RYBENINHA

RYBENINHA
SINAL: BEM -VINDOS

DÊ-ME TUA MÃO QUE TE DIREI QUEM ÉS



“Em minha silenciosa escuridão,
Mais claro que o ofuscante sol,
Está tudo que desejarias ocultar de mim.
Mais que palavras,
Tuas mãos me contam tudo que recusavas dizer.
Frementes de ansiedade ou trêmulas de fúria,
Verdadeira amizade ou mentira,
Tudo se revela ao toque de uma mão:
Quem é estranho,
Quem é amigo...
Tudo vejo em minha silenciosa escuridão.
Dê-me tua mão que te direi quem és."


Natacha (vide documentário Borboletas de Zagorski)


SINAL DE "Libras"

SINAL DE "Libras"
"VOCÊ PRECISA SER PARTICIPANTE DESTE MUNDO ONDE MÃOS FALAM E OLHOS ESCUTAM, ONDE O CORPO DÁ A NOTA E O RÍTMO. É UM MUNDO ESPECIAL PARA PESSOAS ESPECIAIS..."

LIBRAS

LIBRAS

LIBRAS

LIBRAS
"Se o lugar não está pronto para receber todas as pessoas, então o lugar é deficiente" - Thaís Frota

LIBRAS

LIBRAS
Aprender Libras é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender Libras é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz.... apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver.” Luiz Albérico B. Falcão

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS

QUANDO EU ACEITO A LÍNGUA DE SINAIS
“ A língua de sinais anula a deficiência e permite que os sujeitos surdos constituam, então, uma comunidade linguística minoritária diferente e não um desvio da normalidade”. Skliar

domingo, 25 de março de 2012

O Senado aprovou nesta quarta-feira (14/03/2012) projeto que obriga as operadoras de telefonia celular a conceder descontos no envio de torpedos para clientes com deficiência auditiva ou de fala.


O Senado aprovou nesta quarta-feira (14/03/2012) projeto que obriga as operadoras de telefonia celular a conceder descontos no envio de torpedos para clientes com deficiência auditiva ou de fala.  Pelo texto, os clientes terão direito a planos com tarifas reduzidas para serviços de mensagens SMS tanto em celulares pré-pagos como pós-pagos.  Como o projeto foi aprovado em caráter terminativo pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, segue para análise da Câmara dos Deputados se não houver recurso para ser votado no plenário da Casa.
"Em tempos de desenvolvimento sem precedentes de novos meios e plataformas de comunicação, adquire especial importância a criação de mecanismos que evitem a condenação de qualquer segmento populacional à exclusão pela dificuldade de acesso a esse mundo", disse o senador Paulo Paim (PT-RS), relator do projeto.  Segundo o senador, a legislação da acessibilidade já prevê a oferta de planos específicos para os deficientes auditivos --mas na prática a determinação não é cumprida pelas operadoras.
"Tal norma não é cumprida, o que justifica o tratamento da questão por via legislativa, em norma de maior poder coercitivo."
O projeto altera o artigo 3º da Lei Geral de Telecomunicações (Lei 9472/97), na qual estão previstos direitos dos usuários de telefonia.
FONTE: http://paulohenriquelibras.blogspot.com.br/

Entrevista com Karin Strobel

IDENTIFICAÇÃO:
 Nome: KARIN STROBEL
 Cidade: FLORIANÓPOLIS
 Estado: SC   País: BRASIL
 Formação:
  PEDAGOGA e DOUTORA EM EDUCAÇÃO
 Profissão: PROFESSORA (3 disciplinas)
 E TUTORA DE LETRAS/LIBRAS – UFSC
 Locais de Trabalho: UFSC
 Locais de Estudo: UFSC
 Contatos: kstrobel@uol.com.br
Karin Strobel, em Jurerê – Florianópolis / SC (2006)

ENTREVISTA:
1) Você nasceu surda? Conte um pouco como foi sua infância, adolescência e juventude?
Eu nasci em Curitiba, a adorada terra do pinhão, uma cidade conhecida por sua limpeza e de suas soluções urbanas inovadoras assim como o sistema de ônibus modernos de onde tenho orgulho de ter sido gerada e atualmente moro em outra cidade que conquistou profundamente o meu coração… Fiquei uma autêntica ‘manézinha da ilha’ com saias coloridas e sandálias baixas, a Florianópolis com suas lindas praias e famosa ponte!
 Nasci ouvinte e com quatro dias de vida em hospital eu tive um resfriado muito forte e o médico me deu remédio, o antibiótico – excessivamente forte para um recém-nascido – que em conseqüência disto enfraqueceu os meus nervos auditivos e fiquei surda profunda.
 Tive uma infância feliz com família muito unida, mas também confusa. Porque muitas vezes fui incompreendida pela sociedade, quando adolescente tive aquela fase chamada de ‘crise de identidade’, tratava-se de anos e anos de disputa pelo espaço social em ambientes cheios de estereótipos negativos sobre a cultura surda.
 Isto fazia e ainda faz parte de um processo mais extenso dos diferentes ‘olhares’ das representações sociais ouvintes que consideravam os sujeitos surdos como seres ‘deficientes’ e incapazes.
 O mais importante para mim foi o amor da minha mãe, que me apoiou e motivou em todos os momentos na construção de minha identidade surda e de me tornar uma vencedora na vida.
 A construção de minha identidade surda foi possível a partir de quando a família aceitou a minha surdez na fase de adolescência, e isto me fez conhecer a mim mesma com profundidade, afastando meus medos e acreditar no meu potencial de praticar os maiores desafios na vida cotidiana.
 Em uma sociedade que quando se valoriza demais a audição e a fala, automaticamente estamos sendo preconceituosos contra os que não ouvem e não falam.
 Cito uma situação que aconteceu comigo, há muitos anos atrás eu queria muito fazer especialização na área de educação dos surdos, a equipe da escola inicialmente disseram que eu não daria conta e aconselharam eu tentar outra profissão, mas felizmente o próprio diretor da instituição me incentivou dizendo para eu tentar, não desistir e lutar pelo o que queria. Graças a estes tipos de sujeitos que acreditam em nós os surdos, hoje sou pedagoga e doutora em educação.
 Por isto, uso minhas próprias experiências da infância não somente como aluna surda, sim como ‘ser surda’ para lutar pelo povo surdo o direito de nos escolhermos a língua e de construção de identidades sem a imposição ‘normalizadora’ da sociedade que impõe aos sujeitos surdos que sejamos ‘normais’, isto é, que falemos e ouçamos para que sejamos aceitos na vida social.
 Mas hoje noto que a sociedade brasileira já esta percebendo das existências de pequenos grupos culturais, tais como os povos indígenas, os povos negros, os povos surdos, os homossexuais e outros, e assim começando a compreender e respeitar as culturas diferentes, grupos com suas culturas não como inferiores e sim em nível de igualdade, mas que ao mesmo tempo são diferentes. Isto acontece porque as comunidades surdas, dentre as outras, lutam pelos seus direitos como cidadão de serem considerados como sujeitos ‘diferentes’ e não como ‘deficientes’, de reconhecimento do potencial de cada sujeito surdo, estabelecendo relações sociais justas e igualitárias!
 O que guardo de bom da infância foi ter aprendido a ter perseverança diante de todas as dificuldades e a superação das limitações impostas pela sociedade que me consideravam um ‘deficiente’.
 Hoje me considero uma adulta guerreira da vida com um corpo surdo mais forte com uma ancoragem positiva de identidade surda e hoje luto por reconhecimento e aceitação da cultura surda!

