensação esquisita. Há dez anos eu não usava aparelho auditivo como hoje (quase 24hs por dia), muito pelo contrário, abandonava os pobrezinhos na caixa e lembrava uma vez na vida e outra na morte de usá-los. O primeiro choque foi chegar na sacada, pela manhã, sem AASI. Meu cérebo logo me deu um toque: “onde estão os barulhos?”. Isso porque, em 2003, eu ficava na sacada e ouvia os carros passando, o barulho dos pneus em dia de chuva em contato com a água, o barulho das pessoas falando e caminhando na rua; e isso, sem ajuda alguma.
praia-de-capao-da-canoa-RS
O segundo choque foi na primeira noite, ao deitar na cama para dormir. Logo me veio à mente que, em 2003, eu deitava com um walkman e ficava escutando com ele todo o CD Ray of Light, da Madonna, até pegar no sono. Hoje em dia, música, somente conectando meus Pure Carat com o Tek ou com o miniTek via bluetooth.
O terceiro choque foi andando na rua, quando avistei um vendedor de casquinhas (não lembro o nome exato, mas eram casquinhas que a gente comprava na beira da praia, bem fininhas e crocantes). Esses vendedores sempre se anunciaram com um pedaço de madeira na mão que fazia barulho com um negócio de ferro, como vou explicar, o negócio meio que parecia um pandeiro. Em 2003, eu ouvia isso na beira da praia e saía correndo pra comprar. Esse ano, só ouvi porque estava de AASI.
O quarto choque foi tomar banho de sol no terraço do meu prédio, sozinha. Em 2003, quando fazia isso, ouvia uma barulheira danada lá de cima. Esse ano, não levei os AASI porque sabia que ia ficar suando horrores no sol e não quis arriscar, mas não aguentei a solidão daquele silêncio olhando pro céu azul e desci correndo pra buscar os benditos. Amo silêncio de noite, detesto silêncio de dia.
O quinto choque foi passar em frente aos prédios dos meus amigos de infância, lembrar de cada um deles e, automaticamente, lembrar também das suas vozes. Senti tanta saudade!
O sexto choque foi lembrar que, em 2003, eu conseguia conversar no celular (analógico, Tijorola, quem lembra daquilo?) com algumas pessoas cujas vozes eu conhecia de longa data, na janela do apartamento.
O sétimo choque foi acordar de manhã no mais absoluto silêncio e ter um flashback da infância, quando eu acordava ouvindo o vendedor de jornal gritando lá fora “Zeeeeero Hooooora”.
Enfim, foi bem esquisito constatar tudo o que a surdez me roubou em dez anos. Mas, bola pra frente. Sem tempo pra perder com lamentações! ;)

 http://cronicasdasurdez.com/memorias-auditivas-antigas/

domingo, 10 de março de 2013

Blogueira Paula Pfeifer relata com lucidez e bom humor sua deficiência auditiva

Blogueira Paula Pfeifer relata com lucidez e bom humor sua deficiência auditiva

Autora de dois sites com que somam quase 400 mil visualizações por mês, ela lança o livro "Crônicas da Surdez"