Karin Strobel, aos 7 anos de idade

2) Você estudou em qual(ais) escola(s)? E Como se deu sua formação em nível superior?
Na maior parte de minha infância estudei em uma escola para surdos de Curitiba onde usavam metodologia oralista, que foi implantada recentemente na época, horas e horas de treinamento com as aparelhagens e fones diante de espelhos para imitar as articulações dos lábios.
 Conseqüentemente, aprendi a falar, mas não sabia me comunicar adequadamente, só ficava repetindo as palavras, igual a um papagaio sem entender seus significados, tudo muito mecânico e sem emoções, somente depois de aprendizagem de libras durante a adolescência é que me libertei desse mundo de clonagem dos ouvintes e me expressei autentica ‘eu’ que estava adormecido no interior!
 Paralelamente com a escola para surdos, estudei em outro período do dia em muitas escolas inclusivas e reprovei várias vezes – não por preguiça e sim por dificuldades de adaptação á cultura ouvinte, por exemplo: na minha fase de alfabetização em escola de ouvintes, a professora em sala de aula mostrava figuras de alface, avião e abacaxi e comparava-as com letra ‘a’, eu não entendia o porquê dessas comparações, pois não encontrava a letra ‘a’ nas figuras. Olhava, olhava e ficava confusa, isto porque na cultura ouvinte, nestas escolas, os professores ensinavam a língua portuguesa em associação aos sons, outra situação parecida é, dentro de textos a gente tem de perceber quais as palavras são oxítonas, paroxítonas, etc. Eu, surda, como vou perceber qual sílaba é mais forte se não escuto? E pior ainda, ter que separar as palavras em silabas? Será que separar palavras de duas-letras e duas-letras esta correta? Isto fazia a minha cabeça ficar confusa, porque nestas escolas não ensinavam a língua portuguesa na cultura surda, isto é, o português visual. Também faziam brincadeirinhas do tipo ‘telefone-sem-fio’ e isto me fazia sentir um ‘peixe fora de água’!
 Durante toda a minha vida escolar com exceção de mestrado e doutorado eu não tive intérprete em sala de aula e na universidade, ao cursar o curso de pedagogia, também enfrentei dificuldades; os professores não tinham conhecimentos de como lidar com uma pessoa surda e também não tinha intérprete disponível. Na maioria parte baseei mais nas leituras dos livros para manter-me atualizada.
 Ao ingressar em UFSC durante o mestrado e com upgrade para doutorado, tive oportunidade de encontrar colegas e professores usuários de língua de sinais, de assistir aulas com intérprete de língua de sinais/português e participar juntamente no grupo GES – Grupo Estudos Surdos, onde se desenvolvem pesquisas na área dos Estudos Surdos.
 Conclui o meu doutorado este ano com a tese que aborda algumas reflexões sobre analogia de poderes em relação ao corpo surdo e modos possíveis de abordar em sua subjetividade daqueles que considero ‘personagens’ de minha pesquisa: o ser surdo! Nela há narrativas produzidas pelos sujeitos surdos que foram entrevistados durante a pesquisa no sentido de identificar as descrições sobre visões históricas diferenciadas que permita construir a historia de surdos no espaço colonial ou como sujeitos surdos na diferença lingüística cultural.

Karin Strobel, na formatura do Curso de Pedagogia (2000)

3) Desde quando fala com língua brasileira de sinais (Libras)?
O meu primeiro contato com a língua de sinais aconteceu na adolescência, com quinze anos, na época em que estava revoltada e triste sem saber qual era o meu espaço no mundo, porque a escola para surdos proibia o uso de língua de sinais e nas escolas regulares eu conversava igual como papagaio e os colegas ouvintes me achavam chata e me deixavam isolada. Então a minha mãe ficou preocupada com a minha revolta e tristeza e após investigar das existências das comunidades surdas ela me levou à associação dos surdos de Curitiba onde tive o primeiro contato com a língua de sinais e isto me fez abrir as muitas portas para o mundo e permitiu eu construir a minha identidade, não só como surda e sim como a ‘Karin’!

Karin Strobel, menina sentada, com calça vermelha, em escola de surdos (1968)

4) Você tem filho(s)? Surdo(s) ou ouvinte(s)? Como você se comunica com ele(s)? E com seus familiares, amigos e público em geral?
Sou mãe de um pequeno surdo de 3 anos, o Richard é lindo e meigo. Eu e ele comunicamos através de nossa prioritária língua: Libras.
 Com minha família e públicos em geral, sou bilíngue, uso libras e oralização e ou escrita… e se as pessoas tiver dificuldade de me entender, eu escrevo para me comunicar, assim como a maioria dos sujeitos surdos.

Karin Strobel, com seu filho Richard aos 3 anos (2008)

5) O que a Libras significa para você? Libras, Língua Brasileira de Sinais… É uma benção de Deus em existir uma língua visual, com expressão corporal, esta língua me abriu as portas para o mundo surdo e também de ouvintes, pois com a iniciação do uso dessa língua me fez viver uma vida sadia e feliz.
 Dou opinião semelhante de uma surda de Pernambuco, a Lindilene, que mandou um e-mail ao grupo de surdos, recentemente explicando sobre a Libras: “essa língua existe, e agora que existe podemos lutar por ela querendo entrar na cultura dos surdos… nós o povo surdo não sabemos de onde foi feita a língua portuguesa, a língua espanhola, a língua americana e outras… mas nós surdos sabemos de onde foi feita a nossa língua de sinais, e que por ela nós surdos sofremos muito para conseguir essa língua reconhecida. Esta é uma historia de muitas lutas do povo surdo e mesmo assim nos surdos damos os poderes da nossa língua aos ouvintes para serem interpretes de libras!”
Acredito que a Libras também é uma porta para a interculturalidade entre os surdos e os ouvintes, pois os sujeitos surdos necessitam de intérpretes, família, amigos e professores que os entendam.
 A formação de professores de Libras ficou mais valorizada no Brasil, principalmente graças à metodologia transmitida pela FENEIS – Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, em parceria com MEC: o “Libras em Contexto”, que aboliu a metodologia tradicional do ensino de língua de sinais e hoje estamos expandindo com o curso de LETRAS/LIBRAS em muitas universidades brasileiras.
 Com a abertura de curso de Letras/Libras em UFSC foi uma grande vitória para as comunidades surdas. A nossa expectativa de uma educação melhor para os surdos, atualmente na tenra infância, aumenta diante de tal resultado. Constatar o interesse de sujeitos surdos e de sujeitos ouvintes neste caminho renova nossa esperança em uma sociedade mais justa e igualitária, onde os sujeitos surdos terão a oportunidade de aprenderem e ensinarem em sua própria língua e os sujeitos ouvintes de interpretarem com a qualidade ótima a língua de sinais.