Blogueira Paula Pfeifer relata com lucidez e bom humor sua deficiência auditiva Jean Pimentel/Agencia RBS
Paula fala inglês, espanhol e português e lê lábios nos três idiomas: "Uma forma de arte", descreve Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS
Paula Pfeifer reencontra a infância em sons: o interfone, a chuva, o vento, a cantoria dos pássaros, os mosquitos rondando os ouvidos no verão. Esses elementos continuam preenchendo os cenários à volta, mas a nostalgia surge do tipo de contato que hoje estabelece com eles não fossem os aparelhos auditivos, por mais perto que estivesse da fonte do som, Paula, 31 anos, permaneceria absorta no silêncio.
FOTOS: imagens da infância e adolescência de Paula
Técnica do Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul, Paula criou os blogs Sweetest Person (sweetestpersonblog.com, com até 350 mil visualizações mensais), onde compartilha com sucesso dicas de moda, beleza e literatura, e Crônicas da Surdez (cronicasdasurdez.com, que alcança entre 25 mil e 30 mil acessos por mês). Aos 16 anos, recebeu o diagnóstico de "deficiência auditiva bilateral progressiva, neurossensorial, de caráter moderadamente severo e irreversível", que vem se intensificando e resultará em perda total da capacidade de ouvir. O nome comprido dava sentido, enfim, aos inumeráveis episódios de inadequação e constrangimento acumulados desde cedo.
"Desconfiar, sempre desconfiei. E neguei também, até chegar naquele ponto em que se torna impossível continuar vivendo como se o elefante branco não estivesse sentado bem no meio da sala", escreve ela em Crônicas da Surdez, livro com lançamento e sessão de autógrafos no próximo dia 20, na Livraria Cultura, em Porto Alegre.
A cientista social formada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) refaz o percurso completo, da estranheza diante das manifestações iniciais da "deficiência invisível" até a aceitação do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (Aasi), evitado ou escondido sob os cabelos por muito tempo. Surda oralizada, capaz de falar e fazer leitura labial (sem recorrer à linguagem de sinais), a autora recorda brincadeiras, aulas e rotinas em família comprometidas pelo problema, mas sem deslizar para a autopiedade. Ao imprimir bom humor e lucidez ao relato, compõe um conjunto tocante de lembranças.
— Rir de si mesmo é extremamente necessário. Só assim conseguimos transformar o peso da vida em leveza — ensina, em entrevista realizada depois da sessão de fotos para a capa de Donna. — Consegui transformar a autoestima, algo que antes era um ponto fraco, no meu ponto mais forte, e me orgulho disso. Foi assim que pude começar a ajudar outras pessoas que passam pelas mesmas coisas que já passei, e isso é absurdamente gratificante.
Paula fala português, inglês e espanhol e lê lábios nos três idiomas - "para mim, é como um superpoder, uma forma de arte" O projeto para o livro surgiu em 2012. Empolgada, a editora lhe deu um prazo de poucas horas para ver os originais, que ainda nem existiam. Concluídos no início de 2013, os primeiros exemplares chegaram em fevereiro. Paula repassou uma cópia à mãe no salão de beleza, onde ambas tinham agendado horários simultâneos - a primeira fazia as unhas, e a segunda, mechas no cabelo.
—Inundei o salão. O salão parou - descreve, chorando outra vez, a publicitária Ttizi Veras, 53 anos, mãe também do advogado Paulo Sérgio, 26. — Comecei a ver a minha vida ali. O que ela lembra é exatamente o que eu lembro. Somos superamigas, mas tem coisas que ela nunca tinha me falado, como o valor do barulho do mar.
Atualmente se submetendo a exames para verificar se está apta a receber um implante coclear (aparelho eletrônico inserido cirurgicamente na cóclea que transforma sons em impulsos elétricos, estimulando o nervo auditivo), a blogueira usa os Aasi o tempo todo, retirando-os apenas para tomar banho e dormir. Ainda assim, precisa aliar o dispositivo à prática da leitura labial para compreender as palavras captadas - do contrário, os diálogos seriam apenas um embaralhado desconexo.
A privação progressiva desse sentido a leva a se deter em detalhes quase insignificantes do dia a dia, absorvendo em deleite ruídos que a maioria não tolera ou nem chega a notar: o ar-condicionado, o ventiladorzinho que resfria o interior do notebook, o salto alto da vizinha do andar de cima batucando no teto. Sem o acessório, só identifica algo em altíssimo volume.
— Amo os sons, mas amo o silêncio também.

Crônicas da Surdez, de Paula Pfeifer.

Plexus Editora, 152 páginas,

R$ 39,90 (edição impressa) e R$ 27,90 (e-book).

Sessão de autógrafos no dia 20 de março, às 19h, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country (Av. Túlio de Rose, 80, telefone 51 3028-4033).
 