Karin Strobel, pesquisando história de surdos no INES – RJ (2008)

6) Conte um pouco sobre o trabalho que você vem desenvolvendo na Feneis – Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos. Quais são seus projetos à frente desta Federação?
Sempre trabalhei como voluntária ao lado de associações de surdos, como secretária, conselheiro, diretora social e enfim, também fui presidente. Participei de diversos movimentos em prol da pessoa surda e conheci bem a realidade dos surdos através da minha experiência como membro das comunidades surdas e como professora de ensino ao surdo nas escolas.
 Contato com a Feneis se iniciou em 1994, quando o ex-presidente Antonio Campos me convidou para fazer parte da chapa dele como diretora vice-presidente dos Profissionais da Área e depois como fundadora e diretora regional do escritório Feneis-PR.
 Com isso, fui percebendo a dificuldade de comunicação e a questão social do surdo em diversas esferas da sociedade e, cada vez mais, me envolvendo com a luta dos surdos. Como profissional tive um olhar diferenciado a respeito de algumas questões relacionadas às necessidades dos surdos.
 Uma delas é na área de formação. É necessário mais cursos e treinamentos para instrutores surdos, intérpretes e professores.
 Precisamos crescer na questão da especialização de diversas áreas no mercado de trabalho, fazendo com que os sujeitos surdos façam diversos cursos de aperfeiçoamento.
 Pelo que tenho observado até agora pelas políticas publicas brasileira na área da educação dos surdos,percebo que os caminhos nesta área está bem encaminhada. Tenho mais preocupações com o que envolve outras áreas como a surdocegueira por exemplo. Gostaria de incentivar mais este segmento, fazendo com que sua luta seja menos isolada. Da mesma forma que fizemos com a Libras, proponho também um curso de instrutores multiplicadores para guias-instrutores e intérpretes envolvidos com a comunidade surdo-cega. Também quero dar uma atenção às questões que envolvem saúde. Defendemos a Língua de Sinais, mas precisamos respeitar também os que fazem a opção pelo oralismo e pelos implantes. Precisamos de propostas em todas as áreas.
 Na verdade, queremos criar várias coordenadorias compostas de coordenadores de cada área, voluntários para trabalhos com as comunidades surdas. A Diretoria atual da Feneis é composta por apenas seis pessoas, ficando difícil dividir o trabalho porque o Brasil é muito grande. A idéia é que consideremos também outras áreas como, por exemplo, a de família, dos Surdocegos, das artes, dos índios surdos, saúde e outros etc.
Percebo que as pessoas estão com expectativas de que a nova diretoria possa ajudá-las. Vejo que é muita responsabilidade. A minha vida, antes privada, agora mais do que nunca é pública. Preciso pensar nos surdos em primeiro lugar. Fico muito emocionada quando penso nesta confiança depositada na minha presidência

Karin Strobel com Paulo André de Bulhões, Shirley Vilhalva e Paulo Vieira, em abril/ 2008, durante solenidade de posse como diretoria da Feneis para período de 2008 a 2012

Karin Strobel, eleita Presidente da Feneis,
 com demais membros da diretoria
 (1º Vice-diretor – Paulo Bulhões / 2º Vice-diretor – José Arnor /
 Diretor de Políticas Educacionais – Paulo Vieira /
 Diretora Administrativa – Shirley Vilhalva /
 Diretor de Finanças e Planejamento – Josélio Coelho)

7) O que você faz para se divertir ou se distrair?
Gosto de passear em shopping Beira-Mar (de Florianópolis) com meu filho Richard e também brincar e caminhar na natureza. Adoro deitar na rede e ler um bom livro, ou assistir um bom filme em DVD para relaxar. São estes momentos que não abro a mão para não ficar estressada com o dia-o-dia corrido e procuro fazer isto todos os dias!

Karin Strobel, lendo na rede, nos momentos em que gosta de relaxar (2007)

8) Quais são seus planos para o futuro? Fazer mais elaborações dos projetos com a participação direta dos sujeitos surdos na área de educação, cultural, mercado de trabalho, saúde e outros.
 Por exemplo, com a extensão do curso Letras-Libras abrangemos a necessidade da criação do curso de ‘Pedagogia Surda’, que é diferente de curso de pedagogia existente atualmente nas universidades, pois envolve o jeito do surdo ensinar.
 Acreditamos que a criança surda aprende melhor com o professor surdo, aproveitando que no momento vemos que a política da transformação abre os espaços dentro da pedagogia cultural e vamos lutar por isso.
 Pedagogia surda seria por exemplo: o professor entra em sala de aula e tenta aplicar o conteúdo proposto, mas ele se depara com as diferenças de identidades culturais de cada aluno e então para colocar em prática o seu ensino, o professor passa por um processo de transformação, elaborando estratégias e respeitando os vários artefatos culturais dos próprios alunos.
 Os povos surdos através dos movimentos sociais vêm contribuindo para que haja um novo olhar no processo histórico, com conquistas como a inserção do currículo surdo, a valorização da Língua de Sinais e pedagogia surda nos espaços educacionais!
 Também pretendo continuar escrevendo outros livros, a idéia de escrever o ultimo livro: “As imagens do outro sobre a cultura surda” se iniciou pelo fato de eu trabalhar por 20 anos como professora de surdos, sendo militante das comunidades surdas, palestrando em muitos lugares e dando aulas em pós-graduação em muitas faculdades, eu percebi que muitas vezes os professores das escolas inclusivas, os professores ouvintes bilíngües (Português/Libras), os intérpretes de língua de sinais, as famílias ouvintes e os amigos ouvintes não compreendiam muito bem o que é cultura surda, então aproveitei das minhas experiências com as vivencias nas comunidades surdas e de como ‘ser surda’ juntando vários depoimentos de muitos sujeitos surdos e escrevi sobre a cultura surda.
 A cultura surda vem sendo um enigma para os sujeitos ouvintes da sociedade. É uma preocupação em que muitos sujeitos ouvintes tentam entender os muitos caminhos que conduziram os povos surdos às suas relações culturais presentes, marcados por diferentes ‘olhares’ das organizações de suas comunidades surdas.
 A cultura surda se refere a comportamentos, valores, regras e crenças, que permeiam e “preenchem” nas comunidades surdas. Dentre os artefatos principais da cultura surda estão as experiências visuais e as lingüísticas que são essenciais para o povo surdo. A cultura surda também pode incluir a historia dos surdos, as piadas em língua de sinais e expressões faciais/corporais, a literatura surda, a arte surda, a pedagogia surda e outros
 Vou citar alguns exemplos das situações dos sujeitos surdos que diferencia a dos sujeitos ouvintes: como chamar a atenção de um sujeito surdo? Em vez de gritar chamando pelo nome do sujeito, usamos um leve toque no braço ou no ombro dele ou acenar com as mãos se sujeito surdo estiver um pouco distante, ou pedir para o outro sujeito chamar a atenção dele.
 Espero que com a leitura desse livro, os sujeitos ouvintes reconheçam a diferença cultural do povo surdo, e, além disso, de perceberem a cultura surda através do reconhecimento de suas diferentes identidades, suas histórias, suas subjetividades, suas línguas, valorização de suas formas de viver e de se relacionar.
 E os meus planos para futuro é escrever mais livros, livros para auxiliar as comunidades ouvintes a entenderem o povo surdo e também incentivar aos outros sujeitos surdos a deixarem registros as suas experiências na forma escrita ou narradas em libras pelos dvds!

Karin Strobel, com Ronice Quadros, no dia do lançamento de seu livro
 “As imagens do outro sobre a cultura surda” (julho de 2008)

9) Você é uma pessoa feliz? Por quê?
O que é felicidade na realidade? Se for estar bem consigo mesma e em paz, então posso dizer que sou feliz! Tenho meus altos e baixos igual como todas as pessoas, mas enfrento numa boa porque acredito em mim!
 Então posso dizer que sou uma pessoa realizada e feliz.