Paula conta que sua relação com os aparelhos auditivos é de amor incondicional

Foto: Jean Pimentel/Agência RBS
ENTREVISTA
Donna – Suas limitações começaram a aparecer ainda quando criança, mas você diz lembrar de uma infância com sons marcantes, que hoje só são detectados com o auxílio do aparelho auditivo: o interfone, a chuva, o vento, os bem-te-vis, o telefone, os mosquitos em dias de verão. Como você recorda esse período?
Paula Pfeifer – Tenho saudade da sensação de total autonomia que a época em que eu ouvia bem me proporcionou – atender um interfone, um telefone, não precisar me concentrar para conversar com várias pessoas ao mesmo tempo, coisas assim. Junto com isso vem uma sensação de não ter dado valor aos sons quando eles faziam parte da minha vida de modo natural. Mas qual é a criança que vai parar para pensar que um dia não vai ouvir mais?
Donna – Qual é o seu nível de audição hoje?
Paula – Sem o aparelho, eu fico do lado de um aspirador de pó e não escuto nada, nada, nada. Minha surdez bilateral começou leve, mas hoje está profunda. Os médicos não sabem a causa de ter sido progressiva. Tenho um resíduo auditivo e, em função dele, com o aparelho, saio da perda profunda e vou para a perda moderada. A única coisa que o aparelho faz é amplificar os sons ao redor. Mas a gente perde a capacidade de filtrar sons irritantes. Ele não amplifica seletivamente, ele amplifica tudo. Ao mesmo tempo em que estou pegando uma voz, estou pegando um carro ou um ônibus passando, gente berrando, um cachorro latindo. Dá um nó. Tem muita gente que não consegue se adaptar com o aparelho auditivo porque é muito louco. Você coloca o aparelho auditivo e passa um ano, no mínimo, indo e vindo da fonoaudióloga, fazendo ajustes. Fica abafado, fica muito alto, fica com som metálico. Hoje eu conecto meu aparelho com o iPad, com a televisão, com o telefone, com tudo. Há 10 anos, eles não faziam nada disso. Quando tiro os dois, não ouço nada. No máximo, um trovão. E o zumbido é 24 horas por dia. Mas ele já é meu companheiro faz tanto tempo que nem lembro que tenho. Não me incomoda. Tem gente que fica louca porque é muito irritante, desesperador.
Donna – Quando se pode optar, o silêncio total é uma possibilidade de fuga ou causa insegurança?
Paula – Amo os sons, mas amo o silêncio. Nem consigo dormir se estiver escutando qualquer coisa. O silêncio é reenergizante, mas não o vejo como uma fuga. Vejo como um "destino" familiar.
Donna – É impressionante descobrir, no livro, o grande número de situações que expunham a sua dificuldade de ouvir. Hoje você se surpreende ao lembrar?
Paula – No fundo, eu sabia. Quando tive o diagnóstico, não foi uma coisa chocante. Foi só juntar as peças: "Ah, agora tudo faz sentido!". Foi como montar o quebra-cabeça. Ao telefone, as pessoas me perguntavam uma coisa e eu respondia outra. Numa conversa, eu comentava algo que já havia sido dito. Você vai indo, vai indo... E eu consigo ler lábios em inglês, espanhol, qualquer língua em que eu tiver vocabulário vou saber ler. Mas eu não aprendi, ninguém me ensinou. Foi uma adaptação minha. Eu ia nas fonoaudiólogas e elas não tapavam a boca na hora de me mandar repetir as palavras. "Bo-la, co-la, mo-la", eu só repetia tudo que elas iam falando. Até hoje, quando penso em alguém, lembro da boca da pessoa, e não do rosto dela. E é até engraçado porque, dependendo da pessoa com quem você está falando, ela fica ansiosa, pensando que você está louco para tascar um beijo (risos).


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(...) Segui as regras do edital e concorri às vagas reservadas para pessoas com deficiência. Fui aprovada e chamada para assumir o cargo uns seis meses depois. Começou, então, uma nova etapa na minha vida. (...) Na repartição em que assumi, só havia uma pessoa com deficiência física - e, ainda que ele usasse muletas, não existia rampa de acesso na entrada. Lembro o meu primeiro 'choque'. Uma colega foi apresentar os três novos técnicos a outros funcionários e disse o seguinte: 'Estes são o fulano e o beltrano e esta é a Paula, a deficiente'. Sair do silêncio para o mundo dos sons que os ouvintes conseguem minimizar, como buzinas, carros passando, portas batendo, ruídos de todos os lados e dezenas de pessoas falando ao mesmo tempo, era desesperador. Quando chegava o fim do dia, a primeira coisa que eu fazia ao chegar em casa era desligá-los (os aparelhos auditivos).


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Donna – Você ficou amiga de uma menina surda no colégio, uma maneira de buscar identificação e amparo.
Paula – Ela teve meningite quando pequena e perdeu a audição de uma maneira que nenhum aparelho ajuda. Um colega um dia me perguntou: "Como é que só você entende o que ela fala?". Como ela não ouvia a própria voz, a voz dela era diferente. Para as outras pessoas, era mais difícil. A gente estava sempre conversando sem som. Nos separaram, para a gente calar a boca, mas eu ficava num canto e ela no outro, e a gente continuava conversando, sem som.
Donna – Que importância tinha a música na sua vida? Costuma ser um elemento muito marcante para um adolescente.
Paula – Quando ganhei meu primeiro som, com CD, lembro que sempre ficava aumentando um pouco mais o volume e ouvindo a música repetidamente, lendo a letra até entender. Depois da 15ª vez, eu pegava. Até hoje, no meu celular, tenho paixão por ficar ouvindo as músicas daquele tempo. Gosto de músicas que não têm muita coisa de fundo, com mais voz e mais devagar, aí consigo ir pegando tudo. Demora até eu dizer "Aaaah, entendi!". Gosto de Jack Johnson, de Ben Harper, esses que têm a voz mais calma.
Donna – O que você sente quando pensa na época mais reclusa da adolescência? Parece ter sido um tempo desperdiçado?
Paula – Penso na bobagem que é perder tempo com medo. Medo do futuro, medo dos outros, medo do desconhecido. O que a vida quer de nós é coragem, e ela é tão curta. Investia meu tempo em leitura, aliás, vício que me acompanha até hoje. Sou uma devoradora de livros.