Karin Strobel, com a família reunida porém, nesta época,
 seu filho Richard ainda não estava com ela (Natal de 2005)

10) Mais alguma coisa que você gostaria de dizer?
Todos nós, o povo surdo brasileiro, queremos as mesmas coisas: as políticas públicas para a educação de surdos voltadas para a garantia de acesso do aluno surdo dentro das escolas que faça com que eles ‘aprendam’ de verdade e não sendo ‘robôs’, as lutas pelas escolas de surdos, também pela boa formação dos professores surdos, dos intérpretes e dos professores ouvintes bilíngües, pelas acessibilidades na sociedade, respeito e valorização pela cultura surda e de suas diferentes identidades.
 Deixo mensagem ao povo surdo:
 Surdos, sejam persistentes e nunca desistam dos seus sonhos, arregacem as mangas e vão à luta com toda a coragem… Não deixem as pessoas dizerem a vocês: “vai ser difícil vocês conseguirem” ou “vocês não podem fazer…”, se é algo que vocês querem, acreditem em si mesmos e vão à frente! Lembrem-se: “Não há vitória sem luta e não há luta sem coragem”

Karin Strobel ministrando aula da disciplina História, através de video-conferência, no Curso de Graduação em Letras/Libras da UFSC (setembro de 2008)

FONTE:

terça-feira, 20 de março de 2012

Tratamento diferenciado para surdos sinalizados nas provas de redação de vestibular: eu NÃO concordo

Um link que encontrei no Facebook me chamou a atenção e fiquei de olhos arregalados ao ler o conteúdo da notícia. Dêem uma olhada, e notem as besteiras que foram ditas e, o pior, como sempre colocaram todos os surdos dentro do mesmo saco. Fico impressionada de ver como os surdos sinalizados fazem questão de continuar tentando que a imprensa acredite que surdos oralizados não existem. A Sô Ramires é rápida e já fez um post e deixou um comentário lá na matéria!

 

“Pelo menos 22 alunos com deficiência auditiva que vão disputar o vestibular este ano estão preocupados com a correção da prova de redação durante o processo seletivo. Os candidatos se sentem prejudicados nesta modalidade da prova, pois a escrita dos surdos é diferente dos demais candidatos que não possuem deficência auditiva. Para alguns surdos, o ideal seria que, ao invés da redação escrita, as Instituições de ensino superior aplicassem uma prova oral, mas dentro da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Outros candidatos sugerem que a redação seja corrigida por um profissional que tenha formação na Língua de Sinais, para compreender a escrita dos surdos. Na redação, os surdos não usam conectivos e os verbos sempre são escritos no infinitivo. Nem sempre fica definida na escrita a distinção por gênero. Sobre a estrutura da Libras, a pedagoga Rejane Lima ressalta que não pode ter como base a Língua Portuguesa, uma vez que a gramática é diferenciada e independente da língua oral. “A ordem dos sinais na construção de um enunciado obedece regras próprias que refletem a forma do surdo processar suas ideias, com base em sua percepção visual-espacial da realidade”, diz.

Nas escolas

Para a professora Sônia Teixeira, esta preocupação dos candidatos com deficiência reflete um problema que não se restringe à época do vestibular, e sim em como as escolas regulares estão tratando os alunos com necessidades especiais. “A escola regular não consegue dar conta da inclusão destes alunos. Há poucos profissionais com formação para os surdos, por exemplo”, aponta a professora.

O candidato Rodrigo Duarte de Queiroz, 29 anos, é um dos surdos preocupados com a redação. Ele vai disputar uma vaga para o curso de Licenciatura em Letras – Libras, oferecido pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), mas vê dificuldades nesta modalidade que podem prejudicar qualquer candidato com deficiência auditiva, uma vez que a escrita de quem não consegue ouvir é diferente.

“A prova de múltipla escolha a gente entende, mas ao invés de termos de escrever a redação deveria ter um intérprete para traduzir (uma espécie de redação oral)”, disse Rodrigo, que, depois de formado, pretende fazer concurso público.

Somente na Uepa, 103 candidatos com algum tipo de necessidade especial se inscreveram para os processos seletivos deste ano, sendo que 88 farão as provas em Belém. Sobre a preocupação dos vestibulandos com deficência física, a Uepa informou que 63 técnicos especializados, lotados na própria instituição, irão acompanhar os candidatos durante a realização da prova. Em relação aos candidatos surdos ou de baixa audição, a Uepa esclareceu que eles serão acompanhados por intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) ou por ledores que poderão elucidar o conteúdo das provas, em caso de dúvidas. Sobre a correção da prova, a Uepa não comunicou se haverá algum tratamento diferenciado para os alunos com necessidade especial. Em resposta a inquietação destes vestibulandos, o Centro de Processos Seletivos (Ceps) da Universidade Federal do Pará (UFPA) explicou que no processo de correção das provas do vestibular neste ano não há tratamento diferenciado aos portadores de necessidades especiais, uma vez que apenas a segunda fase é elaborada pela insituição e nela não há prova de redação, nem questões subjetivas – a redação aplicada na 1ª Fase que é a do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).”

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Porque eu não concordo com tratamento diferenciado nas provas de redação (seja em vestibular, concurso público, etc)??

Em primeiro lugar, porque penso que qualquer cidadão brasileiro, seja surdo ou ouvinte, tem o dever de saber ler e escrever. Um surdo sinalizado tem todo o direito de não querer falar, mas tem também o dever de dominar a modalidade escrita da língua do país onde vive. Uma pessoa incapaz de ler e escrever e eternamente dependente de intérprete para interagir com outras pessoas está fadada a que? Vai conseguir algum trabalho fora da comunidade surda? Fiquei tentando lembrar de profissões que não exijam conhecimento da língua portuguesa e não consegui.

O fato de surdos sinalizados não quererem fazer uma prova de redação ou quererem tratamento diferenciado evidencia de forma gritante a falência do sistema educacional do qual fazem parte. Em qualquer universidade, nos dias de hoje, é basicamente pré-requisito que o aluno saiba também (no mínimo), um pouco de inglês e espanhol. Não conseguir ler e escrever em português e querer cursar uma faculdade parece, no mínimo, bizarro. E na hora de escrever o trabalho de conclusão de curso, como será? Alguém vai escrever pelo aluno e fica tudo por isso mesmo?

Já questionei alguns educadores de surdos sobre o fato de surdos sinalizados não dominarem o português escrito e acabo sempre surpresa com o argumento principal, que diz respeito à capacidade econômica da família.

Não acho nem um pouco justo com as pessoas que passaram a vida inteira ralando na escola (com deficiência auditiva ou não, e vamos deixar claro que surdos oralizados também ‘apanham’ bastante no colégio, pois parece que a vida escolar é simples e fácil para nós) e se esforçando para superar barreiras e limitações. Nós não temos e nunca tivemos tratamento diferenciado. Se comunicar de uma forma diferente é uma coisa, querer que o mundo inteiro se adapte a você são outros quinhentos. Helen Keller está aí para provar que até mesmo um surdocego pode ser fluente na modalidade escrita da língua do seu país.

Só o que vejo são pedidos de tratamento diferenciado, e jamais me deparei com algum projeto que queira tornar os surdos sinalizados fluentes em português escrito. Isso não faz sentido.

Por último, acho muito irresponsável da parte de qualquer jornalista que se preze escrever que “a escrita dos surdos é diferente“, “candidatos surdos ou de baixa audição devem ser acompanhados por intérprete de LIBRAS“. Aqui estou eu, que tenho surdez severa, redigindo esse texto, assim como milhares de outros surdos oralizados brasileiros. Matérias que generalizam a surdez prejudicam demais pessoas como nós. Não quero ter que passar a minha vida inteira explicando que surdos oralizados não usam LIBRAS, não precisam de intérprete e dominam o português e também outras línguas em sua modalidade escrita e falada.

sábado, 17 de março de 2012

CIARTESILENCIO - RIMAR E SUELI RAMALHO SEGALA " O FILHÃO"





CIARTESILENCIO APRESENTA A PEÇA " O FILHÃO" DE SUELI E RIMAR RAMALHO SEGALA COM ATOR LUCIANO ANTONIO FRAGA, Retrata a história da aceitação de um filho surdo e a Libras.

O MEC enviará o novo DEIT LIBRAS para escolas?

Elisangela Andolhe: Professor o Mec estará enviando para as escolas públicas?
"Só se você e seus milhares de dedicados colegas professores demandarem deles, Elisangela Andolhe. Se os professores ficarem esperando passivamente, acabarão não recebendo e acabarão tendo de comprar, e, como nem todos conseguirão, muitas crianças ficarão sem esta janela ligando mente e mundo. Então, pelo amor de suas crianças, agora é hora de pedir ao MEC, à sua SEE, e à sua SME. Por isso coloquei as referências completas. O Ministro Fernando Haddad já tem um exemplar de cada volume no gabinete dele. Então escreva para ele pedindo. Ou espere final de fevereiro ou março para adquirir nas lojas da Edusp ou em centenas de sites da Internet. Tudo o que eu, pessoalmente, gostaria, de verdade, é que toda criança surda recebesse o seu. Mas isso não depende de mim. Já fizemos tudo o que nos competia fazer, e muito mais. Agora a bola está com vocês, com professores, coordenadores pedagógicos, diretores, secretários municipais de educação, vereadores, deputados estaduais, prefeitos, secretários estaduais de educação, governadores, deputados federais, associações de surdos, federação nacional de surdos, representantes da Unesco e de ONGs, etc. Bom, aqui do meu lado tem uma montanha de trabalho... Lá vou eu mergulhar nela de novo. Aos amigos, boa noite. Deus os abençoe a, por meio de seu trabalho dedicado e amoroso, ser bênção abundante nas vidas de suas crianças que tanto precisam de vocês. Dou graças a Deus pelas suas vidas, professores, e pelo seu trabalho tão digno e importante."

Por Capovilla.

FONTE:

Entrevista Prof. Fernando Capovilla à Globo News: Libras e educação bilíngue de surdos

Pais de crianças surdas enfrentam o dilema entre a escola especial e a rede regular


FONTE:
http://porfernandocapovilla.blogspot.com.br/2012/03/caso-da-professora-e-do-menino.html

CRIANÇAS SURDAS PRECISAM DE LIBRAS NA ESCOLA BILÍNGÜE PARA ALFABETIZAÇÃO EM PORTUGUÊS.





FONTE:
http://porfernandocapovilla.blogspot.com.br/2012/03/caso-da-professora-e-do-menino.html

CASO DA PROFESSORA E DO MENINO SURDOCEGO IMPLANTADO - Por: Fernando Capovilla

Comentando rapidamente uma breve e angustiada pergunta de professora, sobre um menino surdocego de 7 anos e implantado, que parece estar sentindo dores e que tem estado agressivo com seus colegas este ano: "É muito difícil dizer assim a partir de descrição genérica. Agressividade pode ser sinal de desconforto devido à necessidade de ajuste dos parâmetros do implante (a equipe clínica deve ser informada) e/ou a outros fatores como as mudanças no ambiente com muitos colegas (nenhum dos quais usa Libras tátil) a quem ela não entende e com quem não consegue se fazer entender, e a frustração por, diante dessa sobreestimulação algo errática da sala de aula coletiva (com crianças muito diferentes dela), não ter repertório comunicativo para lidar com isso. É possível que ele tenha falta de repertório comunicativo e que esteja reagindo negativamente à continuidade da falta de ambiente apropriado para desenvolver esse repertório. Ele pode estar sentindo falta de atenção às suas manifestações de desconforto e às suas necessidases comunicativas. É essencial que ele aprenda a se comunicar, a fazer-se entender e a entender os demais. Há quanto tempo recebeu o implante? Está em programa intensivo de reabilitação auditiva com fonoaudiólogos? Há quanto tempo tem contato com Libras tátil? (inserção em comunidade sinalizadora)? Qual é o vocabulário em Libras (tanto receptivo por tato quanto o expressivo)? Ele consegue satisfazer suas necessidades comunicativas? Ele precisa de atenção individualizada e intensiva para desenvolver habilidades comunicativas. É preciso investir na relação individualizada no AEE para construir relação pessoal de confiança e cooperação e para, então, construir nele repertório comunicativo. Encontrando meios eficazes de se comunicar, a agressividade diminuirá. Esse repertório comunicativo é condição necessária para iniciar o desenvolvimento de comportamento social adequado. Só a partir desse repertório construido de modo sistemático intensivo em relação terapêutica e educacional individualizada no AEE (entre professor e aluno-alvo, e entre coleguinha voluntário e aluno-alvo) é que será possível dar início à escolarização proprriamente dita, mas essa também deverá começar de modo individualizado. Só a partir de um determinado ponto desse desenvolvimento é que a escolarização em situação coletiva terá boas chances de sucesso. Para ele, o AEE é mais importante no momento que a sala coletiva, pois precisa da atenção individualizada do AEE para adquirir repertório para se comunicar na sala. Desenvolvido esse repertório, pode ser instituído um sistema de tutoria por crianças mais adiantadas e que se disponham a ajudá-lo. Pode ser criança ajudante que deseje ser professor(a) quando crescer. Como sua sala é mista com crianças surdas dos 4 aos 9 anos, converse, de modo mais íntimo e pessoal, com suas crianças surdas um pouco mais maduras. Haveria dentre elas algumas que desejem ser professora? Que tal convidar algumas delas, as mais maduras, a ajudar você? Elas podem servir de ponte de socialização, ajudando a instituir um sistema de ajudantes mirins (peers) que farão uso de Libras tátil para acolher essa criança surdocega e outras crianças. Essas crianças tutoras podem receber incentivo para para participar como voluntárias no AEE aprendendo a se comunicar por sinalização tátil com crianças surdocegas. Elas podem receber distinções de honra ao mérito no final do ano por fazê-lo. A escola estaria formando não apenas alunos, mas cidadãos plenos. Poderia ser criado também um sistema de distinções (homenagem da direção, da secretaria de educação), oportunidades educacionais, livros e outras honrarias por participar desse programa. Essas crianças ajudantes poderiam ser homenageadas em cerimônias públicas em presença dos pais a cada semestre e receber medalha de honra ao mérito educacional, uma espécie de medalha educador mirim. A auto-estima de todos subiria. A escola poderia atrair a atenção da municipalidade e então canalizá-la para suas crianças. Crise pode ser uma oportunidade em gestação. Essas são apenas algumas ideias escritas num brainstorming de 3 minutos com o objetivo de despertar em você ideias ainda melhores. Estou torcendo pelas suas crianças, por esse menino muito especial, por todos os seus coleguinhas, e por você. Volto ao trabalho agora, mas meus pensamentos estarão com você. Abraço amigo."

FONTE:

sexta-feira, 9 de março de 2012

ABECEDÁRIO DA XUXA - Almenara - 8º PERÍODO - 2012.1- 07/03/12

Meus alunos do 8º período de Pedagogia da Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros), Campus Almenara. É isso aí pesoal! Estamos só no começo...





MEU ALUNO É SURDO E TEM UM INTÉRPRETE EM MINHA SALA... E AGORA??

Essa é uma pergunta que me fazem constantemente... E AGORA?
Por isso, elaborei algumas dicas.. são simples, mas espero que ajude alguém:

Intérprete de Libras
O profissional intérprete tem como função mediar as interações linguísticas entre o surdo, o professor e os estudantes ouvintes em sala de aula. É mediador linguístico e cultural.

Não é função do intérprete
Não é responsável pelo processo de ensino-aprendizagem do aluno surdo;
Não é responsável pela didática, metodologia e realização do plano de ensino.

Funções do professor que trabalha com inclusão de surdos:
Explicar os conteúdos;
Avaliar;
Desenvolver encaminhamentos metodológicos capazes de contemplar as diferenças em sala de aula.

Dicas para o professor que tenha um aluno surdo:
Conheça a língua de sinais, pois assim como você tem interação com os alunos ouvintes, é preciso ter interação com o aluno surdo;
Em trabalhos em grupo, auxilie o surdo a se integrar nos grupos, pois de início, geralmente ocorre um isolamento por parte dos surdos e dos ouvintes;
Pense novas formas de avaliar esse aluno ou de considerar suas respostas, visto que, geralmente, esses alunos tem certa dificuldade com o português;
Não é deixar mais fácil, mas garantir que ele tenha o mesmo aproveitamento de sua aula que os alunos ouvintes;
Incentive o aluno surdo a participar em sala de aula, dando opiniões e apresentando trabalhos na frente; Durante muito tempo, esses alunos foram excluídos da dinâmica da aula, promova a participação desse aluno.