Paula e seu laptop, companheiro no silêncio e na solidão da escrita

Foto: Jean Pimentel/Agência RBS
Donna – Como foi receber o diagnóstico de "deficiência auditiva bilateral progressiva, neurossensorial, de caráter moderamente severo e irreversível"?
Paula – Eu tinha 16 anos. Fiquei mais preocupada com o que ia me acontecer, com o que as pessoas iam pensar, do que comigo. No fundo, eu já sabia. Foi só alguém chegar e me dizer o que eu já deveria saber há muito tempo. Claro que, durante um tempinho, fiquei naquela fase de "Meu Deus, um dia eu não vou ouvir nada". Naquela época, ninguém falava em implante coclear. É como se me dissessem: "Escuta mais um pouco porque vai chegar o dia em que você não vai escutar nada e vai ficar presa no silêncio para sempre". Às vezes, ficava pensando, bem pirada. Chega um ponto em que o aparelho não ajuda mais. A minha surdez é progressiva. Em 10 anos, minha audição despencou bastante. Há alguns anos, encontrei uma grande amiga fonoaudióloga para ajustar o som dos aparelhos. Ela me perguntou por que eu tinha tido tanta resistência em usá-los. Respondi que, como sentia medo de que chegasse o dia em que não ouviria mais nada nem mesmo com eles, a ideia de me apegar de novo ao som me assustava. Então, ela falou: "Mas aí você faz um implante coclear!". Foi como se ela tivesse aberto um portal de luz. Caí numa choradeira tão intensa de alívio que nem ela se aguentou e chorou um rio de lágrimas junto comigo.


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Várias crianças em meu prédio frequentavam a mesma escola, e fazíamos um rodízio semanal entre os pais. Quando era a semana da minha mãe nos levar para a aula, eu ficava tranquila. Quando era a vez dos outros pais e mães, eu ficava nervosa, pois eles sempre davam um jeito de bater papo com a gente no trajeto até lá. E eu não conseguia entender o que eles diziam, já que eu sentava no banco traseiro e eles falavam olhando para a frente. Foram várias as vezes em que os outros pais viraram para trás e me disseram: ‘Paula, estou falando contigo, não ouviste?’ Não... Não tenho vergonha de dizer que amo o som, mas também adoro o silêncio. Só transitando entre esses dois mundos para poder dar o valor que cada um possui. Nunca consegui identificar no silêncio as trevas sombrias que muitas pessoas veem nele. O silêncio me acalma e me reenergiza. Minha cabeça não tolera 24 horas ininterruptas de sons, por mais deliciosos que eles sejam. Preciso me ‘desligar’ por algumas horas para acordar bem no outro dia. Talvez seja uma forma de iniciar cada novo dia sendo capaz de me comover e me deliciar com descobertas e redescobertas sonoras.