Benefícios:
O aluno surdo tem um espaço em sala de aula para dar sua opinião, sente-se valorizado e instiga a elaborar conceitos sobre o tema;
Os alunos ouvintes, por meio da tradução do intérprete, podem conhecer o que o aluno surdo pensa assim como conhecer a língua de sinais, que ainda é discriminada na escola.
Dicas para o professor sobre o intérprete de Libras:
Auxilie o trabalho do intérprete, ele precisa de condições em sua aula para poder interpretar de maneira correta;
Tenha um bom relacionamento com o profissional  intérprete, pois precisam trabalhar em equipe: o professor tem o conhecimento sobre a disciplina e o intérprete tem o conhecimento sobre a língua de sinais;
Cuidado com algumas atividades que não contribuem para a aprendizagem do aluno surdo como ditado: cansa o intérprete e cansa o aluno surdo;
Ao explicar sobre um desenho ou esquema, dê tempo para o aluno surdo tirar as informações visuais e depois comece a explicação: turnos de fala. Ou o aluno surdo presta atenção no desenho, ou ele presta atenção no intérprete;
Em dia de avaliação, providencie uma cópia para o intérprete. Eticamente, o intérprete não pode auxiliar o surdo nas respostas das provas, mas pode interpretar as palavras em que o surdo tenha dificuldade de compreensão. A cópia evita que o intérprete fique levantando o tempo todo para olhar a prova do aluno a fim de interpretar;
Providencie livros e materiais para o intérprete poder se preparar para suas aulas, assim o objetivo de que o aluno surdo tenha o máximo de aproveitamento pode ser alcançado;
Antes de começar a aula, diga para o intérprete quais serão as atividades, assim ele poderá organizar seu pensamento. Isso também é importante para os alunos;
Quando for passar matéria no quadro-negro, organize seu quadro de maneira que esse possa servir de apoio para o intérprete em seu trabalho. Se o quadro for bem organizado, é possível que o intérprete possa apontar para conceitos ou palavras-chaves e assim ser mais um recurso para que a informação fique clara.

FONTE:
http://comunicardicionariolibras.blogspot.com/

O QUE É PRECISO SABER PARA SER INTÉRPRETE DE LIBRAS?

OLÁ PESSOAL!




Muitas pessoas me perguntam sobre isso, quais são as competências para ser um intérprete de Libras? é uma confusão não esclarecida até mesmo em cursos de Libras, pois alguns alunos pensam que por fazer 40 a 60 horas de Libras já pode atuar como intérprete.



Esse documento foi vinculado pela Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), pois é um edital para a contratação de intérprete. Dêem uma olhada nos requisitos. Assim você poderá saber o que precisa estudar e ter domínio para atuar na profissão.



Algumas pessoas podem ficar desanimadas, mas não façam isso! Precisamos de ANOS para tornamos bons intérpretes ( e ainda estou aprendendo...) , mas você precisa começar de algum lugar, certo?!



bom estudo!!



Descrição do cargo: TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS

Traduzir e interpretar artigos, livros, textos diversos bem idioma para o outro, bem como traduzir e interpretar palavras, conversações, narrativas, palestras, atividades didático-pedagógicas em outro idioma, reproduzindo LIBRAS ou na modalidade oral da Língua Portuguesa o pensamento e intenção do emissor.



CONTEÚDO PROGRAMÁTICO ESPECÍFICO PARA PROVA TÉORICA

1. Educação de surdos: fundamentos históricos, legais e teórico-metodológicos.

2. Concepções de surdez e políticas educacionais para surdos.

3. Conhecimento do Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos.

4. A Língua Brasileira de Sinais: aspectos culturais e identidade surda.

5. Diferenças entre a língua brasileira de sinais e a língua portuguesa.

6. Aspectos Linguísticos de Língua Brasileira de Sinais – Libras: léxico, fonologia, morfologia e sintaxe.

7. Contexto histórico do Profissional Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais/ Língua Portuguesa.

8. A atuação do Tradutor e Intérprete Educacional.

9. Código de ética na tradução e interpretação.



QUESITOS A SEREM AVALIADOS NA PROVA DE DESEMPENHO NA TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE LIBRAS / LÍNGUA PORTUGUESA :

 Ausência de omissão do conteúdo na Tradução

 Classificador

 Configuração de Mãos

 Construção Idearia

 Convivência com Surdos

 Cultura Surda

 Entrevista

 Expressão facial e corporal

 Gíria/ Provérbios

 Identidade Surda

 Interpretação de Texto

 Leitura do Alfabeto Manual

 Postura Ética

 Processo Anafórico

 Registro Lingüístico

 Soletração do Alfabeto Manual

 Tradução Consecutiva

 Tradução Simultânea

 Variações regionais

 Versão para Sinais (Contexto)



DESCRIÇÃO DE ATIVIDADES TÍPICAS DO CARGO

 Interpretação consecutiva:

Examinar previamente o texto original a ser traduzido/interpretado; transpor o texto para a Língua Brasileira de Sinais, consultando dicionários e outras fontes de informações sobre as diferenças regionais; interpretar os textos de conteúdos curriculares, avaliativos e culturais; interpretar as produções de textos , escritas ou sinalizadas das pessoas surdas .

 Interpretação simultânea

Interpretar diálogos realizados entre pessoas que falam idiomas diferentes (Libras e Português); interpretar discursos, palestras, aulas expositivas, comentários, explicações, debates, enunciados de questões avaliativas e outras reuniões análogas; interpretar discussões e negociações entre pessoas que falam idiomas diferentes (Libras e Português).

 Executar outras tarefas de mesma natureza e nível de complexidade associadas ao ambiente organizacional.



FONTE: http://comunicardicionariolibras.blogspot.com/

quinta-feira, 8 de março de 2012

CAS - Centros de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez


Os Centros de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez tem como meta qualificar profissionais da educação e elabora material didático específico para a educação bilingue. Os centros são equipados com: computadores, impressora, estabilizadores, no breaks, projetor e tela de projeção, retro-projetor, filmadora, câmera digital, TV 20 e 29 polegadas, vídeo-cassete, adaptador de campainha e mobiliários. Click no link abaixo e veja a tabela com endereços dos CAS no Brasil.

Operadora OI oferece CIC- 142 Central de Intermediação de Comunicação por SMS


A Operadora OI está oferecendo aos Surdos e pessoas com deficiência auditiva e da fala a quebra de barreiras na comunicação através de mensagens tipo SMS (Short Message Service) intermediadas em via oral para pessoas ouvintes, promovendo a integração entre surdo e ouvinte dentro da Sociedade Brasileira. O objetivo deste CIC é que o Surdo tenha liberdade sem pedir a ajuda à outra pessoa para fazer ligações para marcar consulta médica, comprar pizza com amigos Surdos, chamar taxi, alugar carro, chamar mecânico, avisar ao chefe do trabalho, etc. O Surdo escreve a mensagem e enviará para a CIC utilizando o número de discagem 142 que funciona em todo o Brasil com a Operadora OI. Assim a operadora do CIC recebe a mensagem que o Surdo enviou informando com quem quer falar e qual o número que a operadora deverá ligar, pode ser um número fixo ou celular. A operadora ligará para a pessoa ouvinte e intermediará a ligação. O Surdo receberá as mensagens em seu celular ou smartphone sobre toda conversa. A CIC é gratuita aos clientes surdos e pessoas com deficiência auditiva e da fala, usuários dos serviços pós ou pré-pago, esse serviço já está implantado em todos os Estados Brasileiros. A CIC funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana com atendimento privilegiado aos Surdos e Deficientes Auditivos e da Fala.

Por Neivaldo Zovico
Fonte: http://www.acessibilidadeparasurdos.blogspot.com em 12 de fevereiro de 2012

domingo, 4 de março de 2012

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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No dia 8 de Março do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". Em 1977, as Nações Unidas proclamam o dia 8 de Março como o Dia Internacional dos Direitos da Mulher e da Paz.





SURDAS FAMOSAS

Brenda Costa - modelo

Nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de novembro de 1982. Além de uma excelente nadadora, faz enorme sucesso nas passarelas como modelo brasileira. Portadora de surdez profunda desde o nascimento, Brenda consegue conversar com ouvintes. Isso se deve à dedicação de seus pais, Marcos e Fátima, que a colocaram numa escola onde teve aulas de terapia da fala desde seus dois anos com fonoaudiólogas. Além disso, seus pais também optaram por criá-la num ambiente de ouvintes, freqüentando inclusive escolas públicas normais, encorajando-a a relacionar-se com outras crianças ouvintes. Brenda fala que não foi nada fácil, passando por longos períodos de adaptação, mas, com muito esforço, logo conseguiu transpor as barreiras de sua deficiência, o que a levou a tornar-se perita em leitura labial. Brenda fala que é surda, porém não é muda, consegue falar com as pessoas. Seu marido, o fotógrafo Karim Al-Fayed, irmão de Dodi Al-Fayed, que foi o namorado da Princesa Diana, e herdeiro do Hotel Ritz e Harrod’s, é surdo desde os seis anos de idade, após contrair meningite. “Nós nos comunicamos por leitura labial e nossa filha já percebeu nossa deficiência”, revelou ela.

Emmanuelle Laborit – atriz francesa

Nasceu em 18 de outubro de 1981. É neta do cientista Henri Laborit. Nasceu surda e veio a conhecer a língua gestual (Langue des Signes Française - LSF, em português Língua Gestual Francesa), quando tinha 7 anos de idade. Rapidamente ensinou a sua irmã, que se tornou sua confidente, pois antes apenas se comunicava com sua mãe. Algo muito interessante que os especialistas definem como uma “comunicação umbilical” (algo de mãe e filho, talvez). É autora de uma conhecida obra literária: “O Grito da Gaivota”, que escreveu em 1993. Nessa obra, Emmanuelle faz uma retrospectiva de sua vida, revivendo suas lembranças de infância e suas amargas experiências de uma difícil adolescência, avançando em sua idade adulta. É uma autobiografia. Emmanuelle explica que suas recordações da primeira infância são estranhas, pois existia “um caos na minha cabeça, uma sequência de imagens sem relação entre si, como sequências de um filme, montadas umas atrás das outras, com longas tiras negras, grandes espaços vazios” (Laborit). Este fato resulta da ausência de uma linguagem estruturada que dê sentido ao que se vê e que permita a evocação da imagem, mesmo quando ela não está presente. Em 1993 conquistou o prêmio “Molière” de revelação teatral. Ela foi a primeira comediante surda a receber na França o referido reconhecimento.



Helen Keller – escritora, conferencista e ativista social

Helen Adams Keller nasceu em 27 de junho de 1880, em Tuscumbia, no estado do Alabama (EUA), e faleceu em Westport, em 1 de junho de 1968. Reconhecida escritora e conferencista, além de ativista social. Filha de Arthur Keller, um influente homem, capitão de profissão e prefeito do Alabama. Sua doença: Helen perdeu sua visão e audição em uma doença que naquela época foi diagnosticada como febre cerebral, e que, para os pesquisadores de hoje, acreditam ser na realidade escarlatina. Embora de família influente, teve uma infância complicada, pois não teve inicialmente uma orientação adequada que lhe preparasse para aprender e relacionar-se com o mundo em sua volta. Somente ao completar 7 anos de idade, seus pais decidiram contratar a professora Anne Sullivan, então com 21 anos de idade, para morar em sua casa e dar-lhe educação e acompanhamento necessário, utilizando-se do método de Tadona (consiste em tocar a garganta e os lábios da pessoa que fala combinado com dactilogia na palma da mão). Curioso é que Helen até a chegada da professora, ainda não falava e nem compreendia o significado das coisas. Incrivelmente, a professora Anne Sullivan, que havia ficado cega quando criança recuperou sua visão, após ter se submetido a nove operações, motivo pelo qual tinha estudado na Escola Perkins para Cegos ou Perkins School for the Blind. Anne fora indicada pelo famoso inventor e cientista Alexander Graham Bell, após ter sido procurado pelos pais de Helen. A partir daí, a vida de Helen Keller e Anne Sullivan tornou-se inseparável, até a morte desta última, ocorrida em 1935.


Vanessa Lima Vidal - modelo e professora de Libras

Vanessa Lima Vidal nasceu em Fortaleza, no Ceará, no dia 03 de Março de 1984. Graduada em Letras Libras pela UFC, está no último semestre de Ciências Contábeis. Atua como modelo profissional e é professora de Libras. É uma dedicada ativista na luta pela inclusão social de pessoas com deficiência.

Carreira de Modelo
Vanessa possui vasta experiência no mundo da moda, atuando em desfiles, ensaios fotográficos, catálogos e outdoors. Foi a primeira candidata deficiente auditiva a concorrer ao título de Miss Brasil, competindo com mais 27 garotas no concurso Miss Brasil 2008. Vanessa ficou em segundo lugar, tornando-se a Miss Brasil Beleza Internacional 2008 e representando o Brasil na China.

Apoio à Inclusão Social
Vanessa é membro da COPEDEF, Coordenadoria de Pessoas com Deficiência, que integra a estrutura da Secretaria de Direitos Humanos de Fortaleza (SDH). Ela tem desenvolvido diversos trabalhos sociais em prol das pessoas com deficiência, levando a bandeira da inclusão social, da cultura e identidade surda e do respeito às diferenças. Ela viaja pelo Brasil ministrando cursos, palestras, seminários, e participando de encontros relacionados ao assunto.

Carreira Política
Em 2010 foi candidata a Deputada Estadual no Ceará pelo PV, atingiu aproximadamente 6.250 votos. Segundo o Historiador cearense Gustavo Braga, "Sua campanha foi repleta de carisma e admiração pelo povo cearense".

Autobiografia
Em novembro de 2009 Vanessa lançou sua autobiografia com o título "A verdadeira beleza". Este livro conta sua trajetória de vida, luta, garra e superação. Os momentos em que desafia seus limites, mostrando ao povo brasileiro que a falta de um dos sentidos, no caso a audição, nunca a impediu de realizar todos os seus sonhos.


Marlee Matlin – atriz norte-americana
Marlee Beth Matlin nasceu em 24 de agosto de 1965. Iniciou sua carreira cinematográfica ainda quando criança. Possuía apenas 7 anos quando fez seu primeiro trabalho numa peça teatral como Dorothy, uma versão da peça “O maravilhoso mágico de Oz”. Seu primeiro trabalho no cinema foi em 1986 no filme "Os Filhos do Silêncio", no qual recebeu o prêmio Globo de Ouro de melhor atriz dramática e o Oscar de melhor atriz. Isso quando ela tinha apenas 20 anos, como a mais jovem atriz a galgar o prêmio. Sua doença: Marlee perdeu sua audição quanto tinha apenas 18 meses de vida. Conseqüência de uma doença diagnosticada como exantema súbito (roseola infatum). Inicialmente ela perdeu a audição do ouvido direito e 80% do ouvido esquerdo.