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Donna – Aceitar o diagnóstico foi difícil, e você não queria que os outros vissem que você usava aparelho auditivo. Qual foi a situação limite que a levou a assumir de uma vez a surdez?
Paula – Eu botava o cabelo para a frente, apavorada, achando que alguém descobriria o meu segredinho. Um dia, na aula, uma guria perguntou, olhando essa coisinha (uma pequena parte que fica para fora da orelha): "O que é isso?" Respondi que era para botar remédio no ouvido e saí correndo. Fui para o banheiro e tirei o aparelho. Foi libertador quando caiu a ficha de que eu precisava dele. Dá mais segurança, facilita a vida. Perdi aquela sensação de que estava sempre me defendendo. Estava num lugar e não sabia se estava pegando fogo, você fica naquele silêncio e não sabe o que está acontecendo ao redor. A situação limite foi quando fui visitar o meu tio em Londres, e só tinha uma chave da casa. Ele saía às 6h e voltava bem tarde. Cheguei antes, com a chave. De repente, comecei a ouvir um barulho. "Será que estou louca?" Minutos depois, resolvi olhar pela janela e vi ele lá fora, congelando, atirando pedrinhas na janela e pedindo para eu abrir a porta. Gente, que vergonha... Ele deve ter ficado uma hora atirando pedrinhas. Nessa época, o aparelho ficava na caixa e, no dia que me desse na telha, eu usava um pouquinho.
Donna – Você relata algo interessante sobre a entrada na faculdade. É um momento especial para todo jovem, mas para você tinha um desafio extra: novos professores, novos colegas e novas bocas e vozes para decifrar. Você recebeu até um apelido pela suposta antipatia. Por fim, a surdez virou o tema do seu trabalho de conclusão. Parece um ciclo completo, do enfrentamento da dificuldade à aceitação, produzindo algo positivo.
Paula – Me chamavam de "Disapel, a mais simpática" (em referência à propaganda de uma loja). Tenho uma boa lembrança dessa época. Meu trabalho falou da escolha da modalidade linguística pelas famílias das crianças surdas. Quem escolhe é a família. Se uma criança nasce sem ouvir nada, é o pai ou a mãe quem vai decidir se ela vai usar língua de sinais, se vai fazer um implante coclear, se vai colocar aparelho.
Donna – Você gosta da sua voz?
Paula – Nunca prestei atenção. Fiquei com trauma da minha voz porque, uma vez, fiz um vídeo e coloquei no You Tube. Era com um cabeleireiro fazendo uma escova. Aí eu ia perguntando o que ele estava fazendo. Alguém deixou um comentário dizendo que eu era muito chata, que a minha voz era muito irritante, que parecia que eu tinha um osso entalado na garganta. Saí perguntando para os meus amigos se a minha voz era mesmo horrível. Uma pessoa que não escuta a própria voz não tem como controlá-la para que saia bonitinha.
________
"A lembrança é clara, mesmo que tenham se passado 25 anos. No apartamento em que morávamos, havia um corredor em formato de S, pelo qual eu adorava correr. Numa tarde, lembro-me de encostar a cabeça na parede e chamar minha mãe, gritando: 'Mãe, tem um apito no meu ouvido!' É a memória mais antiga da minha surdez. Convivo com o tinnitus aureum desde criancinha - naquela época, jamais imaginamos que era um sintoma de perda auditiva."
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Donna – Que sons se destacaram mais depois que você passou a gostar de usar o aparelho?
Paula – O mais prazeroso de ouvir é a voz das pessoas de que a gente gosta ou de pessoas novas. A voz carrega muito de alguém. Quando você não ouve, e de repente começa a ouvir, é como se conhecesse a pessoa de outra maneira. A voz dá outras pistas. Às vezes, você não conhece a voz e a pessoa agrada, mas depois... Para mim é importante. A voz traz muita lembrança. Acho que voz é que nem cheiro. Você chega a algum lugar e sente o cheiro de uma flor que pode levá-lo lá para a fazenda da sua avó. Com voz é a mesma coisa. Você fica 10 anos sem falar com um amigo, aí ouve a voz dele e parece que volta ao passado.
Donna – Há situações que continuam causando sofrimento? A insensibilidade e a falta de educação ainda a chocam ou você acha que já vivenciou o suficiente para se acostumar?
Paula – Sofrimento é uma palavra forte, eu usaria desconforto. Acho que a única coisa que ainda me irrita é quando alguém tenta me desmerecer perante outra pessoa. Situações como, por exemplo, A ouvindo B falar maravilhas a meu respeito e soltar um "Ah, mas ela é surda!", como se esse fato colocasse no ralo todas as minhas qualidades. Imagine uma situação como essa, e a pessoa falando coisas como "Ah, mas ele é gay", "Ah, mas ela é gorda", "Ah, mas ele é pobre". Em qualquer caso, é patético. Outra coisa que me deixa desconfortável é ouvir pessoas desmerecendo as necessidades de acessibilidade dos surdos oralizados. Lembro que uma vez comentei que não gostava de ir ao teatro pela falta de acessibilidade e tive que ouvir um "Ah, mas aí você já está querendo demais". Pode?
Donna – No livro, você comenta que não há deficiência melhor ou pior.
Paula – Cada deficiência afeta a vida da pessoa de um modo peculiar, e só quem a vive pode julgar isso. Como alguém pode dizer que ser cego é pior ou melhor do que ser surdo, do que ter dificuldade de locomoção? Isso não existe.
Donna – Chamá-la de "surda" não é mais uma ofensa. Quando essa palavra deixou de ser proibida?
Paula – Há muito tempo. Surdo é quem não ouve ou ouve mal. A preocupação com terminologias não vai mudar o fato de que eu não escuto quase nada sem a ajuda da tecnologia.
Donna – E a vida afetiva? Apresenta muitas dificuldades?
Paula – A primeira vez que saí com um argentino, expliquei que não poderia ir a um lugar barulhento e escuro. Fiquei receosa, pensando aonde ele escolheria me levar. Para minha surpresa, ele não só fez reserva num restaurante iluminadíssimo como escolheu uma mesa num local reservado, praticamente sem barulho algum. Aí foi facílimo passar a noite inteira conversando, em português, espanhol, inglês. Na hora do aperto, no bom e velho portunhol. Lembro que comentei que tinha vergonha de não saber pronunciar certas palavras em espanhol, e ele me deu uma lição de vida fazendo um discurso sobre o quanto ninguém jamais deve ter vergonha de tentar se comunicar, da maneira como for.
Donna – Sua mãe ficou extremamente emocionada ao ler o livro.
Paula – Não mostrei para ninguém antes que estivesse pronto e impresso. Apenas a editora e um grande amigo viram. Entreguei um exemplar para minha mãe enquanto estávamos no salão de beleza – ela arrumando o cabelo, eu na manicure. Fiquei observando de longe e me surpreendi com a reação dela: lia, chorava, lia, chorava. Ainda não sou mãe e não imagino qual seja a sensação de acompanhar as agruras e as conquistas de um filho, mas imagino que seja uma sensação única e indescritível. Nos olhamos com um olhar cúmplice, e eu disse, sem som, pois ela também é expert em leitura labial: "Para de chorar e não me faz pagar mico" (risos).

Primeira paciente a receber implante coclear bilateral simultâneo no Rio Grande do Sul

Primeira paciente a receber implante coclear bilateral simultâneo no Rio Grande do Sul

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Fonte: Zero Hora - reportagem de Larissa Roso
Em uma sala de espera do Hospital Santa Clara, na Capital, a dona de casa Vera Lucia Ferreira de Lima, 40 anos, deliciava-se com uma dúvida: que palavras gostaria que a filha ouvisse ao abandonar a surdez total? Entre tantos apelidos afetuosos, “amor”, “amor de mãe”, “coração” ou “tuti”?  Primeira paciente a receber um implante coclear bilateral simultâneo no Rio Grande do Sul, Francielly, aos dois anos e meio, escutou a voz e o choro dos pais na quarta-feira pela manhã.
Saiba mais
Como funciona o implante coclear

Um mês depois da cirurgia que permitiu a colocação dos dispositivos eletrônicos a partir de incisões atrás das orelhas, a família de Uruguaiana voltou a Porto Alegre para a ativação do implante. A fonoaudióloga Márcia Kimura, vinda de São Paulo especialmente para esse procedimento, programou os eletrodos para funcionar, observada por uma atenta equipe do Ambulatório de Otorrinolaringologia. Recepcionou Francielly com um coala de pelúcia usando dois aparelhos auditivos.
— Que lindo o seu “papapá” novo. Você viu o “papapá” do coala? Igual ao seu — comentou Márcia, batizando com uma alcunha mais simpática o processador de som.
Há crianças que choram ou se inquietam quando o implante coclear é acionado – para quem vive no silêncio completo, o contato inicial com os sons pode parecer assustador. Ao ouvir os ruídos de teste emitidos por um programa de computador, Francielly, que tem uma deficiência auditiva profunda diagnosticada nos primeiros meses, levou a mão imediatamente ao ouvido esquerdo. Logo cobriu o rosto com as duas mãos, a boca aberta em um biquinho, como se demonstrasse o espanto provocado pela novidade.
— Está ouvindo? — perguntou o pai, o militar aposentado Nilton Sertório Garcia Escobar, 59 anos, em lágrimas, segurando-a no colo.
Francielly apontava com o dedo o próprio ouvido
Márcia avisou que o microfone passaria a captar os sons do ambiente. Olhou para Vera, sinalizando que chegava o momento que a mãe aguardara em ansiosa expectativa.
— Oi, coração — saudou Vera, tirando fotos.
Francielly traduziu o estranhamento em tranquilidade. Apontava com o dedo o próprio ouvido, depois o ouvido do pai, fazia “sim” movimentando a cabeça, respirava fundo. Segundo a fonoaudióloga, mesmo se tornando agora capaz de escutar, ela ainda não consegue fazer a associação entre as palavras e os seus significados – terá que aprender, como qualquer criança, a dar nome aos objetos e às pessoas que a cercam.
— Hoje ela nasceu auditivamente — definiu Márcia.
A primeira suspeita de comprometimento da audição surgiu no segundo mês de vida. Vera preparava o almoço, e Francielly repousava no bebê-conforto, a pouca distância. Num descuido, a mãe deixou a tampa de uma panela de ferro cair no chão. Apesar do estrondo, a filha não esboçou qualquer reação. Seguiram-se outros episódios que aumentaram a desconfiança, como o dia em que a menina dormiu o tempo inteiro, imperturbável, durante uma festa de aniversário que teve queima de fogos de artifício.
Aos três meses, o teste da orelhinha, que deveria ter sido aplicado imediatamente após o parto, indicou alterações, e exames subsequentes comprovaram a surdez. Um dos ouvidos mantinha um resquício de audição, capaz de registrar apenas barulhos em volume altíssimo. Vera diz que a filha jamais atendeu a um chamado. Francielly chegou a usar um aparelho externo, mas, com um ano de idade, a perda já era total.
— A perspectiva de a minha filha viver em silêncio a vida inteira era terrível — conta Nilton, emocionado ao lembrar o dia em que ela, ao final do culto na igreja que frequentam, dirigiu-se até um piano e pressionou as teclas, produzindo um arremedo de canção que não conseguia captar.