Sueli Ramalho Segala - atriz, escritora, professora de Libras e intérprete
Sueli Ramalho nasceu no seio de uma família de surdos (mais de 30 pessoas da família, quer paterna, quer materna, são surdos). É surda de perda bilateral profunda, de nascença. Quando criança, achava que o mundo era deficiente, em oposição à sua própria casa, onde todos eram normais. Sendo Libras a sua língua materna, na rua, ficava com dó das outras crianças, pois elas não falavam com as mãos. Os pais lhe diziam: não falam com as mãos porque ouvem (apontavam para o ouvido), mas Sueli achava (como é comum a crianças com surdez profunda de nascença) que ouvido não tinha função, pois o surdo profundo não entende o conceito de som, sendo que apenas sente vibrações. Ensinava às amigas o alfabeto de sinais, para poderem se entender. Assim aprendeu que todas as coisas têm nome (para os surdos, todas as coisas têm um sinal, ou nome gestual). Os pais de Sueli eram surdos, sua mãe frequentou o INES, a primeira escola, no Rio de Janeiro, para onde vinham todos os surdos, de todos os estados, com sinais diferentes, o que fazia com que aprender sinais diferentes fosse relativamente simples. A avó de Sueli era italiana, pelo que lhe possibilitou também aprender outra língua de sinais. Seu pai era pintor de quadros, em São Paulo, que na época era um ponto turístico para onde vinham surdos dos outros países. Tais visitantes ficavam no Brasil por alguns meses, alguns em sua casa, o que dava origem a um intercâmbio linguístico, possibilitando que Sueli se tornasse poliglota em 32 línguas de sinais. Começou a falar português com apenas 17 anos, chegando ao ponto de muita gente não saber que ela é surda, pensando que é estrangeira, ou tem língua presa. Sueli é especialista em Libras, graduada em Letras (português-espanhol) pelo Centro Universitário Uni Sant'Anna e concluindo Letras-Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (polo USP). Co-autora da revista Língua de Sinais: a Imagem do Pensamento e colaboradora do Dicionário de Língua de Sinais da USP, pela Fapesp. Professora atuante nos cursos universitários de licenciatura e saúde em Libras e coordenadora da equipe de intérpretes do projeto Inclusão-Libras.
“A maior dificuldade que as crianças surdas têm é da comunicação na própria família. É nela a primeira educação. Muitos pais querem aprender a se comunicar com seus filhos, mas não sabem como. Alguns deles ‘jogam’ as crianças na escola achando que o professor tem que fazer um milagre, como se a surdez fosse uma doença, por não possuírem a correta informação.”


Karin Lilian Strobel - pedagoga, doutora em educação e presidente da FENEIS
Karin Lilian Strobel é presidente da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS). Nascida em Curitiba-PR, ficou surda profunda aos quatro dias de vida, quando o uso de um antibiótico excessivamente forte enfraqueceu seus nervos auditivos. Durante os 12 primeiros anos de vida estudou numa escola para surdos que utilizava o método verbotonal, mas foi o contato com a Libras que lhe abriu as portas para o mundo e permitiu a construção de sua identidade. “Tenho poucas lembranças da minha inclusão em escola de ouvintes, me recordo de algumas pessoas que me magoaram mas de poucas pessoas que realmente me valorizaram. Por exemplo, havia uma freira professora, na primeira série do curso primário que, sabendo da minha dificuldade com relação à língua portuguesa, dava atividades para o resto da turma, sentava-me no seu colo e pacientemente me ensinava através de gestos e desenhos os símbolos da escrita. Aprendi muita coisa com ela e não me esqueço da solidariedade dela por mim. “ Karin venceu as dificuldades tornando-se pedagoga, especialista em áudio-comunicação e doutora em Educação. Atuou por 10 anos como assessora pedagógica no Paraná, viajando por todo o estado, ministrando palestras e cursos sobre educação surda. Como presidente da FENEIS, Karin pretende expandir muitas conquistas dos surdos para todo o Brasil. “Percebo que muitas pessoas têm dificuldades de entender a realidade e a cultura surda. Precisamos ajudar os que ainda não entendem que nós temos uma cultura diferente. Trata-se de uma questão intercultural. Surdos devem respeitar a cultura dos ouvintes e vice-versa. Essa troca é muito importante e respeitosa”, acredita. "Cada pedacinho das várias fases de minha vida é abarrotado de cair, chorar, enxugar as lágrimas, levantar e continuar caminhando com mais firmeza. Resumindo, significa a superação das limitações impostas pela sociedade, que muitas vezes considera a pessoa surda como deficiente. Ultrapassei as dificuldades, em grande parte, com o apoio e amor da família. Esse amor me impulsionou a buscar o autoconhecimento, a aceitação de minha identidade surda, fazendo-me vencer os medos e obstáculos, conquistando assim o meu espaço no ambiente social."

Amy Ecklund - atriz americana
Nascida em 25 de junho, em Reno, Nevada, Amy Ecklund perdeu sua capacidade auditiva aos 6 anos e foi criada em um ambiente de comunicação total. A mãe inscreveu-a nas aulas de voz para que não perdesse sua capacidade de falar. Amy fala, lê lábios e usa American Sign Language (ASL). Amy concluiu seu Bacharelado em Belas Artes na Universidade do Sul da Califórnia. Já atuou em algumas novelas e peças como Present Laughter, The Madwoman of Chaillot, Conuselor-At-Law, The Mask of Moriarty, As You Like It, NY Seen, Holiday Goggles, e The Seagull. Também estudou teatro na Universidade do Texas e Zachary Scott. Amy Ecklund criou a personagem de Abigail Blume em Guiding Light baseando-se em sua vida real. Em 1998, ganhou o prêmio Daytime Webbie por "melhor atriz de drama". Amy se casou com seu amigo de escola, Jon Ecklund, sete anos após sua formatura. Em seu tempo livre, Amy gosta de costurar suas próprias roupas, escrever, cozinhar, ler, correr, levantar pesos, e explorar Nova Iorque.

Alice de Battenberg - princesa


Vitória Alice Isabel Julia Maria de Battenberg, mais conhecida como Princesa Alice de Battenberg (25 de Fevereiro de 1885 – 5 de Dezembro de 1969), foi a mãe do Duque de Edimburgo e sogra da Rainha Isabel II do Reino Unido (Rainha Elizabeth II no Brasil). Portadora de surdez congênita, a princesa cresceu entre a Alemanha, a Inglaterra e o Mediterrâneo. Após o seu casamento com o Príncipe André da Grécia e Dinamarca em 1903, viveu na Grécia até ao exílio da maioria da família real em 1917. Após regressar à Grécia alguns anos mais tarde, o seu marido foi culpado parcialmente pela derrota grega na Guerra Greco-Turca de 1919-1920, e a família foi novamente forçada a exilar-se até à restauração da monarquia grega em 1935. Em 1930, foi-lhe diagnosticada esquizofrenia e enviada para um sanatório. A partir de então passou a viver separada do marido. Após a sua recuperação dedicou grande parte dos seus restantes anos de vida ao trabalho comunitário na Grécia. Ficou em Atenas durante a Segunda Guerra Mundial onde abrigou refugiados gregos. Por estas acções foi reconhecida como "Justa Entre as Nações" pelo Yad Vashem. Após a guerra ela permaneceu na Grécia e fundou a ordem ortodoxa de freiras conhecida por "Irmandade Cristã de Marta e Maria". Após a queda do rei Constantino II da Grécia e a imposição de um governo militar na Grécia em 1967, ela foi convidada pelo seu filho e enteada a viver no Palácio de Buckingham em Londres onde morreria dois anos depois.

FONTE: http://www.libras.com.br/web/surdos-famosos