Próximo passo, aulas na Turminha do Pernalonga
Durante o período de avaliações médicas e tentativas de obter a cobertura completa do plano de saúde para o implante – dos R$ 177 mil totais, Nilton terá de arcar com R$ 35 mil, parcelados em 10 anos –, a família adaptou a linguagem. O casal e os filhos dos relacionamentos anteriores de ambos desenvolveram códigos para integrar a caçula na rotina.
Há gestos para representar as atividades mais comuns: comer, beber suco, tomar banho. Francielly aperfeiçoou a gramática doméstica, indo além do be-a-bá dos sinais: mostra a palma da mão, pedindo que o interlocutor aguarde, e manda beijos ao executar alguma traquinagem que certamente receberá o olhar reprovador dos pais. Afeita ao convívio com os demais, interagindo sem constrangimento por meio de balbucios, Francielly sempre provoca a curiosidade dos adultos.
— Por que ela não fala? A minha filha fala de tudo — questionou uma mãe na pracinha, certa vez, iniciando um diálogo que se repete em outras ocasiões.
— Ela não escuta, mas ela vai escutar — respondeu Vera.
A dona de casa antecipa o próximo foco da curiosidade alheia: os acessórios que compõem a parte externa do implante coclear, visíveis sobre as orelhas e o couro cabeludo. Busca dicas de adaptação e até alguns truques em fóruns de discussão na internet, mas garante não se importar.
— Todo mundo fala e a sua filha não fala. Dói, né? Eu sei que a deficiência nunca vai deixar de existir, mas ela vai ter uma chance — comemorou a mãe.
Depois da regulagem, a família recebeu orientações sobre a manutenção do aparelho, que será retirado na hora do banho e de deitar. A próxima consulta deve ser realizada em até três meses.
— No início, orientava-se colocar o implante somente em um ouvido. Nos últimos cinco anos, os estudos mostram que as crianças têm um desenvolvimento muito melhor quando o implante é bilateral. Uma coisa é enxergar com um olho, outra é enxergar com os dois olhos — comparou Maurício Schreiner Miura, coordenador do Programa de Implante Coclear da Santa Casa. — Foi um sucesso. Ela vai ter uma vida normal — acrescentou o otorrinolaringologista que acompanha a paciente.
Antes de seguir para a rodoviária, onde o trio tomaria um ônibus para as nove horas de viagem até a Fronteira Oeste, Vera listou os planos mais imediatos para Francielly: o início das aulas na escola infantil Turminha do Pernalonga, na segunda-feira, brincadeiras no pátio com os cachorros Bidu e Lobo, sessões dos desenhos animados preferidos, com os personagens Pica-pau e Bob Esponja. Logo mais, um curso de balé, para o qual a malha rosa e a saia rodada já foram compradas – Francielly adora dançar.
— Agora ela vai ouvir música e o som dos passarinhos — disse a mãe.

Fonte:
http://cronicasdasurdez.com/primeira-paciente-a-receber-implante-coclear-bilateral-simultaneo-no-rio-grande-do-sul/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+CronicasSurdez+%28Cr%C3%B4nicas+da+Surdez%29

segunda-feira, 4 de março de 2013

Acessibilidade para surdos oralizados nas faculdades e cursinhos preparatórios para concursos

 Crônicas da Surdez

 

Acessibilidade para surdos oralizados nas faculdades e cursinhos preparatórios para concursos

ACESSIBILIDADE
Sou membro da Comunidade dos Surdos Oralizados no Facebook. Trocamos muitas idéias por lá, e resolvi perguntar para o pessoal o que seria acessibilidade para nós na faculdade e em cursinhos preparatórios para concursos. Quando se trata de surdos sinalizados, é relativamente simples, pois o pedido principal é um intérprete de língua de sinais, coisa que, no nosso caso, não tem serventia alguma. Dêem uma olhada nas respostas que o pessoal deu para a minha indagação.

  • Professores com a luz acesa na sala, pois não dá pra fazer leitura labial no escuro. Eles apagam quando tem datashow, e também costumam passar filmes ou documentários dublados;
  • Sistema FM disponibilizado pela instituição.;
  • Falar olhando para a turma. Quando fiz faculdade, muitos professores tinham o hábito de dar aula de costas, escrevendo no quadro;
  • Material audiovisual SEMPRE LEGENDADO. Professor falar sempre voltado para os alunos. Sistema de sonorização especial “aro magnético – hearing loop”. Distribuição de resumos das aulas com bibliografia para que os alunos possam complementar a informação em casa. E lutar por aulas com legendagem por estenotipia presencial como a Diéfani Favareto Piovezan relatou no blog dela, recurso que é oferecido em universidades dos EUA;
  • A maior importância é o PROFESSOR. O aluno, a aluna têm que estar de frente ou próximo dele. Há momentos em que ele pede para copiar no caderno, ou seja, fala e faz os alunos copiarem no caderno. Melhor ficar ao lado do colega ouvinte e copiar…na maioria das vezes, o professor tem de ficar em frente dos alunos. Quanto às palestras, não assisto, pois não dá para eu entender. Fica fácil com aquele sistema de estenotipia. Quanto a fazer trabalho em equipe, é preciso dar cooperação e combinar que cada um fará a sua parte (na época, fiz sozinha alguns trabalhos de grupo);
  • Se a faculdade/Universidade oferecesse estenotipia seria perfeito;
  • Professores sem bigode;
  • O meu maior problema na faculdade foi quando os professores insistiam em ditar a matéria. Mesmo falando em particular para cada um deles sobre a dificuldade de um surdo oralizado copiar matéria ditada (não dá para fazer leitura labial e escrever ao mesmo tempo, né?), nunca isso era respeitado.

Não entro numa sala de aula há muito tempo. Mas lembro de como era cansativo ter que ficar perseguindo as bocas dos professores com os olhos. Voltava para casa vesga! No meu tempo a única ‘acessibilidade’ era chamar os professores num cantinho reservadamente e implorar: “oi, lembra que eu existo e preciso enxergar a sua boca para acompanhar a aula, por favor?”
Não deixem de ler o post completo no Igualmente Diferentes sobre a transcrição de aulas nos Estados Unidos. Embora esse serviço seja inexistente por aqui, ele existe, e seria sensacional contar com esse recurso. Não vejo mistério algum, apenas falta de conhecimento e de vontade das instituições de ensino. Mas o que me deixa fula são esses cursinhos preparatórios para concursos, que agora têm quase somente videoaulas, e todas elas SEM LEGENDA. Como é que pode uma coisa dessas??
 http://cronicasdasurdez.com/

Par Especial: a diversidade e os relacionamentos na Internet

 

 Crônicas da Surdez

Par Especial: a diversidade e os relacionamentos na Internet

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O ambiente digital ganhou, neste mês, uma rede social 100% voltada à pessoas com deficiência, o www.ParEspecial.com.br. O site tem o objetivo de incluir e aproximar um público com necessidades, interesses e aptidões específicos e muito especiais.
Dados do IBGE mostram que cerca de 24% dos brasileiros sofrem de algum tipo de deficiência, das mais leves às mais severas. Entre elas, a deficiência motora é a segunda mais relatada, ou seja: mais de 13,2 milhões de pessoas afirmam ter algum grau de dificuldade desse tipo – o que equivale a 7% da população do País. Além destes, 2,1 milhões de brasileiros declaram ter deficiência auditiva severa. Já a deficiência mental ou intelectual foi declarada por mais de 2,6 milhões de pessoas.
Maxx Figueiredo é artista e idealizador do portal. O Par Especial possibilita às pessoas que se conheçam, falem sobre suas histórias, mostrem sua personalidade, interesses e aptidões em um ambiente que permite à pessoa com de deficiência buscar amizades e estabelecer relacionamentos pessoais e amorosos sem medo. O cadastro é gratuito.
Fica a dica! ;) 
 http://cronicasdasurdez.com/